EUA ameaçam com força militar vizinhos que não o ajudarem a combater narcotráfico e influência de rivais no Hemisfério Ocidental
O porta-aviões USS Gerald R. Ford aguarda no Caribe, em frente ao litoral da Venezuela
GETTY IMAGES
O governo Trump quer expulsar seus adversários —Rússia, China e o narcotráfico— do Hemisfério Ocidental e ameaçou empregar ação militar contra países que não cooperarem ou obstruam seus objetivos.
O intuito é assegurar para assegurar plena dominância militar e comercial “do Ártico à América do Sul”, principalmente na Groenlândia, no Golfo da América e no Canal do Panamá, segundo a nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, publicada pelo Departamento de Guerra norte-americano na última sexta-feira (23).
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
A Estratégia Nacional de Defesa serve como um guia das políticas e mobilizações militares planejadas para os próximos anos do governo Trump e complementa a Estratégia de Segurança Nacional, divulgada em dezembro —enquanto este delineia os objetivos da gestão Trump, o primeiro fala sobre como os implementar. O novo documento detalhou o que os EUA pensam por “este é o nosso hemisfério” —dito em publicação dias após a prisão de Maduro.
“Defenderemos de forma ativa e destemida os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental. Garantiremos o acesso militar e comercial dos EUA a áreas estratégicas fundamentais, especialmente o Canal do Panamá, o Golfo da América e a Groenlândia. (…) Atuaremos de boa-fé com nossos vizinhos, do Canadá aos parceiros na América Central e do Sul, mas asseguraremos que respeitem e façam a sua parte na defesa de nossos interesses compartilhados. E, quando isso não ocorrer, estaremos prontos para adotar ações focadas e decisivas que promovam os interesses dos EUA. Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe, e as Forças Armadas dos EUA estão prontas para a aplicar com rapidez, poder e precisão, como o mundo viu na Operação Resolução Absoluta [que resultou na prisão de Maduro]”, afirmou o Departamento de Guerra no documento, assinado pelo secretário Pete Hegseth.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Ao mesmo tempo em que fala em cooperação na base da “boa-fé” com os vizinhos, o governo Trump deixou a porta aberta para ações militares onde e quando julgar que seus interesses não estão sendo atendidos, e utilizou a operação militar em Caracas que depôs o ditador venezuelano Nicolás Maduro como exemplo de ações que o Exército norte-americano pode empregar no futuro.
A política de defesa do 2º mandato do governo Trump, segundo o documento do Departamento de Guerra, busca a “paz por meio da força” e começa nas fronteiras dos EUA, passa pelo Domo de Ouro e termina no monitoramento e contenção de seus rivais globais, como a China e a Rússia, contando com a ajuda de aliados ao redor do mundo.
“Deter” a China por meio da força e da contenção, mas sem buscar confronto direto;
“Delegar” Rússia e a Coreia do Norte, identificadas como ameaças globais, para seus aliados cuidarem —Otan e Coreia do Sul e Japão, respectivamente;
“Narcoterrorismo” como alvo militar: EUA se reservou o direito de ataques militares diretos contra organizações narcoterroristas em qualquer lugar das Américas;
Vai obrigar Canadá e México a ajudar a fechar as fronteiras dos EUA para a entrada de imigrantes ilegais e de “narcoterroristas”;
Aumentar a responsabilidade dos aliados no “fardo da segurança compartilhada”;
China
A China é tratada como o principal rival dos EUA no palco mundial e, por isso, é necessário “deter” o país de Xi Jinping “por meio da força, não do confonto”, ou seja, sem entrar em guerra. No entanto, fala que não é necessário “dominar nem estrangular” Pequim para atingir esse objetivo.
Aqui, indicou que vai buscar um arranjo de “cada um no seu quadrado” com o líder chinês, para que cada um possa ir atrás de seus objetivos sem se chocar, por meio de dois fatores:
Esforços diplomáticos com Xi Jinping;
Aumentar a presença militar no Pacífico Ocidental —entre o Japão e as Filipinas, passando por Taiwan— para se contrapor à rápida mobilização chinesa na região.
“Manter um equilíbrio favorável de poder militar no Indo-Pacífico. (…) Isso não exige mudança de regime nem algum outro tipo de luta existencial. Em vez disso, é possível alcançar uma paz aceitável, em termos favoráveis aos americanos, mas que a China também possa aceitar e sob os quais consiga viver”, afirmou o documento.g1 > Mundo Read More


