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Santa Cruz: sinais claros, problemas antigos

Santa Cruz: sinais claros, problemas antigos

Santa Cruz empata com o Maguary em tarde de Rokenedy inspirado
Em apenas duas rodadas, o Santa Cruz já deixa evidente que há um padrão em construção, mas também revela fragilidades estruturais que não podem ser ignoradas. Os pontos positivos existem, porém os problemas — sobretudo defensivos — seguem praticamente os mesmos da Série D de 2025.
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A equipe até se organiza com dois ou três volantes de perfil marcador, mas isso não se traduz em proteção efetiva ao setor central. O Santa é facilmente atacado pelo meio, seja em transições rápidas ou em ataques posicionais. O dado mais preocupante é que isso acontece mesmo contra adversários tecnicamente limitados, que não exigiriam tantos ajustes emergenciais.
Jogadores do Santa Cruz durante amistoso contra o Defensa y Justicia
Marlon Costa/Agif
A pressão alta, ideia central do modelo, funciona mais na intenção do que na prática. O time se adianta, mas não encurta os espaços com coordenação. O resultado é previsível: linhas desconectadas, volantes atrasados na cobertura e liberdade para o adversário progredir. Quando recua para um bloco baixo, o problema apenas muda de lugar. Os laterais ficam expostos em situações de um contra um e raramente recebem ajuda adequada dos pontas ou volantes.
Esse cenário explica a importância de Rokenedy no empate diante do Maguary. O goleiro foi decisivo não por acaso, mas porque o sistema defensivo voltou a permitir finalizações em excesso. Quando o goleiro é o melhor em campo, dificilmente isso pode ser interpretado como um sinal positivo coletivo.
Patrick Allan em ação pelo Santa Cruz
Rafael Vieira/AGIF
Do ponto de vista ofensivo, Patrick Allan é, hoje, o jogador que dá sentido ao jogo do Santa. É quem organiza, muda o corredor, acelera ou pausa conforme a necessidade. O problema é que o time ainda não joga em função dele. Contra o Maguary, seu bom primeiro tempo contrastou com uma etapa final apagada, muito mais por falta de aproximação e linhas de passe do que por queda individual de rendimento.
Marcelo Cabo, por outro lado, mostra evolução na leitura de jogo. Diferentemente de 2025, tem reagido mais rápido às quedas de desempenho e testado variações estruturais. A mudança para o 4-4-2 em losango, com Patrick Allan flutuando entre o meia central e o segundo atacante, trouxe mais equilíbrio posicional, ainda que a execução não tenha sido ideal. Galhardo nem entrou tão bem, mas a ideia, em si, fez sentido e deu mais equilíbrio ao jogo, que era dominado pelo Maguary naquele momento.
Na saída de bola, o Santa apresenta talvez seu maior gargalo tático. Falta sincronia, coragem e velocidade para sair da pressão. Zagueiros, laterais e volantes parecem agir de forma individual, sem mecanismos claros. Até Eurico, referência técnica nesse fundamento, tem errado acima do normal. A pouca participação de Rockenedy nesse momento agrava o problema, já que o time acaba sempre jogando com um homem a menos na base da jogada.
Rokenedy em jogo do Santa Cruz contra o Maguary
Rafael Vieira/AGIF
Ter um goleiro de bom passe no futebol atual, encurta a solução desse problema, mas é possível corrigir defeitos estruturais, mesmo sem a contribuição do camisa 1.
No ataque, Quirino surge como uma peça interessante, mas subutilizada. Sua mobilidade fora da área é um recurso valioso, especialmente contra defesas baixas. No entanto, o time ainda não reage de forma automática a essa movimentação. Falta leitura coletiva para atacar o espaço gerado, algo essencial quando se tem um centroavante que não atua de forma estática.
Renato já explorou esse espaço em alguns lances e clareou jogadas, é preciso ampliar esse aproveitamento.
A discussão sobre Patrick Allan e William Júnior juntos passa, necessariamente, pelo equilíbrio do time. Tecnicamente, a dupla é atraente. Taticamente, exige compensações.
Ambos oferecem pouco sem a bola, o que obriga o restante da equipe a elevar o nível de intensidade, principalmente pelos lados do campo. Em contrapartida, a presença de pontas mais velozes e disciplinados defensivamente poderia potencializar os lançamentos longos de Patrick Allan, criando um ataque mais vertical e menos previsível.
O Santa precisa decidir rápido que time quer ser. Se pretende ser intenso, precisa ajustar marcação, compactação e transições. Se quiser ser mais técnico, terá que proteger melhor seus meias. Hoje, tenta ser as duas coisas ao mesmo tempo — e acaba não sendo nenhuma delas por completo.
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