Pressão, protagonismo e exposição: o modelo de jogo que começa a tomar forma no Náutico
Tal pai, tal filho: a agitação de Hélio e Guilherme dos Anjos na vitória do Náutico
Com apenas duas partidas disputadas na temporada, qualquer diagnóstico definitivo seria precipitado. Ainda assim, o Náutico deixa sinais animadores nesse início de caminhada. Mesmo em um recorte tão curto, já é possível identificar princípios bem definidos e uma ideia de jogo que foge do improviso comum em começos de trabalho.
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É natural que ajustes sejam constantes, sobretudo em um processo ainda em construção. Porém, chama atenção a rapidez com que conceitos táticos mais complexos começam a se materializar dentro de campo. O time demonstra entendimento coletivo de comportamentos que, normalmente, exigem semanas — ou meses — de assimilação.
A proposta de Hélio e Guilherme dos Anjos é clara: um futebol agressivo, propositivo e sustentado pela ocupação constante do campo adversário.
Para que esse modelo funcione, há um princípio inegociável : a pressão imediata após a perda da posse. O chamado perde-pressiona não é um detalhe do sistema, mas o alicerce que sustenta toda a engrenagem.
Entrevista do técnico Guilherme dos Anjos, do Náutico, após vitória sobre o Decisão
Atuando com apenas um volante de maior marcação, laterais projetados simultaneamente e pontas que flutuam por dentro, próximos ao centroavante e ao meia de criação, a recuperação rápida da bola ainda no campo de ataque passa a ser obrigatória. E o Náutico, até aqui, apresenta bons indícios de organização e sincronização nesse momento do jogo.
Esse comportamento resulta em uma equipe que passa longos períodos instalada no campo ofensivo. A bola é retomada a poucos metros da área rival, o que encurta caminhos, acelera decisões e potencializa o volume de jogo.
A partir daí, o time explora diferentes mecanismos ofensivos: cruzamentos de média distância ou da linha de fundo, finalizações de fora da área, combinações curtas pelo corredor central, bolas paradas ou a indução ao erro adversário.
Ainda não se viu uma atuação exuberante, daquelas que saltam aos olhos pelo brilho técnico. No entanto, o estágio de maturação das movimentações coletivas é avançado para tão pouco tempo de trabalho, o que indica uma tentativa consistente de estabelecer um padrão reconhecível.
Hélio e Guilherme dos Anjos na vitória do Náutico sobre o Decisão
Marlon Costa/AGIF
O futebol, contudo, carrega suas contradições.
A principal virtude que o Náutico começa a construir tende a se transformar, inevitavelmente, em seu maior ponto de atenção ao longo da temporada. A ocupação agressiva do campo adversário e a linha defensiva alta criam espaços consideráveis nas costas da defesa, deixando a equipe vulnerável às transições rápidas.
Quando a pressão inicial não é eficiente e o adversário consegue romper o primeiro bloco de marcação, o cenário se torna perigoso. O campo se alonga, os zagueiros ficam expostos e qualquer desequilíbrio pode ser fatal.
Daí a importância de atletas rápidos, bem posicionados e com boa leitura de jogo no setor defensivo e na proteção à frente da zaga. Não se trata de um defeito exclusivo do Náutico, mas de uma consequência inerente a esse modelo de jogo.
Times que se propõem a dominar território e iniciativa precisam conviver com esse risco e trabalhar para reduzi-lo. É o mesmo dilema enfrentado por equipes de contextos distintos, como o Al Nassr de Jorge Jesus, o Manchester City de Guardiola ou o próprio Timbu no cenário local.
Esse é o preço a se pagar por tentar controlar o jogo. Algumas equipes conseguem fazer com que o risco valha a recompensa; outras sucumbem no processo. O Náutico, ao menos neste início, demonstra consciência do caminho que escolheu — e isso, por si só, já é um sinal relevante.
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