Reunião de emergência: Europa discute nesta 5ª resposta a ameaças de Trump à Groenlândia
Trump diz que EUA foram ‘estúpidos’ por ‘devolverem’ Groenlândia após 2ª Guerra
Lideranças europeias farão uma reunião de emergência nesta quinta-feira (22), na Bélgica, para discutir as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Groenlândia. O encontro foi mantido mesmo após o norte-americano ter garantido que não usará a força para tomar a ilha e recuado na aplicação de tarifas a países europeus.
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▶️ Contexto: Segundo o presidente do Conselho Europeu, António Costa, os líderes do bloco vão tratar de questões de soberania, do apoio à Dinamarca e à Groenlândia e das preocupações com o acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia.
O encontro foi convocado na terça-feira (20), no mesmo dia em que Trump vazou uma mensagem privada enviada pelo presidente francês, Emmanuel Macron.
No texto, Macron disse não entender a postura do norte-americano em relação à Groenlândia.
Ainda na terça-feira, Macron usou um discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, para afirmar que este “não é momento para imperialismos e colonialismos”. Ele também defendeu que a União Europeia não se curve à “lei do mais forte” e criticou o “bullying” de um país contra o outro.
🗣️ Trump discursou no Fórum Econômico Mundial na quarta-feira (21). Na fala, voltou a fazer ameaças à Europa e à Otan. Embora tenha dito que não usaria a força para tomar a Groenlândia, o presidente afirmou que poderia retaliar a aliança militar.
No mesmo discurso, Trump chamou a Dinamarca de “ingrata”, disse que a Europa “não está indo na direção correta” e se referiu à Groenlândia várias vezes como “um pedaço de gelo”.
Ele também afirmou que a ilha deveria ter passado ao controle dos EUA ao fim da Segunda Guerra Mundial, quando tropas americanas ocuparam o território.
Mais tarde, Trump se reuniu com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Antes mesmo do encontro terminar, o presidente publicou em uma rede social que Estados Unidos e Otan haviam avançado em um acordo sobre a Groenlândia.
Trump não deu detalhes sobre as negociações. Disse apenas que o acordo seria “para sempre” e atenderia aos interesses dos Estados Unidos e da Europa.
🚨 O jornal The New York Times revelou que, no encontro com Rutte, foi discutida a possibilidade de entrega de pequenas porções da Groenlândia aos Estados Unidos. Caso isso se concretize, os norte-americanos teriam controle de áreas da ilha para instalar bases militares.
Trump tem afirmado que a Groenlândia é essencial para a segurança dos Estados Unidos, inclusive para a construção do chamado “Domo de Ouro”.
A estrutura militar está sendo planejada para interceptar mísseis lançados contra o território norte-americano.
Diante do avanço nas negociações, Trump também anunciou que desistiu de impor tarifas de 10% contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia. As tarifas seriam aplicadas em retaliação à oposição desses países aos interesses dos EUA.
Tensão econômica
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em 21 de janeiro de 2026
REUTERS/Denis Balibouse
A questão da Groenlândia expôs um racha entre Estados Unidos e Europa, que são aliados de longa data. Trump tem usado ameaças econômicas para pressionar o bloco. Desta vez, a União Europeia passou a estudar formas de retaliação.
Na quarta-feira, o Parlamento Europeu suspendeu a análise de um acordo comercial entre União Europeia e EUA. O tratado previa, entre outros pontos, a suspensão de tarifas sobre todos os produtos industriais americanos exportados para o bloco.
Antes disso, no domingo (18), a União Europeia realizou uma reunião de emergência. No encontro, a França sugeriu o acionamento de um instrumento anticoerção conhecido como “bazuca comercial”.
👉 A bazuca comercial permite a imposição de tarifas mais altas sobre produtos dos EUA, além de restrições a investimentos, serviços e comércio com empresas norte-americanas.
O bloco também avalia aplicar um pacote de tarifas de 93 bilhões de euros (R$ 578 bilhões) sobre importações americanas. A medida poderia entrar em vigor já em fevereiro.
O enviado comercial dos Estados Unidos ao Fórum Econômico Mundial afirmou na terça-feira que uma eventual decisão da União Europeia de acionar a bazuca comercial “não seria prudente” e teria “consequências naturais”.
Além da questão econômica, autoridades europeias querem ampliar o debate para a redução da dependência do bloco em relação aos Estados Unidos em outras áreas, principalmente na segurança.
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