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Do pátio da escola ao Pro Bowl: projeto social leva o flag football brasileiro a evento da NFL

Do pátio da escola ao Pro Bowl: projeto social leva o flag football brasileiro a evento da NFL

Inspirado na NFL, flag football ganha adeptos no Brasil
O que começou como uma experiência pedagógica em um colégio de São José dos Campos se transformou em uma vitrine internacional do flag football brasileiro. Campeão do Torneio Nacional da NFL Flag na divisão mista sub-12, em dezembro, o Instituto Alpha Lumen/Tribais CT vai representar o Brasil em um evento internacional que integra a semana do Pro Bowl, entre os dias 1º e 3 de fevereiro, em Oakland, nos Estados Unidos.
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Será o terceiro ano consecutivo em que o Brasil terá um representante no Campeonato Internacional da NFL Flag. A competição reunirá equipes sub-13 de 14 países na próxima terça-feira (3), em evento preparativo para o Super Bowl LX, marcado para o dia 8. O torneio de flag será realizado partir das 16h30 (horário de Brasília), no Moscone Centre.
Equipe do Instituto Alpha Lumen
Reprodução/Instagram
Rápida ascensão
Neste ano, a delegação brasileira será formada por 13 pessoas, a maioria crianças de até 12 anos que tiveram o primeiro contato com o esporte justamente no ambiente escolar, onde nasceu o projeto do Tribais CT. A história começou em meados de 2023, quando os professores de Educação Física Luan Souza e Igor Ribeiro decidiram apresentar modalidades pouco convencionais aos alunos de um colégio da cidade. Entre elas, o flag football rapidamente se destacou.
– Vimos que o que o flag football, assim como qualquer outra modalidade esportiva, pode trazer desenvolvimento em vários setores da vida da criança. Por ser um esporte que até então não estava tão conhecido e, que principalmente está em desenvolvimento, vimos uma oportunidade de trazê-lo para a comunidade e para a vida de mais crianças – explicou Luan em entrevista ao ge.globo.
O flag football é uma versão adaptada do futebol americano, mais acessível e com menos contato físico. O campo é reduzido, assim como o número de atletas em cada equipe, mas o objetivo é o mesmo: avançar até a “end zone” e marcar o touchdown. O nome da modalidade vem das bandeiras (flags, em inglês) presas à cintura dos jogadores, que precisam ser retiradas pelos adversários para encerrar a jogada. O flag fará sua estreia no programa olímpico nos Jogos de Los Angeles 2028.
João Morais antes de marcar um touchdown na final do torneio nacional da NFL Flag
Grasiela Gonzaga
O interesse crescente e a rápida aceitação dos alunos motivaram os professores a expandirem a ideia para além da escola. Em pouco tempo, Luan e Igor estruturaram a iniciativa e criaram um centro de treinamento – o Tribais CT – que passou a abrigar um projeto social voltado a crianças da cidade do interior paulista. Enquanto Igor já tinha experiência como atleta da modalidade, Luan se aprofundou no flag football a partir do próprio projeto.
Foi nesse contexto que também surgiu a NFL Flag, programa oficial da principal liga de futebol americano do mundo voltado à promoção do flag football entre jovens de 4 a 17 anos. A iniciativa conta com mais de 1,5 milhão de participantes nos Estados Unidos e está presente em 15 países, incluindo o Brasil desde 2023. Além de um calendário anual com torneios nacionais e internacionais, o programa foca na capacitação de profissionais para o desenvolvimento da modalidade.
– A NFL nos auxilia principalmente quanto à instrução, na parte mais capacitativa e mais técnica. A gente tem algumas dificuldades na hora de desenvolver as próximas etapas do projeto de flag, então sempre optamos pela NFL para dar um auxílio referente a quais os próximos passos a seguir, quando a desenvolvimento referente à base e ao projeto como um todo – explicou Igor.
Luan Souza com o título de campeão do NFL Flag Nacional 2025
Grasiela Gonzaga
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O crescimento do Tribais foi rápido e surpreendeu até os próprios idealizadores. Com apenas três meses de existência como clube, a equipe disputou seu primeiro torneio nacional da NFL Flag e terminou com o vice-campeonato na categoria sub-12 mista. Desde então, empilhou resultados expressivos, com títulos nacionais no sub-15 feminino, sub-14 misto e, mais recentemente, no sub-12 misto – em parceria com o Instituto Alpha Lumen.
– Promover um campeonato dentro do nosso território, e trazer essa projeção para as crianças disputarem um campeonato internacional, com certeza mexe com qualquer criança, principalmente nós que temos um viés social muito forte. Muitas crianças às vezes nem saíram da cidade e estão indo para outro país conhecer uma outra cultura e ter o convívio com a elite do esporte, com pessoas de outros países. Tudo custeado por eles. Isso não tem preço – falou Luan.
