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Mais curtos e renovados, Estaduais merecem um voto de confiança

Mais curtos e renovados, Estaduais merecem um voto de confiança

Veja alguns dos medalhões espalhados pelos estaduais 2026
Nesta temporada, o futebol brasileiro desafia a máxima popular de que “o ano só começa depois do Carnaval”. Os campeonatos estaduais, como é costume, servem de carro abre-alas do calendário futebolístico, mas no fim de janeiro já teremos Brasileirão, devido às expressivas mudanças implementadas pela CBF ano passado.
Com as transformações, uma velha demanda, quase unânime, acabou atendida: agora com apenas onze datas, os Estaduais enfim estão mais curtos. Apesar de meio espremidos nestes meses de calor extremo, ainda provocam certas inconveniências, como o fato de competirem com as primeiras rodadas do Brasileiro, o que vai continuar impedindo que a principal competição nacional tenha uma abertura de gala, com todas as atenções voltadas para ela. Afinal de contas, quando a madeira ranger, pouca gente vai dar atenção a uma rodada inicial de Brasileiro enquanto seu time está metido num perrengue diabólico diante do rival numa instância decisiva do Estadual.
Corinthians x Ponte Preta, Paulistão
Marcos Ribolli
As mudanças, no entanto, são dignas de elogio, sobretudo por parte daqueles que, como eu, defendem a continuidade dos Estaduais, desde que em versões dinâmicas e empolgantes. Muitos estados contam com praças futebolísticas tradicionais, que merecem o protagonismo do enfrentamento com os gigantes. Com novas fórmulas e menos jogos, a disputa promete ser feroz desde o início, ao menos para os desafiantes — e, com os maiores clubes ainda ajeitando as melancias restantes da temporada passada, numa brecha aparece um Guarany de Bagé candidatando-se à decisão do Gauchão.
É claro que cada um sabe onde seu calo aperta. Enquanto muitos clubes grandes começam os Estaduais utilizando times alternativos, não apenas para estender a preparação do elenco principal, mas também para poder observar jovens jogadores em um cenário de competição profissional, outras camisas tradicionais têm nos torneios regionais de 2026 um compromisso com a história. O Estadual pode até incomodar, mas nenhum incômodo é maior do que não vencer o Estadual.
Kaique Kenji se lamenta em Cruzeiro x Pouso Alegre
Alessandra Torres/AGIF
É o caso, por exemplo, de Santos e Vasco, que há nove temporadas não levantam um título em seu próprio quintal. E mesmo o Botafogo, que recentemente ganhou títulos de enorme expressão, está há sete anos sem conquistar um Carioca (que, aliás, é o único Estadual que nunca foi vencido por um clube do Interior). Um caso curioso é o Cruzeiro, que está se estruturando para se candidatar aos troféus mais pesados da temporada, mas certamente tem o hexacampeonato do Galo atravessado na garganta. E o Santa Cruz, há nove anos sem vencer o Pernambucano, luta para não atingir o maior jejum de sua história.
Se o futebol é uma caixinha de surpresas, o futebol brasileiro, especificamente, é uma caixa de Pandora. Um bom exemplo disso foi o protesto da torcida do Atlético-MG na véspera da estreia no Mineiro, antes mesmo da temporada começar — o “protesto preventivo”, como classificou o jornalista Felipe Diniz, apresentador do Troca de Passes, do Sportv.
Os campeonatos estaduais fazem parte deste universo bastante caótico, ainda que não sejam os únicos (nem os maiores) responsáveis pela bagunça. Talvez sejam, isso sim, seu elo mais questionável, e por isso é preciso encontrar certo equilíbrio entre sua relevância histórica e as demandas de um cenário futebolístico brasileiro cada vez mais exigente.
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