Surpresas, ausências, quebras e novidades: o que esperar dos testes “secretos” da F1?
O que esperar? Rodrigo França analisa primeiros testes da F1 em Barcelona
A F1 está de volta: a partir desta segunda-feira (26), os carros da temporada 2026 entram na pista em Barcelona para a primeira de três semanas de pré-temporada. Será um momento histórico para categoria, que vive a maior revolução em termos de novidades do regulamento em décadas, segundo depoimento dos próprios chefes de equipes e pilotos.
Mas o que podemos esperar da análise dos testes de pré-temporada em Barcelona? Normalmente já é difícil colocar parâmetros reais neste tipo de treino pois é muito difícil saber como os times estão treinando. Ao contrário do que acontecia há 20, 30 anos, é pouco provável que equipes “tirem peso” do carro só para impressionar nos treinos – isso era prática comum quando os times tinham dificuldades financeiras e precisavam impressionar potenciais patrocinadores numa época já próxima do início da temporada.
Agora, não: todas as equipes da F1 atualmente tem resultado financeiro positivo e, como os testes privados são limitados, a pré-temporada é mesmo a melhor forma de conhecer o seu novo modelo. Inclusive em Barcelona haverá limitação: cada equipe pode usar apenas três dos cinco dias de pista disponíveis.
Mas o inverso pode acontecer: times de ponta treinando mais pesados, justamente para não mostrar seu real potencial para os adversários e induzir eles a acreditar que estão competitivos (e tirar seu tempo de reação para melhorar o carro).
Lewis Hamilton e Charles Leclerc durante teste do novo carro da Ferrari na F1 2026
Jennifer Lorenzini/Reuters
Em 2026, a semana em Barcelona ainda será mais difícil de analisar pois equipes, F1 e FIA optaram por não ter transmissão de TV em tempo real. Nem mesmo mídia e torcedores estarão permitidos nesta semana em Barcelona, o que deve tornar ainda mais difícil o julgamento de quem vem forte ou não.
Esta decisão de fazer uma semana inteira mais “sigilosa” tem muito a ver com o que aconteceu em 2014, ano da última grande mudança que a categoria trouxe em regulamento, com a implementação dos motores híbridos. Estive na primeira semana em janeiro daquele ano, em Jerez de la Frontera, e chamou a atenção como a Mercedes conseguia completar dezenas de voltas e com tempos bem competitivos, enquanto outros times sofriam – em especial a Red Bull, que vinha da conquista de quatro títulos seguidos com Sebastian Vettel (2010 – 2013).
Quando entrevistei Felipe Massa pela primeira vez em sua nova equipe, a Williams, ele revelou que já tinha escolhido este time justamente por saber que o motor Mercedes seria dominante naquele início de era híbrida – e, de fato, o time deu um grande salto de performance, com o brasileiro conquistando pódios e até a pole no GP da Áustria de 2014, a última do Brasil na F1.
George Russell guia W17 da Mercedes, carro da F1 2026, no Circuito de Silverstone
Reprodução/redes sociais
Neste ano, novamente a Mercedes é apontada no paddock como a favorita a sair na frente no desenvolvimento dos motores. Em 2026, praticamente metade da potência virá do motor elétrico, e a outra metade virá do motor a combustão usando combustível 100% renovável, algo inédito na F1.
Os testes em Barcelona podem ser um indicativo do quanto a Mercedes de fato está na frente. Uma de suas clientes, no entanto, não estará na pista – a Williams de Carlos Sainz e Alex Albon, mostrando que o desenvolvimento do chassi também representa um grande desafio.
Na Espanha também veremos de forma oficial pela primeira vez numa sessão de F1 as novas equipes oficiais de fábrica, Audi e Cadillac. Cada uma com seu desafio particular – os alemães por construírem também um motor próprio, enquanto os norte-americanos chegam na categoria sem ter comprado uma estrutura já existente no grid.
Gabriel Bortoleto e o R26, carro da Audi para a F1 em 2026
Rodrigo França/ge
Em conversa com Gabriel Bortoleto durante o lançamento da equipe Audi em Berlim, ele falou ao ge.globo de sua grande expectativa para o R26. Um “carro maravilhoso, que é nosso”, disse, dividindo a alegria com os torcedores brasileiros. Por mais que tenha testado bastante no simulador, vale ver como será o entusiasmo de Bortoleto após os treinos em Barcelona.
Será que alguma equipe também trará soluções inovadoras na aerodinâmica? É possível, já que até aqui nos lançamentos a interpretação das regras ficou bem padronizada nos times – o que era esperado, já que o regulamento da FIA tem várias restrições e, principalmente, porque ninguém quer apresentar novidades para seus rivais copiarem a tempo.
Os carros vão evoluir muito até os testes no Bahrein, no próximo mês, e também chegando em Melbourne para o primeiro GP da temporada. Mesmo assim, os testes desta semana em Barcelona serão nossa primeira degustação do que esperar da categoria em 2026. Surpresas, novidades, ausências, decepções e quebras são esperadas – e é este cenário imprevisível que deixa os torcedores ainda mais ansiosos pelo começo desta nova era da F1. geRead More