Instituto Alpha Lumen/Tribais comemora o título que deu a vaga para o torneio internacional da NFL Flag
Grasiela Gonzaga
Sonhar com o futuro
Atualmente, o Tribais atende cerca de 50 crianças entre 8 e 16 anos em seu centro de treinamento principal. Considerando outros polos em São José dos Campos, Taubaté e Caçapava, o número chega a quase 200 jovens. A maior parte das vagas é destinada ao projeto de caráter social, embora uma parcela dos alunos pague mensalidade para manter a estrutura funcionando.
Uma das crianças que integram o projeto é João Morais, de 11 anos. Ele conheceu o flag football há três anos, ainda na escola, e nunca mais parou. O jovem wide receiver faz parte da equipe sub-12 mista que vai representar o Brasil no evento internacional da NFL na semana do Super Bowl e, diante de um cenário empolgante, já projeta um futuro bem definido.
– Eu quero ser jogador. Não importa o esporte, mas é um sonho meu. Se der, vai ser muito legal. Fazendo os cálculos, em 2032, se o flag ainda estiver nas Olimpíadas, eu vou poder jogar – disse João, que terá 18 anos quando a Olimpíada de Brisbane-2032 ocorrer (a modalidade está confirmada em Los Angeles-2028, mas ainda não teve presença garantida nas edições seguintes).
João Morais com o troféu e a medalha do Campeonato Nacional de Flag – Sub 12
Grasiela Gonzaga
A inclusão do flag football no programa olímpico, aliada à parceria com a NFL Flag, impulsionou ainda mais o crescimento da modalidade ao redor do mundo. Estima-se que haja cerca de 20 milhões de praticantes em 100 países. Embaixadora da NFL e do flag football no Brasil, Gabriela Bankhardt vê o momento como um divisor de águas para a consolidação do esporte no país.
– O fato da modalidade ter se tornado olímpica, com certeza traz uma visibilidade absurda que a gente não tinha antes, seja da mídia, seja de marcas, de patrocinadores e até do próprio Comitê Olímpico Brasileiro. Nunca tivemos um trabalho de base no Brasil com times sub-12, sub-14 e sub-15. Com certeza, estão muito motivados por esse papel da NFL aqui – falou Gabi.
Para o Tribais, o foco para o futuro é consolidar as categorias de base até o sub-18 e sub-20 e, a partir daí, alimentar equipes adultas que mantenham a mesma filosofia de formação. Igor Ribeiro compara o modelo a estruturas tradicionais do futebol europeu, como La Masia, do Barcelona, ou o Castilla, do Real Madrid.
– Acreditamos muito nesse processo. Desde o início, entendemos que a melhor formação para um atleta jovem é viver um desenvolvimento contínuo, dentro de um sistema tático, até chegar ao adulto. Esse é o caminho que queremos trilhar. Eu gosto muito desse tipo de viés psicológico, e temos uma crença muito grande nesse tipo de desenvolvimento – falou o treinador.
Igor Ribeiro vibra com Luan em torneio nacional de flag football
Grasiela Gonzaga
Em busca do título?
No Campeonato Internacional da NFL Flag, o Brasil terá fortes adversários pela frente. O Instituto Alpha Lumen/Tribais CT está no grupo C, junto com o mexicano Wildcats (Morelos) e o francês Les Gavroches de Paris (Paris). Esta será a segunda aparição da equipe em um evento internacional – a primeira ocorreu em julho passado, com sua equipe sub-14 mista.
– Aprendemos muitas lições e esperamos poder mostrar o quanto aprendemos nesse campeonato internacional em Oakland. Acho que a gente está preparado para disputar uma competição como essa. Estamos muito animados em poder mostrar realmente a nossa preparação e as nossas estratégias quanto às equipes que vamos encontrar no âmbito internacional – falou Igor.
Para João Morais, a viagem marca também a realização de um sonho pessoal, mas o foco é tentar o título.
– Sempre foi um sonho meu, porque eu nunca tinha saído do país. Agora, com o esporte que eu sempre sonhei de fazer, é um sonho se tornando realizado. Estou muito ansioso. Vai ser muito divertido, mas temos que ir com a cabeça de que vamos ser campeão – disse o jovem.
Gabriela Bankhardt, embaixadora da NFL, do flag football e do Miami Dolphins
Reprodução/Instagram
Empolgada com a participação brasileira, Gabriela Bankhardt reforça o otimismo em relação ao futuro do esporte, especialmente com os Jogos Olímpicos no horizonte.
– Essas crianças, quando chegarem à categoria adulta, estarão muito mais preparadas do que eu estava quando comecei a praticar flag aos 20 anos. É um momento muito especial para acompanhar o desenvolvimento da base e entender o quanto ela vai sustentar o futuro do esporte. As Olimpíadas, sem dúvida, são um grande fator motivador. Afinal, que adulto ou criança não sonha em disputar uma vaga olímpica? Isso traz uma responsabilidade enorme, e a gente torce para que o flag se mantenha como modalidade olímpica por muito tempo – concluiu a embaixadora. geRead More