RÁDIO BPA

TV BPA

Ex-Atlético-MG, André Luiz conta como passou de excluído nos treinos para estrear com gol em clássico

Ex-Atlético-MG, André Luiz conta como passou de excluído nos treinos para estrear com gol em clássico

Cruzeiro 4 x 2 Atlético-MG – Campeonato Mineiro 2003
A cada duelo entre Atlético-MG e Cruzeiro, surge a expectativa sobre quem será o protagonista do jogo, que colocará seu nome na história do clássico. Em janeiro de 2003, essa primazia coube a André Luiz. Encostado nos treinos nos primeiros meses de contrato, o zagueiro, então com 23 anos, aproveitou a primeira oportunidade como titular do Galo e abriu o placar em um Mineirão lotado com quatro minutos de partida — um gol que mudou para sempre o destino da carreira dele.
+ Veja a classificação atualizada do Campeonato Mineiro
Pela 5ª rodada do Campeonato Mineiro, Galo e Raposa voltam a se enfrentar neste domingo. A bola rola às 18h com transmissão da TV Globo, ge TV, Premiere e do Sportv.
André Luiz com a camisa do Atlético-MG
Arquivo pessoal
Hoje com 46 anos e com as chuteiras penduradas, André Luiz trabalha como gerente de futebol da base do Uberlândia, time que disputa o Módulo 1 do Campeonato Mineiro e é rival do próprio Atlético no torneio. Em entrevista ao ge, o ex-defensor relembrou o sentimento de balançar as redes naquele clássico — que também foi marcado por uma “masterclass” de Alex, então no Cruzeiro, com dois gols e duas assistências.
“Foi um momento maravilhoso, o coração saiu pela boca. Eu estava até meio perdido. Eu lembro que, na comemoração, eu pulei em frente ao banco de reserva do Cruzeiro. Nunca tinha jogado um jogo assim”.
Na entrevista, André Luiz também relembrou outros momentos marcantes da carreira e destacou a passagem longa pelo Nancy, da França, onde se tornou ídolo. Ele também contou sobre a temporada em que atuou no Palmeiras na Série B, mesmo com propostas de times de primeira divisão, e falou sobre o novo propósito da vida profissional: a formação de atletas.
+ Atlético-MG x Cruzeiro: primeiro clássico do ano terá arbitragem de fora do estado
André Luiz, gerente de base do Uberlândia
Giovanni Mendes/UEC
Estreia com gol em clássico
Formado na base do Cruzeiro, André Luiz passou por Ipatinga e Tupi até chegar ao Atlético-MG em 2003. A princípio, o contrato do zagueiro com o Galo era de apenas três meses, e o então jovem atleta ficou encostado em um elenco recheado de opções para a zaga, como Nem, Neguette, Eraldo e Gutiérrez.
— Eu praticamente nem fazia coletivo. Nem fazia os treinos quando eram só 22 atletas dentro do campo. Ficava correndo em volta do campo e fazendo os trabalhos simples com o preparador físico, com o auxiliar — contou André.
André Luiz com a camisa do Atlético-MG
Arquivo
Tudo mudou no dia 15 de janeiro daquele ano. Com vários nomes da defesa lesionados, André foi chamado pelo técnico Celso Roth para fazer a estreia pelo Atlético-MG. O jogo? Um clássico contra o Cruzeiro em pleno Mineirão.
— Foi um dia fantástico para mim. Eu não vou mentir que eu tive um pouco de medo, porque eu nunca tinha jogado um jogo desse tamanho. A gente indo para o Mineirão, a Avenida Antônio Castro estava com muito torcedor do Atlético, e aquilo ia me dando mais medo ainda. Foi assim até o momento de entrar no campo para começar o jogo, porque quando o juiz apita, esse medo passa — contou André.
Gol André Luiz Atlético-MG Cruzeiro 2003
Reprodução
O nervosismo de André Luiz foi embora logo aos 4 minutos. Após cruzamento de Lúcio Flávio, o zagueiro cabeceou firme e abriu o placar para o Galo diante de 80 mil pessoas no Mineirão (veja o gol no vídeo que abre a reportagem). A confiança para executar o lance surgiu de um conselho que o defensor ouviu do pai antes de a bola rolar.
— Antes do gol, eu tentei colocar em prática um conselho que o meu pai me falou para esse jogo: “André, nas três primeiras bolas, toca para quem estiver mais perto, para você não correr risco e ganhar confiança”. E foi o que eu fiz. Já com quatro minutos, eu tive a felicidade de fazer o gol — relembrou.
Apesar da boa atuação de André Luiz na defesa, o Cruzeiro virou a partida e venceu por 4 a 2 com show de Alex. O gol marcado e a segurança nos duelos, no entanto, renderam a posição de titular e a renovação de contrato para o zagueiro, que assinou com o Galo por mais quatro anos.
