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Otan deve se tornar mais europeia após Trump ‘abalar relação’ com UE, diz chefe da diplomacia do bloco europeu

Otan deve se tornar mais europeia após Trump ‘abalar relação’ com UE, diz chefe da diplomacia do bloco europeu

 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião com o secretário-geral da Otan, em 21 de janeiro de 2026
REUTERS/Jonathan Ernst
A Europa deve assumir um papel mais importante dentro da Otan e reforçar a sua defesa, já que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “abalou os alicerces da relação transatlântica”, afirmou nesta quarta-feira (28) a alta representante da União Europeia (UE) para Relações Exteriores, Kaja Kallas.
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“Deixem-me ser clara: queremos laços transatlânticos fortes. Estados Unidos continuarão sendo parceiros e aliados da Europa. Mas a Europa precisa adaptar-se às novas realidades. A Europa não é mais o principal centro de gravidade de Washington”, disse Kallas durante uma conferência de defesa em Bruxelas.
“Esta mudança já vem acontecendo há algum tempo. É estrutural, não temporária. Isto significa que a Europa precisa dar um passo adiante, nenhuma grande potência na história terceirizou a sua sobrevivência e sobreviveu”, acrescentou Kallas.
A principal diplomata da UE insistiu que os EUA continuam sendo um aliado crucial, mas destacou que, devido às mudanças de abordagem na política estratégica do governo Trump, a Otan “precisa tornar-se mais europeia para manter a sua força”.
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Em documentos oficiais divulgados recentemente pelos Departamentos de Estado e de Guerra norte-americanos, os EUA afirmam que a Europa precisa focar na própria defesa e tem os recursos necessários para se contrapôr à Rússia e que focarão agora na China.
Além das mudanças de política, no início do mês, Trump abalou os aliados europeus ao ameaçar tomar a Groenlândia da Dinamarca, país membro da UE e da Otan, mas depois recuou em seu discurso. A investida desencadeou uma crise na aliança militar.
A crise foi a mais recente a estremecer os laços entre as partes desde que Trump retornou ao poder há um ano e intensificou os apelos para que o continente reduza sua dependência da principal potência militar da Otan para sua proteção.
Kallas deixou claro que a Otan continua sendo a pedra angular da segurança europeia. Ela disse que os esforços da UE devem “permanecer complementares” aos da aliança, mas insistiu que a Europa precisa desempenhar um papel mais importante.
“Especialmente agora, quando os Estados Unidos voltam o seu olhar para além da Europa, a Otan precisa tornar-se mais europeia para manter a sua força (…) Para isso, a Europa deve agir”, afirmou Kallas.
Os países europeus aumentaram seus orçamentos de defesa desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022 e, no ano passado, pressionados por Trump, concordaram em elevar de forma considerável a meta de gasto da Otan.
A UE também lançou no ano passado uma série de iniciativas que, afirma, poderiam levar os seus membros a destinar 800 bilhões de euros adicionais à defesa.
Washington, no entanto, afirma desejar que os aliados europeus assumam mais responsabilidades na defesa convencional do continente, já que a atenção dos Estados Unidos se desloca para outras ameaças, como a China.g1 > Mundo Read More