São Paulo luta só para não cair no Brasileirão? Comentaristas opinam
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Qual é o objetivo do São Paulo no Campeonato Brasileiro de 2026?
Enquanto o técnico Hernán Crespo disse em entrevista coletiva o meta é chegar aos 45 pontos, indicando uma disputa apenas contra o rebaixamento, o presidente do clube foi mais ousado em dizer que o time briga por uma vaga na Libertadores.
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Mas o desempenho deste início de ano coloca em dúvida qual a capacidade do atual elenco às vésperas do início de mais um Brasileirão. Em cinco jogos em 2026, o São Paulo tem uma vitória, um empate e três derrotas, ocupando 14ª e antepenúltima colocação do Campeonato Paulista.
– Eu acho que em breve as coisas começarão a melhorar, chegarão reforços e os meninos depois da Copinha. Temos futuro. Mas o futuro, como eu falei, o Brasileirão, 45 pontos. Com dois ou três reforços e os moleques de Cotia, dá para acreditar. Vai ser uma temporada difícil, mas dará certo – disse Crespo, depois da derrota no clássico para o Palmeiras no sábado.
– Nós não vamos pensar em 45. Nós temos que subir mais, nossa… Nós temos que tentar uma classificação para a Libertadores. Tem o oitavo lugar, tem esse lugar assegurado. Então nós temos que pensar nisso. Ele (Crespo) foi muito modesto – disse o presidente Harry Massis, após a final da Copinha no domingo.
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Na temporada passada, o São Paulo terminou o Brasileirão na oitava colocação, sem qualquer risco de rebaixamento ao longo da competição e tendo chances, mesmo que remotas, de beliscar uma vaga na Libertadores.
Na avaliação do comentarista da Globo e ex-goleiro Fernando Prass, o departamento de futebol do São Paulo ficou órfão de profissionais. Apesar disso, o clube não deve restringir sua briga no Brasileirão apenas contra o rebaixamento.
– É difícil a gente fazer futurologia. Não vejo boas perspectivas, acho que não briga pelo rebaixamento, mas a perspectiva que se tem hoje é de um campeonato muito difícil para o São Paulo– disse Prass.
Crespo conversa com os jogadores do São Paulo
Marcos Ribolli
O comentarista PC Vasconcellos abriu outra discussão sobre os objetivos reais do São Paulo na temporada. Para ele, mesmo que o clube não corra risco de rebaixamento, a posição intermediária na tabela ainda seria muito pouco.
– A ameaça de integrar o último pelotão da tabela de classificação existe, mas é possível evitar o rebaixamento. Só que as duas questões são reveladoras de uma outra situação. O São Paulo Futebol Clube vai entrar num Campeonato Brasileiro onde existem duas preocupações, evitar o rebaixamento e quem sabe ficar ali em 13º, 14º lugar. Convenhamos que isso para o São Paulo Futebol Clube é muito pouco – analisou PC Vasconcellos.
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Na avaliação do comentarista André Loffredo, terminar o Brasileirão em uma posição confortável e sem risco de rebaixamento já seria algo positivo para o São Paulo diante da crise política e financeira que o clube vive.
– Com a atual situação política e financeira, o elenco que tem e a pouca possibilidade de se reforçar não vejo muita possibilidade de o São Paulo disputar algo na temporada. Conseguir se posicionar com tranquilidade no Brasileiro já seria muito bom – disse Loffredo.
Alexandre Lozetti acredita que inicialmente o grande objetivo do São Paulo realmente seja o de permanecer na Série A, mas atenta para outra prioridade que o clube precisa ter fora de campo.
– É impossível decretar, em janeiro, qual será a ambição do São Paulo em novembro. Hoje, na véspera da primeira rodada do Campeonato Brasileiro, a meta esportiva é permanecer na Série A. Só que esse não pode ser o objetivo principal. O clube está desde sempre na Série A e, nos últimos 15 anos, só faz piorar, acumula rebaixamentos institucionais. Outras equipes caíram neste período e, hoje, estão mais fortes. A prioridade deve ser uma reestruturação séria, profunda, e não apenas se segurar na primeira divisão, sabe-se lá como – disse Lozettti.