Idolatria na França
A história que começou para André Luiz com uma estreia inesperada no clássico terminou com mais de 100 partidas e oito gols com a camisa do Atlético-MG. Em julho de 2005, o Nancy, da França, fez uma proposta e contratou o zagueiro, que partiu para a primeira experiência internacional da carreira.
Considerado um time médio do futebol francês, o Nancy havia acabado de subir para a divisão principal. No ano seguinte, André Luiz conquistou o título inédito da Copa da Liga Francesa, o maior da história do clube desde a Copa da França de 1978.
André Luiz em ação pelo Nancy
Nancy
— Foi uma emoção também maravilhosa. Nós jogamos contra o Nice, e aí pararam as duas cidades, porque os trens e os ônibus estavam todos indo lá para Paris [a final foi no Stade de France, em Saint-Denis]. Teve aquela apresentação antes do jogo, com o animador de torcida, o que é muito bacana. Graças a Deus nós conseguimos o título com o gol de um brasileiro também, o Kim, que também jogou no Atlético — lembrou.
Ao todo, André Luiz passou oito temporadas no Nancy. Nesse período, ele enfrentou estrelas do futebol mundial, como Zlatan Ibrahimovic e Karim Benzema. Mas os adversários mais difíceis de marcar da carreira, no entanto, não foram os centroavantes, segundo o ex-zagueiro.
“Os dois mais difíceis de marcar para mim foram o Eden Hazard e o Franck Ribéry. Muito rápidos e muito habilidosos, todos os dois”.
A identificação do brasileiro com o Nancy foi tamanha que ele se tornou capitão nos últimos anos dele no clube. A relação entre André e o clube terminou em 2013, com direito à emoção do jogador na partida que marcou a despedida.
André Luiz se emociona na despedida do Nancy
Nancy
Passagem pelo Palmeiras
Em 2013, André Luiz optou por deixar o Nancy em comum acordo com a diretoria. A crise do clube francês, que lutava contra o rebaixamento, e a vontade do próprio jogador de voltar ao Brasil para ficar perto da família pesaram na decisão.
O retorno do zagueiro ao país despertou o interesse de vários times. Vasco e Vitória abriram negociações com André Luiz, que optou por fechar com o Palmeiras para jogar a Série B.
— Escolhi o Palmeiras por causa de estrutura. Foi na época do Paulo Nobre, que foi o presidente que mudou o clubee o o colocou em outro nível. Quando eles fizeram a proposta, foi uma conversa bem bacana, e eu preferi ir para a Série B no Palmeiras do que ficar na Série A, que era a proposta que eu tinha. Foi uma decisão acertada, porque tinha uma estrutura fantástica e pessoas corretas — explicou André.
André Luiz Palmeiras
Marcos Ribolli
“O futebol é assim: quando se cumpre aquilo que se fala, a chance de dar certo é muito grande”.
No clube alviverde, André Luiz atuou em 28 partidas, anotou um gol e deu uma assistência. Ao fim da temporada, com o título da Série B, ele anunciou a aposentadoria dos gramados aos 33 anos.
Gerente de base
Depois de parar de jogar, André se debruçou sobre o futebol de base e passou a trabalhar a formação de jogadores. Após experiências em times do interior de Minas, como o Social – onde descobriu o atacante John Kennedy, hoje no Fluminense – André foi convidado em 2025 para assumir a base do Uberlândia por Fábio Mineiro, conterrâneo de São João del Rei e atual dono da SAF do clube.
+ Reforma do CT, foco na base e Série A em oito anos: veja propostas da SAF do Uberlândia
Novo departamento de futebol do Uberlândia SAF
Giovanni Mendes/UEC
A nova gestão colocou como prioridade a retomada das categorias juvenis do UEC, que estavam paralisadas desde 2023. Desde dezembro, foram formados os elencos das categorias sub-13, 14, 15 e 17. Uma seletiva para o time sub-20 também deve ser realizada nos próximos meses.
— O meu objetivo é fazer um excelente trabalho aqui nas categorias de base do Uberlândia. Claro que esse trabalho é a longo prazo, mas a gente começou com uma seriedade muito grande e vai assim até o final — afirmou.
“A meta é revelar jogadores da nossa categoria de base, e o dia que eu ver os meninos tendo oportunidade lá no profissional será uma satisfação imensa pra mim também”. geRead More