Dólar abre com investidores atentos à escolha do novo presidente do Fed e à PNAD
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar inicou a sessão desta sexta-feira (30) de olho no cenário interno e externo. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
▶️ Os mercados iniciam a sexta-feira atentos a decisões e indicadores que podem mexer com as expectativas dos investidores. O foco se divide entre a política monetária nos Estados Unidos e os dados mais recentes do mercado de trabalho no Brasil.
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▶️ Nos EUA, a atenção está voltada para o anúncio do novo presidente do Federal Reserve. Donald Trump afirmou ontem que divulgaria nesta manhã o nome escolhido para substituir Jerome Powell, cujo mandato termina em maio, após uma relação marcada por atritos com o presidente.
O nome de Kevin Warsh, ex-governador do Fed, ganhou força nas apostas após um encontro com Trump na Casa Branca. Além dele, Rick Rieder, chefe de renda fixa da BlackRock, e Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, também aparecem entre os cotados.
▶️ No Brasil, os investidores seguem monitorando os dados do mercado de trabalho após os números fracos do Caged em dezembro — que mostrou que o país criou 1,279 milhão de empregos formais ao longo de 2025, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.
▶️ Hoje, o mercado aguarda a divulgação da taxa de desemprego de dezembro, medida pela PNAD Contínua, que pode ajudar a calibrar a leitura sobre a dinâmica do emprego no fim do ano passado.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -1,75%;
Acumulado do mês: -5,37%;
Acumulado do ano: -5,37%.
📈Ibovespa
x
Acumulado da semana: +2,39%;
Acumulado do mês: +13,66%;
Acumulado do ano: +13,66%.
Juros dos EUA e do Brasil
Na véspera, a Superquarta trouxe as decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil, ambas conforme o esperado pelo mercado.
EUA
O Fed decidiu manter a taxa básica de juros do país no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, o nível mais baixo desde setembro de 2022.
👉 Com essa decisão, o Fed interrompe uma sequência de três reduções seguidas nos juros. Na reunião anterior, realizada em 10 de dezembro, o banco central havia cortado a taxa em 0,25 ponto percentual.
No comunicado divulgado após a reunião, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) informou que o mercado de trabalho segue mostrando pouca criação de vagas, embora o desemprego esteja relativamente estável.
O grupo também destacou que a inflação ainda permanece um pouco acima do desejado, o que ajuda a explicar a cautela do banco central.
Em entrevista, o presidente do Fed, Jerome Powell, adotou um tom mais firme do que o visto em dezembro e indicou que novos cortes de juros não devem acontecer no curto prazo.
Segundo o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, a economia dos Estados Unidos ainda está longe de uma recessão. “Dados do terceiro trimestre de 2025 apontaram um crescimento forte da atividade, impulsionado principalmente pelo consumo das famílias, pelas exportações e pelos gastos do governo.”
Para Sung, o principal risco à frente não está ligado ao desempenho da economia em si, mas a fatores institucionais. Ele chama atenção para a sucessão no comando do Federal Reserve, já que o mandato de Jerome Powell termina em maio, o que pode levantar dúvidas sobre a independência do banco central.
“A possibilidade de maior interferência política ou da nomeação de um presidente com viés dovish [mais favorável a juros baixos] representa um risco relevante para a credibilidade do regime monetário, com potenciais impactos sobre as expectativas de inflação, o dólar e os mercados financeiros.”
Brasil
No Brasil, o Banco Central também decidiu manter os juros no nível atual. O Comitê de Política Monetária (Copom) deixou a taxa Selic em 15% ao ano, mas sinalizou que pode começar a reduzir os juros já na próxima reunião, marcada para março.
A indicação de corte está ligada à expectativa de que a inflação esteja mais controlada nos próximos meses. Mesmo assim, o Banco Central deixou claro que pretende agir com cautela.
Em comunicado, o Copom afirmou que, se o cenário esperado se confirmar, deve iniciar a redução dos juros na próxima reunião, mas reforçou que seguirá mantendo um nível ainda restritivo. Na prática, isso significa que o BC quer baixar os juros de forma gradual, sem comprometer o retorno da inflação à meta oficial.
👉 Atualmente, a Selic está no maior nível em quase 20 anos. Em julho de 2006, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a taxa chegou a 15,25% ao ano.
Desde o ano passado, integrantes do governo vêm defendendo uma queda dos juros. A avaliação da equipe econômica é que taxas muito altas encarecem o crédito, desestimulam o consumo e os investimentos e acabam freando a atividade econômica.
Para Gesner Oliveira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio da GO Associados, a decisão do Copom reflete uma combinação de fatores. De um lado, há a projeção de que a inflação fique próxima da meta apenas no início de 2027.
De outro, o economista avalia que reduzir os juros imediatamente poderia ser precipitado, especialmente diante das incertezas no cenário externo e das dúvidas em relação à política fiscal do país — ou seja, ao controle das contas públicas.