E o trabalho do Crespo, é bom?
Os comentaristas também analisaram o atual momento do trabalho de Hernán Crespo. Na soma dos jogos desde que o treinador argentino assumiu o clube para a sua segunda passagem, em junho do ano passado, o Tricolor entrou em campo em 37 partidas, com 14 vitórias, seis empates e 17 derrotas. O aproveitamento é de 43% dos pontos disputados.
– É óbvio que não dá para avaliar como um trabalho bom. A gente não pode retirar o time do São Paulo, o trabalho do Crespo, dos jogadores, e analisar sem contextualizar. No cenário que está é difícil pensar em alguém fazendo um trabalho muito melhor, juntando as peças que ele tem, a situação econômica do clube, a situação diretiva.
– Óbvio que, em um outro ponto, podia estar melhor, podia ter uma melhor pontuação, mas tem um aspecto também que eu vejo: ele já está desgastado, porque vem do ano passado com problemas. De repente, alguém novo, não por ter mais capacidade ou por ser o melhor técnico, conseguiria extrair alguma coisa a mais – opinou Prass.
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Mauricio De Souza/AGIF
PC Vasconcellos não trocaria o comando técnico do São Paulo neste momento, mas alerta para uma autoavaliação sobre o comportamento de Crespo a medida que o trabalho vai se desgastando com a falta de bons resultados.
– Eu não considero o trabalho do Crespo ruim, mas entendo que é preciso mobilizar mais o elenco. O Crespo tem condições de fazer isso, mas as imagens que eu vejo à beira do campo é de alguém que está perdendo força. Ele precisa recuperar essa energia e transmitir para os jogadores.
– Trocar de técnico a essa altura do campeonato não me parece o mais saudável, mas fazer uma avaliação de como está o comportamento dele. E aí eu não estou falando de ser espalhafatoso, gritar, não. É de ter um pouco mais no olhar de brilho. Acho que ele pode ser o técnico do São Paulo para o Campeonato Brasileiro para a temporada, mas fazendo essa autocrítica – disse.
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André Loffredo tem linha de raciocínio parecida com a de PC Vasconcellos. Para o comentarista, é necessário avaliar de Crespo enxerga condições de extrair mais do que vem conseguindo do atual elenco do São Paulo.
– Não dá para avaliar o trabalho do técnico como bom diante dos resultados e da falta de desenvolvimento da equipe, porém, tem que se medir as circunstâncias. Apesar das últimas declarações, vejo Crespo como uma pessoa muito tranquila, ideal para gerenciar esses problemas. Difícil encontrar outro nome no mercado.
– Mas também devemos pensar se ele tem interesse em trabalhar nessa situação. O São Paulo pode passar por uma situação semelhante a que teve com Zubeldía, que avaliou que não tinha como evoluir com um elenco menos limitado e antes mesmo dos grandes problemas políticos administrativos estourarem.
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Alexandre Lozetti diz que a permanência de Crespo passa pelo entendimento do treinador das suas reais condições de trabalho.
– Hernán Crespo teve bom impacto inicial, mas seu trabalho parece ter batido precocemente no teto. Algo similar ao que ocorre com quase todos os treinadores do São Paulo. Ou seja, mais do que falta de capacidade deles, o problema real é a ausência de condições essenciais para um bom trabalho: salários em dia, boa estrutura, preparação adequada, profissionalismo na gestão do futebol.
– Crespo tem mais recursos para atacar do que para defender. Com este elenco, o São Paulo pode jogar mais. O treinador está certo ao apontar os problemas estruturais do clube, mas não deve se agarrar a isso rodada após rodada. Se ele está ciente e topa fazer parte de um ano difícil, sua missão é trabalhar e extrair o máximo de cada um, não apenas choramingar as dificuldades – avaliou Lozetti.
O São Paulo estreia no Campeonato Brasileiro na quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), contra o Flamengo, no Morumbis, em São Paulo. No fim de semana, pelo Paulistão, o adversário será o Santos, no sábado, às 20h30, também no Morumbis.
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