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Economia da Rússia em 2026 entra em estagnação com guerra prolongada e aumento de impostos

Economia da Rússia em 2026 entra em estagnação com guerra prolongada e aumento de impostos

A economia da Rússia em 2026 deve enfrentar um cenário de estagnação prolongada, marcado por crescimento lento, aumento da carga tributária e manutenção de elevados gastos militares. A combinação entre sanções ocidentais, queda das receitas do petróleo e a continuidade da guerra na Ucrânia reduz a margem de manobra do governo e dificulta uma retomada econômica no curto prazo. As informações são do The Moscow Times.

Após dois anos de forte expansão impulsionada pela economia de guerra, o crescimento russo perdeu fôlego em 2025. Analistas projetam que o Produto Interno Bruto avance em torno de 1% tanto em 2025 quanto em 2026, indicando o fim dos estímulos temporários que sustentaram a atividade econômica desde 2023.

Pessoas fazem compras em um supermercado na cidade de Tiumen, na Rússia (Foto: WikiCommons)

O crescimento acelerado observado nos primeiros anos do conflito foi resultado, inicialmente, da recuperação do choque econômico causado pelas sanções em 2022. Em seguida, o principal motor passou a ser o aumento expressivo dos gastos públicos, especialmente em defesa e infraestrutura ligada ao esforço de guerra. Esse impulso, no entanto, começou a se esgotar.

Mesmo com despesas federais projetadas em mais de 44 trilhões de rublos em 2026, o impacto real sobre a economia tende a ser limitado após o ajuste pela inflação. As altas taxas de juros, mantidas em torno de 16% para conter a inflação, também restringem investimentos e consumo.

Outro fator de pressão é a queda das receitas orçamentárias. Em 2025, a arrecadação ficou abaixo do previsto pela primeira vez desde o início da pandemia. A redução dos preços do petróleo, aliada às sanções que forçam a Rússia a vender seu petróleo com desconto, afetou diretamente as receitas de petróleo e gás, uma das principais fontes do orçamento federal.

Diante desse cenário, o governo russo optou por elevar impostos para compensar a perda de receitas. A alíquota do Imposto sobre Valor Agregado será aumentada, e mais empresas passarão a ser enquadradas no regime obrigatório de tributação. Também está prevista a criação de novos impostos sobre produtos eletrônicos, ampliando o impacto fiscal sobre empresas e consumidores.

Apesar da desaceleração econômica, os gastos militares continuam elevados. Oficialmente, o orçamento de defesa ultrapassa 12 trilhões de rublos em 2026, mas estimativas indicam que o valor real pode ser significativamente maior quando consideradas despesas classificadas como sigilosas. A guerra prolongada limita cortes nesse setor e mantém pressão constante sobre as contas públicas.

Economistas alertam que, enquanto recursos seguem direcionados à produção de armamentos, a oferta de bens de consumo cresce pouco, o que contribui para a inflação e reduz o bem-estar da população. Quanto mais o conflito se estender, menor será a capacidade de investimento em áreas civis, como saúde, educação e infraestrutura.

Sem sinais claros de redução das tensões geopolíticas, a economia da Rússia em 2026 deve permanecer presa a um ciclo de baixo crescimento, impostos mais altos e forte dependência do esforço de guerra, adiando qualquer perspectiva concreta de recuperação mais robusta.

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