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Família de babá cearense assassinada em Portugal ainda tenta traslado de corpo 45 dias após crime

Família de babá cearense assassinada em Portugal ainda tenta traslado de corpo 45 dias após crime

 Babá morta em Portugal iria depor a favor de patrão
A família da babá brasileira assassinada em Portugal ainda enfrenta burocracia para trazer o corpo para o Brasil depois de 45 dias após o crime. O processo está sendo conduzido pelo governo do Ceará, que anunciou que deve pagar pelos custos do traslado.
Teodoro Júnior, viúvo de Lucinete Freitas, disse ao g1 que a família está em contato direto com as equipes do governo estadual e providenciando a documentação necessária.
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Como detalhou Teodoro, a família atualmente aguarda a conclusão de um requerimento que deve ser assinado pela cunhada dele. No entanto, ainda não há uma previsão de data para o traslado.
A babá cearense foi assassinada no dia 5 de dezembro. A patroa dela, identificada pelas autoridades portuguesas como uma brasileira de 43 anos, foi presa apontada como principal suspeita pelo crime. Após ser detida, a patroa indicou onde o corpo da vítima estava.
O corpo de Lucinete foi encontrado em um matagal de Amadora, região próxima à cidade de Lisboa, após passar 13 dias desaparecida.
Governo articula traslado
Custos com traslado do corpo de Lucinete Freitas devem ser pagos pelo governo do Ceará
Arquivo pessoal
O governo do Ceará irá pagar pelo traslado do corpo de Lucinete Freitas, conforme anunciado pelo chefe da Casa Civil do Executivo estadual, Chagas Vieira, em 10 de janeiro.
No dia 12 de janeiro, Vieira compartilhou, nas redes sociais, um vídeo que fazia uma chamada telefônica com o viúvo de Lucinete para tratar dos trâmites do traslado.
Na reunião, Chagas afirmou que o processo seria acompanhado pela secretária estadual dos Direitos Humanos, Socorro França; e o procurador-geral, Rafael Moraes, representando a Procuradoria-Geral do Estado do Ceará.
“A partir de agora, a equipe da doutora Socorro vai tocar com você todo o trâmite junto com a Procuradoria-Geral do Estado para que isso ocorra o mais rápido possível”, afirmou Chagas Vieira, em conversa com Teodoro Júnior no vídeo publicado.
Antes do anúncio do governo estadual, a família de Lucinete havia feito o pedido de traslado ao Governo Federal. Teodoro disse que o caso se encaixaria na lei aprovada em 2025 para mortes de brasileiros fora do país.
No entanto, ele disse que o Governo Federal argumentou que a lei ainda não está sendo aplicada por falta de definição de orçamento.
Ainda em dezembro, os familiares relataram excesso de burocracia, demora e falta de informações claras sobre os procedimentos necessários, além da ausência de condições financeiras para arcar com os custos do traslado internacional.
Sete meses em Portugal
A cearense Lucinete Freitas morava há sete meses em Portugal antes de ser assassinada.
Arquivo pessoal
Lucinete morava sozinha em Amadora, região metropolitana de Lisboa, e tinha planos para levar o marido e o filho de 14 anos para o país europeu em 2026. Ela estava há sete meses em Portugal e, há cerca de quatro meses, trabalhava como babá.
Ela encontrou o emprego em um grupo nas redes sociais, após a patroa anunciar que estava precisando de uma babá — de preferência brasileira, conforme Teodoro, já que a patroa é maranhense. Lucinete era natural de Aracoiaba, no interior do Ceará.
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Segundo o marido da vítima, Lucinete iria depor a favor do patrão em um processo sobre a guarda do filho dele com a suspeita do crime. Teodoro afirmou que o casal de patrões vivia um relacionamento conturbado, e que Lucinete presenciou diversas brigas.
Ele falou que a vítima sempre se posicionava a favor do patrão quando era envolvida nas discussões. Ele acredita, inclusive, que essa é a motivação do crime.
A relação com a patroa era “conflituosa”, conforme o Ministério Público de Portugal. A suspeita teria usado um bloco de cimento para golpear Lucinete, após a babá aceitar uma carona para casa. No dia 18 de dezembro, a mulher foi presa e revelou onde o corpo estava.
A mulher ainda teria jogado entulho para ocultá-lo. Ela também, conforme o MP, pegou o celular da vítima e mandou mensagens fingindo ser a babá.
Ao se passar por Lucinete, disse que estava viajando para o Algarve, em outra região de Portugal, com uma amiga, para evitar suspeitas sobre o desaparecimento.
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