Trump tende a atacar o Irã, mas assessores buscam frear ação militar, diz jornal
Trump diz que considera intervenção militar no Irã diante de repressão violenta a protestos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caminha para autorizar um ataque ao Irã, segundo revelou o jornal “The Wall Street Journal” nesta segunda-feira (12), com base em relatos de autoridades americanas. Ao mesmo tempo, integrantes do alto escalão da Casa Branca tentam convencê-lo a priorizar uma solução diplomática.
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Nos últimos dias, Trump tem dado sinais de que os EUA podem interferir na onda de protestos que avança no Irã. Desde o fim de dezembro, milhares de pessoas marcham nas principais cidades do país contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.
No sábado (10), o presidente norte-americano afirmou que o Irã está “buscando a liberdade” e disse que os Estados Unidos “estão prontos para ajudar”. No dia seguinte, declarou que considera “opções muito fortes” em relação ao país.
Segundo o WSJ, a Casa Branca avalia uma proposta de última hora para que o Irã negocie um acordo sobre o programa nuclear, visando impedir o desenvolvimento de uma bomba atômica. O tema esteve no centro da guerra entre Israel e Irã em junho de 2024, encerrada após um ataque norte-americano.
O jornal informou que, desta vez, integrantes do alto escalão do governo dos EUA defendem que Trump negocie com Teerã antes de autorizar uma operação militar. O vice-presidente J.D. Vance está entre os assessores que tentam convencer o presidente a apostar primeiro na diplomacia.
Trump deve se reunir com auxiliares na terça-feira (13) para discutir as opções em relação ao Irã. Segundo o WSJ, o presidente ainda não tomou uma decisão final e, apesar de estar inclinado a uma ação militar, pode mudar de posição.
Autoridades ouvidas pelo jornal afirmaram que uma das possibilidades em discussão é atacar o Irã e, depois, negociações. Parte da equipe teme que uma ofensiva militar alimente a narrativa de que Estados Unidos e Israel estariam organizando secretamente os protestos no país.
Nesta segunda-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump prefere uma solução diplomática, mas “não tem medo” de usar a força militar.
“O que se ouve publicamente do regime iraniano é bastante diferente das mensagens que o governo recebe em privado, e acho que o presidente tem interesse em analisar essas mensagens”, disse ela.
O governo do Irã disse que continua aberto a conversa com os Estados Unidos, mas ameaçou atacar bases americanas no Oriente Médio se for alvo de um bombardeio.
Os protestos no Irã já deixaram mais de 600 mortos, segundo dados de organizações de direitos humanos. Mais de 10 mil pessoas foram presas. O governo ordenou o corte da internet em meio às manifestações, isolando o país.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro na Casa Branca em 9 de janeiro de 2026
REUTERS/Kevin Lamarque
O que está por trás da crise
O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, impactado principalmente pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos. A medida foi adotada em 2018, quando Trump deixou um acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.
Ao retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump retomou uma política de pressão máxima contra o Irã.
Em setembro, sanções também foram impostas pelas Nações Unidas, levando o governo iraniano a realizar reuniões para tentar evitar um colapso econômico.
A situação também foi agravada pelo conflito entre Irã e Israel, em junho. À época, forças israelenses e dos EUA realizaram ataques contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano.
Em meio a esse cenário, a população passou a enfrentar inflação elevada, acima de 40% ao ano. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.
No fim de dezembro, o presidente do Banco Central do Irã renunciou ao cargo. A mídia iraniana afirmou que políticas recentes de liberalização econômica pressionaram a moeda local, levando a uma rápida desvalorização.
Somente em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica neste mês.
O contexto econômico se soma a tensões políticas internas. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, em que a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder há mais de 30 anos.
O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que encabeçaram vários protestos nos últimos anos.
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