Segundo ele, o principal sinal dado nesta reunião foi a comunicação mais clara sobre o início de um ciclo de queda dos juros.
“A novidade dessa reunião do Copom é que o comunicado deixa claro que deve haver um início do ciclo de baixa, com grande chance de isso acontecer já na próxima reunião”, afirma.
Ainda assim, Gesner ressalta que o mercado segue atento a uma dúvida central: qual será o ritmo desse corte inicial. A discussão gira em torno de uma redução de 0,25 ponto percentual ou de 0,50 ponto percentual na reunião de março.
Agenda econômica
Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA
O número de norte-americanos que solicitaram auxílio-desemprego pela primeira vez caiu levemente na semana passada, sinalizando que as demissões seguem em patamar baixo nos EUA. Ainda assim, o ritmo fraco de novas contratações tem aumentado a preocupação das famílias com o mercado de trabalho.
De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego recuaram 1.000 solicitações na semana encerrada em 24 de janeiro, totalizando 209 mil pedidos, já com ajuste para efeitos sazonais.
O dado da semana anterior foi revisado para cima, passando de 200 mil para 210 mil pedidos.
O resultado veio um pouco acima das expectativas do mercado, que projetava 205 mil solicitações. A leitura dos números, no entanto, foi influenciada pelo feriado de Martin Luther King Jr., celebrado na segunda-feira da semana passada.
Esses pedidos costumam oscilar mais em semanas com feriados, especialmente no início do ano, quando os ajustes estatísticos ficam mais difíceis.
Balança comercial americana
O déficit comercial dos EUA — diferença entre o que o país importa e exporta — teve um salto expressivo em novembro, registrando o maior aumento em quase 34 anos.
O avanço foi puxado principalmente pelo forte crescimento das importações, em especial de máquinas, computadores e semicondutores, em um movimento associado ao aumento dos investimentos em inteligência artificial.
Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Escritório de Análise Econômica e pelo Census Bureau, o déficit comercial cresceu 94,6%, chegando a US$ 56,8 bilhões no mês.
O resultado superou com folga as expectativas do mercado, que projetava um saldo negativo de US$ 40,5 bilhões. Essa foi a maior variação percentual desde março de 1992.
O relatório, que teve sua divulgação adiada por causa da paralisação de 43 dias do governo americano, mostra que as importações totais aumentaram 5,0%, somando US$ 348,9 bilhões.
Dentro desse grupo, as compras de bens avançaram 6,6%, para US$ 272,5 bilhões, com destaque para os bens de capital — equipamentos usados na produção — que cresceram US$ 7,4 bilhões e atingiram um recorde histórico.
O principal impulso veio das importações de computadores e semicondutores, embora acessórios para computadores tenham registrado queda.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados americanos fecharam sob a influência da decisão do Federal Reserve de manter os juros inalterados, movimento que já era amplamente esperado.
A fala do presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou a avaliação de que as taxas estão “em um bom patamar” no momento. Enquanto isso, os investidores acompanham a divulgação de balanços de grandes empresas de tecnologia e aguardam os dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego.
Também chamou a atenção a alta do ouro, que avança mais de 2% e chegou a US$ 5.543 por onça-troy.
O Dow Jones Industrial Average fechou em alta de 0,11%, aos 49.071,56 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,20%, aos 6.963,76 pontos, e o Nasdaq Composite teve queda de 0,72%, aos 23.685,12 pontos.
Na Europa, o clima foi de cautela com os investidores analisando os resultados das empresas de tecnologia, em busca de pistas sobre como elas estão monetizando a inteligência artificial, após terem gasto bilhões no desenvolvimento dessa tecnologia nos últimos anos.
No fechamento, o índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,2%. Entre os principais mercados, o CAC 40, de Paris, subiu 0,06%, e o FTSE 100, de Londres, avançou 0,17%. Na Alemanha, o DAX recuou 2,07%.
Na Ásia, o humor dos mercados melhorou após notícias de que reguladores chineses deixariam de exigir alguns indicadores financeiros das construtoras, conhecidos como as “três linhas vermelhas”.
No fechamento, o Hang Seng subiu 0,51%, aos 27.968 pontos, enquanto o índice de Xangai avançou 0,16%, aos 4.157 pontos, e o CSI300 teve alta de 0,76%, aos 4.753 pontos.
Ainda na região, o Nikkei, de Tóquio, avançou 0,03%, o Kospi, de Seul, subiu 0,98%, e o Taiex, de Taipé, recuou 0,82%. Já as bolsas de Cingapura e Sydney fecharam em alta de 0,42% e queda de 0,07%, respectivamente.
Dólar vive disparada nos últimos dias
Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo
*Com informações da agência de notícias Reutersg1 > EconomiaRead More


