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Rússia diz que ataque dos EUA ao Irã pode ‘levar a consequências muito perigosas’

Rússia diz que ataque dos EUA ao Irã pode ‘levar a consequências muito perigosas’

 Trump pressiona Irã por acordo e Teerã devolve ameaça
A Rússia disse que um ataque dos Estados Unidos ao Irã pode “levar a consequências muito perigosas” em pronunciamento nesta quinta-feira (29).
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Trump pressiona Irã por acordo com ‘enorme armada a caminho’: ‘Tempo está se esgotando’
Irã diz que qualquer ação militar dos EUA será considerada ‘início de uma guerra’
Questionado por jornalistas sobre as declarações inflamadas desta quarta-feira (28), tanto do presidente dos EUA, Donald Trump, quanto de vários membros do governo iraniano, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pediu “moderação” de ambos os lados para que não haja “uso da força”.
“Continuamos a apelar a todas as partes para que exerçam contenção e renunciem a qualquer uso da força para resolver as questões. Claramente, o potencial para negociações está longe de estar esgotado. Qualquer ação coercitiva só pode gerar caos na região e levar a consequências muito perigosas em termos de desestabilização do sistema de segurança em toda a região”, afirmou.
Depois de pressionar Teerã por causa das mortes causadas pela repressão aos protestos que ocorrem no país no começo do mês, agora Trump cobra a assinatura de um novo acordo nuclear. Peskov diz que o presidente russo, Vladimir Putin, fez uma oferta ao governo americano para estender os limites do tratado que está expirando, mas não recebeu uma resposta ainda.
No dia 16, Putin se ofereceu para tentar mediar a crise entre os dois países. A Rússia é aliada histórica do regime dos aiatolás e, há um ano, assinou um acordo com o governo iraniano que prevê cooperação nas áreas de energia, meio ambiente e questões de defesa e segurança.
Segundo a agência de notícias semioficial Tasnim, nesta quinta, o Exército iraniano recebeu um lote de 1.000 drones.
“De acordo com as ameaças futuras, o Exército mantém e aprimora suas vantagens estratégicas para um combate rápido e uma resposta esmagadora contra qualquer agressor”, disse o comandante-em-chefe do exército, Amir Hatami.
EUA X Irã
Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump
WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters
A nova troca de ameaças entre EUA e Irã ocorre após Trump ordenar o envio de uma frota militar para o Oriente Médio.
Nesta quarta, ele usou uma rede social para se gabar da “enorme armada” que está a caminho do Irã e relembrou a grande operação realizada pelos EUA em parceria com Israel no país em junho do ano passado, quando três instalações nucleares do país foram bombardeadas.
Trump disse que um novo ataque ao país será “muito pior” e que o “tempo está se esgotando”:
“Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações o mais breve possível e chegue a um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares – um acordo que seja bom para todas as partes. O tempo está se esgotando, é realmente essencial! Como eu disse ao Irã uma vez, façam um acordo! Eles não fizeram e houve a “Operação Martelo da Meia-Noite”, uma grande destruição do Irã. O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente”.
O Irã, então, devolveu as ameaças feitas pelo presidente americano. Em um post na rede social X, um alto funcionário do governo iraniano, o conselheiro sênior do khamenei Ali Shamkhani, disse que qualquer ataque dos EUA será considerado o início de uma guerra. No momento, uma frota militar americana está a caminho do Oriente Médio.
“Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA , de qualquer origem e em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra , e sua resposta será imediata, abrangente e sem precedentes, visando o agressor, o coração de Tel Aviv e todos os apoiadores do agressor”, declarou.
Antes dele, outros representantes de Teerã já haviam se pronunciado. O perfil oficial da missão do Irã junto à ONU disse que o país está pronto para o diálogo, mas não deixará de se defender:
“O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns, mas se pressionado, se defenderá e responderá como nunca antes”.
Entenda sinais de ação militar iminente dos EUA no Irã
Antes do post de Trump, o chanceler do Irã já havia dito que Teerã não negociará com os Estados Unidos sob ameaças.
Aragchi também desmentiu o presidente dos EUA, Donald Trump, que havia dito na terça-feira que o Irã quer negociar e que o governo iraniano já teria “ligado várias vezes”. Em declarações transmitidas pela TV estatal, o chanceler afirmou que não houve “nenhum contato” nos últimos dias com o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e que “o Irã não buscou negociações”.
“Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil. Se eles querem que as negociações avancem, certamente precisam deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a colocação de questões ilógicas”, disse Abbas Araghchi após os Estados Unidos deslocarem um porta-aviões para a região.
No dia 23, uma autoridade da alta cúpula do governo iraniano disse estar se preparando para o “pior cenário”, inclusive uma “guerra total”, diante do envio do porta-aviões dos Estados Unidos ao Oriente Médio.
No começo do mês, Trump já havia feito ameaças ao Irã devido ao grande número de mortes causadas pela repressão do governo aos protestos que estão acontecendo no país. Ele chegou a dizer que a ajuda estava “a caminho”, mas as tensões enfraqueceram após as autoridades iranianas desistirem das execuções de manifestantes presos que estariam sendo planejadas.
Na semana passada, Trump disse que navios de guerra americanos estavam sendo enviados “por precaução” e que acompanhava de perto a situação no país. “Vamos ver o que acontece”, afirmou à época.
Segundo ativistas, a repressão sangrenta do Irã contra protestos em todo o país matou pelo menos 6.159 pessoas até o momento.
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