Fez-se o caos nos Estaduais. Que bom…
Bangu 2 x 1 Flamengo | Gols | 1ª rodada | Campeonato Carioca 2026
Só nesta quarta-feira: Grêmio perde em casa para o São José, Flamengo é derrotado pelo Bangu, Atlético-MG empata com o North. No fim de semana: São Paulo leva 3 a 0 do Mirassol, Cruzeiro é batido no Mineirão pelo Pouso Alegre.
O começo dos Estaduais já era traiçoeiro para os clubes grandes antes do novo calendário. Era aquilo: calor de janeiro, uma semaninha e meia de pré-temporada, metade do time titular ainda queimando a cerveja das férias – e do outro lado uma equipe pequena e faminta, treinando desde dezembro. Tropeços aconteciam.
Mas agora, com a mudança, fez-se o caos. E que bom. O começo do Brasileirão já no fim de janeiro obrigou os clubes a mudarem a forma de lidar com a largada dos Estaduais. Eles precisam, mais do que antes, se equilibrar entre a preparação para a temporada e a atenção aos jogos mais imediatos. É um malabarismo.
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Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Alguns preferiram usar a base. É o caso do Flamengo, que empatou com a Portuguesa (1 a 1) e perdeu para o Bangu (2 a 1) com uma equipe sub-20 – até porque espichou a temporada anterior por causa da Copa Intercontinental. Outros já largaram com o time principal na primeira rodada, como aconteceu com Santos e Corinthians no Campeonato Paulista. E outros apostaram em reservas (Palmeiras na estreia) ou em uma mistura que pode ser interessante.
O Grêmio, nas duas partidas iniciais, mesclou jogadores experientes, titulares, com garotos buscados na base. Na goleada de 4 a 0 sobre o Avenida, o atacante Roger, de 17 anos, participou de três gols. Ele voltou a ser utilizado no segundo tempo da derrota de 1 a 0 para o São José, partida em que a maior promessa do clube, Gabriel Mec, também de 17 anos, teve chance como titular ao lado de nomes como Willian, 37, o brasileiro com mais jogos na história da Premier League.
O Inter começou o Gauchão com uma combinação entre jogadores da base e atletas que terminaram o ano passado na reserva. Nem o técnico Paulo Pezzolano participou da partida (vitória de 2 a 1 sobre o Novo Hamburgo no Beira-Rio), que teve o volante ganês Benjamin Arhin, de 19 anos, como melhor em campo. Nesta quinta-feira, contra o Monsoon, o treinador fará sua estreia à beira do campo, e o jovem africano deverá ser novamente titular, agora acompanhado por mais jogadores do elenco principal.
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E assim, por vias tortas, forçados pelo calendário, os clubes vão usando os Estaduais para observar jogadores que poderão despontar ao longo do ano. Era um processo que deveria ser feito desde sempre, mas acabava constrangido pela necessidade de resultados imediatos – onde já se viu deixar o rival ser campeão?
O novo calendário não apenas diminuiu os Estaduais (de 16 para 11 datas): também os enfraqueceu. É um preço justo a ser pago pelos times grandes em troca de um Brasileirão menos achatado. Ainda não é o ideal. Haverá, por exemplo, um fim de semana repleto de clássicos estaduais (Gre-Nal, Fla-Flu, Ba-Vi, Atlético-MG x Cruzeiro, Palmeiras x São Paulo) três dias antes do começo do Brasileirão, forçando os clubes a dividirem atenção entre as duas competições. Mas o avanço é evidente.
Não se trata, no fim das contas, de desprezar os Estaduais. Eles têm valor, fazem sentido em um país desse tamanho e preenchem nossa memória com lembranças especiais. A questão é aproveitá-los da melhor maneira possível, indo além do simples resultado. geRead More


