Márcio Zanardi é apresentado no Figueirense; confira trechos da coletiva
Figueirense anuncia Márcio Zanardi como novo técnico
O Figueirense apresentou na tarde desta segunda-feira o novo técnico para a sequência da temporada. Márcio Zanardi chegou ao Estádio Orlando Scarpelli acompanhado dos auxiliares Caco Espinoza e Alan Ribeiro e concedeu entrevista coletiva na sala de imprensa. O ge selecionou os principais trechos da conversa com os jornalistas.
Márcio Zanardi na apresentação ao Figueirense
Patrick Floriani/FFC
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Motivação para assumir o Figueirense
A gente já tava vindo conversando. A gente sabia que ia ser difícil, até pela questão do regulamento. Então, a gente não precisava só da vitória, precisava de mais gols e depender dos demais. É uma situação complicada, difícil, né?
Mas o Figueirense é muito grande, né? Então, quando eu aceito esse desafio, nem sempre nós vamos ser contratados em momentos bons. Claro que eu queria vir disputar a fase final, estar lá em cima, mas isso é um tempo, é um momento; a hora certa vai acontecer.
Tô muito confiante, acredito muito no meu trabalho, no do Caco, do Alan. Então a gente vem aqui realmente para tirar todo mundo de uma zona de conforto e colocar o Figueirense no lugar que ele merece.
Ideia de jogo e declaração polêmica
Márcio Zanardi na apresentação ao Figueirense
Patrick Floriani/FFC
Cara, eu odeio não ficar com a bola. Eu acho que time bom tem que ter bola o tempo todo. Mas tudo depende de onde você tá, do elenco que você tem, das peças que você tem.
Nós temos aí provavelmente cinco, seis dias de trabalho para o próximo jogo. Eu sou treinador de futebol, eu costumo dizer que eu não sou mágico nesse tempo. Mas o futebol não te dá tempo para que você possa mostrar. O que nós temos que fazer agora é mudar a atitude, é ter tranquilidade, um time equilibrado. Não adianta eu ter um time que faça quatro, cinco e tome seis, sete.
A gente tem que organizar. Os meus auxiliares aqui: a gente tem o Alan, que trabalha a fase defensiva junto com a bola parada; o Caco trabalha a parte ofensiva. O futebol é um jogo de xadrez, com estratégia de jogo.
E falando já na declaração: quando a gente tá lá no campo, a gente discute, a gente briga com as comissões e aí você fala coisas ali. Então, assim, eu respeito muito o Figueirense e eu acho que o Figueirense tem que ser protagonista em todos os momentos, mas com inteligência.
Então, já trabalhei em time grande, já trabalhei em time pequeno. O Figueirense é gigante e por isso que eu aceitei isso daqui, mas o Figueirense tá machucado. A gente precisa arrumar de trás para frente para chegar no momento que a gente quer.
Pressão, responsabilidade e necessidade de vencer
Eu costumo dizer que pressão é um privilégio. Quem trabalha com futebol, se não tiver pressionado e se não tiver convicção, pode escolher outra profissão.
Eu falei com o Daniel (diretor de futebol): ‘Hoje é meu aniversário de casamento, 24 anos’. Saí de casa e falei para minha mulher: ‘Não sei quando eu volto’, porque eu tenho certeza que eu tô vindo para cá para fazer um trabalho e encarar esse desafio da melhor forma.
Agora, é difícil. O momento não é fácil, né? Nós, treinadores, somos exigidos o tempo todo. Então tem que ter calma. Nós temos que parar de tomar gol e, principalmente, tem que vencer.
Você precisa vencer para voltar a confiança e fazer as coisas acontecerem com tranquilidade. Eu não vou falar “naturalmente”, porque o futebol não tem “naturalmente”. O futebol tem trabalho, tem conteúdo; todo dia tem uma coisa para aprender.
Nós temos jogadores experientes. Eu assisti ontem o jogo todo. O Caco tava aqui presencialmente. Realmente, até os mais experientes estão pressionados. Então, a gente precisa dar confiança. Como que você dá confiança? Vencendo. Não tem outra alternativa.
Esquema tático, características do elenco e construção
Márcio Zanardi é apresentado no Figueirense com os auxiliares Caco e Alan
Patrick Floriani/FFC
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Eu não me apego muito na plataforma, tá? Às vezes a gente pode atacar com três, defender com quatro… enfim, depende da forma que você vai ver o jogo. Eu preciso ver as características da equipe. Não adianta eu querer jogar com três zagueiros e eu não tenho três zagueiros que tenham uma saída de bola importante.
Eu vi ali a gente tentando sair desde a construção do goleiro e todo mundo muito pressionado; a bola fica pesada. É ter um pouquinho de calma. A gente tem que analisar. A gente vai ter uma semana de trabalho para ajustar.
Eu acho que o grande treinador tem que se adequar ao elenco que ele tem. Claro que eu tenho as minhas preferências. Eu já ouvi muito: ‘Pô, você joga com três zagueiros, você é defensivo’. Depende da forma que você vai defender e da forma que você vai atacar.
O que não pode é a gente ficar sem chutar no gol, sem finalizar. Não adianta também ter uma construção muito boa, rodar, rodar, rodar e não finalizar. Então a gente precisa se defender muito bem, preencher a área atacando e finalizar bastante. Futebol não é dar o colete e torcer; é construir. Eu tenho que dar norte para os jogadores, para que eles possam criar e ter a sua última decisão.
Parte mental, entrega e relação com o torcedor
Márcio Zanardi e comissão técnica com o Diretor Executivo de Futebol do Figueirense, Daniel Kaminski
Patrick Floriani/FFC
Realmente vai ser um momento complicado. A parte mental, hoje, é importantíssima no alto rendimento, né? O cara que não tiver forte mentalmente e não souber lidar com essas adversidades, realmente não tem que estar no alto rendimento.
Eu, lá atrás, levei um preparador mental para o São Bernardo, que é o Ricardo Borim, trabalha comigo há quase cinco anos. Não sei se eu consigo tê-lo aqui todas as vezes, mas é um cara que eu pago, é um cara que faz parte da minha comissão.
Quando eu levei ele para o São Bernardo, a primeira vez, me chamavam de maluco. Tudo que tira da zona de conforto, né… para o boleiro, para as pessoas, ‘pô, esse cara é maluco’. Hoje a gente vê os grandes atletas: você vê LeBron James, você vê Sampras, você vê Roger Federer, você vê o Nadal… você vê esses caras aí todos muito preocupados e tendo problemas com saúde mental.
Seis jogos para definir se cai para a segunda divisão. Olha a pressão que é um time desse tamanho. Mas ninguém fala o que fizeram para chegar nessa situação, né? E aí a gente dá a cara a tapa. A gente é pago para isso. A gente se prepara para isso.
E também não é só encostar na terapia, na parte mental: isso aqui é um equilíbrio. O treinador e a comissão trazem conteúdo, sabem o que tem que fazer dentro de campo; os jogadores compram a ideia; entendem que têm que trabalhar demais, falar menos, se entregar.
Hoje é um momento ruim e eu estou aqui para ajudar, para fazer com que esses caras voltem, porque ninguém desaprende a jogar, né? Eu erro demais, eu erro o tempo todo. Vocês vão ver eu errar, vão chamar de burro o tempo todo, mas eu vou errar tentando. Vocês não vão ver um cara omisso, vocês não vão ver um trabalho omisso.
E é isso que eu quero fazer. E é isso que eu falo para os meus jogadores: se erraram, levanta a cabeça. Trabalha, humildade e fazer as coisas acontecerem com calma.
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