Por que o Chelsea demitiu Enzo Maresca seis meses após a conquista do Mundial de Clubes?
A demissão de Enzo Maresca do comando do Chelsea, sacramentada nas primeiras horas de 2026, prova que o Chelsea é o clube europeu com decisões mais questionáveis sobre seus treinadores.
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Enzo Maresca em coletiva após o título da Copa do Mundo de Clubes
Justin Setterfield / Getty Images
Afinal, estamos falando de um treinador que chegou em um clube em grave crise, e sem tanto dinheiro inicialmente, montou um time sólido e honesto que conquistou a Liga Conferência e surpreendeu ao amassar o PSG, o melhor time do mundo, na final da primeira Copa do Mundo de Clubes da História.
O que pode ter dado tão errado em seis meses? O ge te conta:
Queda brusca em dezembro
O Chelsea encerrou novembro na terceira colocação da Premier League, a seis pontos da liderança e com a sensação que poderia brigar pelo topo, especialmente após o empate com o Arsenal, mesmo atuando com um jogador a menos.
Aquele time de esperança morreu em dezembro. Nos oito jogos disputados no mês, o Chelsea venceu apenas dois e caiu para a quinta posição, com 15 pontos de distância em relação ao líder. Também aumentou o número de pontos desperdiçados em partidas nas quais o time esteve em vantagem, sobretudo em jogos em Stamford Bridge.
O desempenho ocorreu em um contexto de maior exigência física. Na temporada anterior, o Chelsea conseguiu poupar titulares em compromissos da UEFA Conference League. Em 2025, a disputa da Champions League elevou a carga sobre os principais jogadores. Algumas derrotas foram mais doloridas, como a eliminação na FA Cup para o Brighton. Foi quando Maresca soltou uma gafe, dizendo que o revés poderia, no futuro, ser positivo.
Chelsea x Bournemouth – Premier League
Action Images via Reuters/Andrew Boyers
Torcidas de futebol são bem parecidas, e poucas coisas enfurecem mais elas do que normalizar uma derrota. A fala ao “estilo Abel Braga” repercurtiu negativamente e foi vista como uma leitura excessivamente tolerante de uma eliminação em uma competição tradicionalmente relevante para o clube.
Gafes e tensão com a direção
As gafes de Maresca tiveram papel importante para um certo distanciamento entre treinador e torcida. Apesar da corrida pela lateral do campo para comemorar o gol da vitória marcado por Estêvão, nos minutos finais, contra o Liverpool, em Stamford Bridge, ser lembrada como um gesto positivo, o jeito durão e sincero demais do italiano não pegou bem com a formalidade inglesa exigida dos treinadores do clube.
Foram dois episódios: em 13 de dezembro, Maresca afirmou que havia vivido os “piores 48 horas” de sua passagem pelo clube, em resposta a uma pergunta considerada rotineira sobre Malo Gusto. A declaração não teve explicação adicional e deixou todo mundo na dúvida. Dias depois, o treinador informou à diretoria que havia mantido conversas com pessoas ligadas ao Manchester City sobre uma eventual sucessão de Pep Guardiola ao fim da temporada.
O fato de essas tratativas terem ocorrido enquanto Maresca possuía contrato de longo prazo foi recebido com preocupação pela cúpula do Chelsea e passou a ser interpretado como sinal de desalinhamento com o projeto.
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Reuters
Divergência sobre departamento médico culminou na saída
A relação de Maresca com os diretores nunca foi exatamente boa. Treinador ascendente e começando a carreira após ser auxiliar de Pep Guardiola, o italiano demonstrou insatisfação com os limites impostos pelos protocolos do departamento médico, especialmente na gestão de carga e no retorno de jogadores com histórico de lesões.
Ele queria mais autonomia para poder decidir quando e como um jogador voltaria a campo, e a direção manteve a posição de que as decisões médicas não poderiam ser relativizadas pela comissão técnica. Maresca perdeu confiança, e frequentemente realizava substituições para poupar jogadores que consideravam cansados ou voltando de lesão, como Cole Palmer.
O gênio do treinador também ajudou a encerrar seu emprego. Em uma das coletivas, Maresca disse que estava cansado e deixou as perguntas para seu assistente, Willy Caballero (lembra dele?). Já depois de vencer o Nottingham Forest, em maio, fez um comentário exaltado em defesa dos jogadores.
Tanto direção como elenco avaliam Maresca como bom treinador, mas irregular nas emoções. Um jeito “de lua” que não combinava para um clube ainda em reconstrução. A decisão de trocar de comando já havia sido decidida para o fim da temporada, mas o dezembro muito ruim colocou o futuro do time em risco, e o clube decidiu pela demissão imediata.
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