RÁDIO BPA

TV BPA

Náutico aguarda liberação do Governo de Pernambuco para receber dinheiro da Arena

Náutico aguarda liberação do Governo de Pernambuco para receber dinheiro da Arena

Tal pai, tal filho: a agitação de Hélio e Guilherme dos Anjos na vitória do Náutico
O Náutico aguarda a liberação do Governo de Pernambuco para receber mais de R$ 30 milhões referentes a indenizações e multas impostas à Arena de Pernambuco após rescisão contratual em 2016. Apesar de o clube já ter decisões arbitrais definitivas e valores bloqueados judicialmente, o repasse segue travado pela falta de liberação do Estado.
+ ✅Clique aqui para seguir o novo canal ge Náutico no WhatsApp
+ Veja mais notícias do Náutico no ge
O impasse envolve dois processos distintos relacionados à Arena de Pernambuco, administrada originalmente por um consórcio ligado à Odebrecht.
O primeiro diz respeito ao contrato firmado entre Náutico e Arena, com a incidência da multa contratual.
O segundo está ligado à indenização pela necessidade de reforma dos Aflitos, em decorrência daquela rescisão contratual entre o próprio Governo do Estado e a Arena de Pernambuco.
Entrevista do técnico Guilherme dos Anjos, do Náutico, após vitória sobre o Decisão
Entenda o caso
Náutico e Arena assinaram contrato em 2011 para que o Timbu utilizasse o estádio por 30 anos, com início em julho de 2013. Havia previsão de multa milionária em caso de rescisão sem justificativa, além de indenização por danos emergentes.
Após o rompimento, em 2016, o clube acionou a Arena e iniciou um procedimento de arbitragem (mecanismo privado de resolução de disputas previsto em contrato), que levou cerca de quatro anos apenas para definir a competência/onde o caso seria julgado. Ao fim, ficou determinado que o caso deveria tramitar no foro do Recife..
Com a instauração da arbitragem, duas sentenças arbitrais condenaram a Arena ao pagamento da multa contratual e prejuízos financeiros decorrentes da reforma dos Aflitos – necessária para que o Náutico pudesse voltar a atuar em seu estádio. As decisões são definitivas, não cabem mais recursos e estão sendo executadas na via judicial.
Com juros, correção monetária, honorários e multas, o valor da execução principal hoje gira entre R$ 24 e R$ 25 milhões.
Paralelamente, outro processo de perdas e danos soma cerca de R$ 8 a R$ 9 milhões, elevando o total para aproximadamente R$ 32 milhões.
O valor é incontroverso e o debate atual se restringe à penhora e liberação do dinheiro.
Sem pagamento voluntário da Arena, o Náutico buscou o Judiciário e conseguiu bloquear valores depositados em conta judicial vinculada à Caixa Econômica Federal, abastecida com recursos pagos pelo próprio Governo do Estado à Odebrecht após a rescisão da Parceria Público-Privada (PPP). Parte desse montante, cerca de R$ 24 milhões, já está bloqueada para o clube.
Arena de Pernambuco
Marlon Costa/AGIF
Autorização final
O entrave está na autorização final para que o dinheiro chegue efetivamente aos cofres alvirrubros. Internamente, o Governo de Pernambuco argumenta que não pode liberar os valores enquanto o Tribunal de Contas do Estado (TCE) apura possível sobrepreço no contrato da Arena, o que poderia gerar a devolução de recursos ao Estado.
Por outro lado, de acordo com apuração do ge, ofício do TCE apontou que o clube tem direito ao recebimento dos valores porque decorrem de sentenças arbitrais transitadas em julgado, já em fase de execução judicial – e não de pagamento administrativo.
Além disso, o próprio Estado assumiu no Instrumento Particular de Rescisão Contratual com a Arena a responsabilidade de indenizar os encargos decorrentes da rescisão antecipada do contrato de concessão, que é exatamente a situação dos processos de execução do Náutico.
Atualmente, a liberação integral dos valores depende de um parecer favorável da Procuradoria Geral do Estado, que autorize o repasse ao Náutico. O Estado, porém, segue se opondo, nos processos de execução, à liberação em favor do clube.
Se houver autorização do Governo, o clube poderá receber os cerca de R$ 24 milhões já bloqueados, além de outros R$ 8 milhões em fase final de execução.
A reportagem do ge entrou em contato com o Governo do Estado, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O texto será atualizado caso haja um posicionamento oficial.
Valor para a Recuperação Judicial
Deste valor da Arena de Pernambuco, cerca de R$ 22 milhões serão destinados à Recuperação Judicial do Náutico, que teve o plano aprovado em dezembro de 2025.
Após a liberação dos valores nas execuções do Náutico, o plano prevê o pagamento do restante da dívida com recursos do fluxo de caixa do clube a partir de 2028. O Timbu se compromete a pagar R$ 1,5 milhão por ano caso esteja na Série B e R$ 3 milhões se disputar a Série A.
A projeção do prazo de quitação da dívida, caso o Náutico permaneça na Série B, é de 12 anos. Em caso de acesso à Série A, a estimativa é de um período menor para a conclusão dos pagamentos.
🎙️ Ouça o podcast Embolada 🎧
Assista: tudo sobre o Náutico no ge, na Globo e no sportv geRead More