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França não aprova método usado pelos EUA para capturar Maduro, diz Macron

França não aprova método usado pelos EUA para capturar Maduro, diz Macron

 Vídeo mostra Maduro detido na sede do departamento antidrogas dos EUA
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira (5), durante reunião do Conselho de Ministros, que o “método utilizado” pelos Estados Unidos para capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, não foi “apoiado nem aprovado” pela França, segundo a porta-voz do governo, Maud Bregeon.
“Defendemos o direito internacional e a liberdade dos povos”, declarou o presidente francês, conforme relato da porta-voz à imprensa.
Segundo ela, Macron disse que Nicolás Maduro é “um ditador” e que sua saída é “uma boa notícia para os venezuelanos”. “Ele confiscou a liberdade de seu povo e roubou as eleições de 2024”, afirmou.
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“Em terceiro lugar, a França apoia a soberania popular, e essa soberania se expressou em 2024”, disse Maud Bregeon, em referência à eleição presidencial que foi vencida, segundo a França e parte da comunidade internacional, pelo opositor Edmundo González Urrutia. 
Nicolas Maduro e Emmanuel Macron na COP27, no Egito, em 7 de novembro de 2022
Reprodução/Presidência da Venezuela
Na época, a vitória foi reivindicada por Nicolás Maduro.
“Se houver transição, então o vencedor de 2024 deve desempenhar um papel central”, afirmou a porta-voz, citando Macron. 
O presidente francês foi criticado pela esquerda após sua primeira reação à captura de Maduro, que não mencionava o método empregado por Washington. O presidente francês não comentou a operação americana.
“O povo venezuelano está hoje livre da ditadura de Nicolás Maduro e só pode se alegrar com isso”, escreveu o chefe de Estado no X no sábado. “Ao confiscar o poder e esmagar as liberdades fundamentais, Nicolás Maduro causou um grave dano à dignidade de seu próprio povo”, acrescentou. 
‘Vergonha suprema’
Nicolás Maduro a bordo do navio USS Iwo Jima, em foto compartilhada por Trump.
REUTERS
No mesmo dia, Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa, disse que “a posição de Macron não é a voz da França. Ele nos envergonha. Ele abandona o direito internacional”. “Dia sombrio para nosso país”, escreveu Mélenchon no X, apoiado por seu aliado Manuel Bompard, que lamentou ver “a França reduzida a felicitar os golpes de força de Trump”. 
Para o primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, “a França não é um Estado vassalo dos EUA, e nosso presidente não pode se comportar como um simples porta-voz da Casa Branca”.
“Macron pisa hoje em toda a nossa história diplomática. Uma vergonha”, reforçou o líder dos senadores socialistas, Patrick Kanner. Uma “vergonha suprema”, declarou o líder do Partido Comunista, Fabien Roussel, para quem a França foi “rebaixada ao posto de 51º Estado dos EUA”. 
Antes da reação de Macron, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, considerou que a operação americana “contraria” o direito internacional. As mensagens do presidente e do ministro devem ser analisadas em “continuidade”, garantiu Maud Bregeon, acrescentando que as declarações do chefe da diplomacia foram “validadas” por Macron após discussão. 
UE pede contenção
No sábado (3), a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, pediu “contenção” e respeito ao direito internacional depois da ação de Donald Trump na Venezuela. 
Kallas indicou na rede social X que falou com o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, e lembrou que a União Europeia (UE) questiona a legitimidade democrática de Nicolás Maduro. Mas “em qualquer circunstância, devem ser respeitados os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. Fazemos um apelo à contenção”, escreveu.g1 > Mundo Read More