Virada avassaladora no Gre-Nal apresenta as credenciais de Paulo Pezzolano
Internacional 4 x 2 Grêmio | Melhores Momentos | 5ª rodada | Campeonato Gaúcho
Quando se pensa no futuro desenrolar da temporada, os clássicos das fases classificatórias dos estaduais permitem extrair poucos ensinamentos. Afinal de contas, o trabalho das comissões técnicas ainda é muito incipiente e deveria ser o momento de avaliar estratégias e alternativas, tanto coletivas quanto individuais. Geralmente é assim. No entanto, de repente, não mais que de repente, surge um Gre-Nal que, com dez minutos, já tem um gol para cada lado, com dois times adotando postura kamikaze e, no fim das contas, apresenta em seu desfecho uma vitória arrasadora: de virada, o Internacional venceu o Grêmio por 4 a 2, no Beira-Rio.
Apesar de ser um Gre-Nal cujo peso se sustentava quase que exclusivamente pela rivalidade, já que ambos os times vão avançar para as fases decisivas do Gauchão, havia um grande interesse pela estreia dos técnicos no clássico: Paulo Pezzolano na casamata colorada e Luís Castro comandando a esquadra gremista. Às vésperas do Brasileiro, também se apresentava como primeiro enfrentamento dos gaúchos contra um adversário de hierarquia.
Era quase consenso que o time gremista chegava mais acertado, mesmo considerando as poucas semanas de trabalho de ambos os técnicos, mas o Gre-Nal tem esse poder de transformar uma pastilha de sal de fruta em um efervescente ciclone extratropical. No fim da noite, Luís Castro era cobrado pela desastrosa atuação de sua equipe, que foi muito instável durante o jogo inteiro e desmoronou de vez mesmo à frente no placar, a ponto de sofrer três gols em dez minutos.
Paulo Pezzolano, técnico do Inter, no Gre-Nal 449
Ricardo Duarte/Inter
Porque os equívocos de começo de temporada apareceram para todos os lados. A defesa colorada jogava espaçada e causava calafrios na arquibancada do Beira-Rio a cada investida gremista, enquanto o meio-campo tricolor parecia um latifúndio preenchido apenas pelo vazio e pela melancolia. Também em termos individuais houve falências. No caso dos arqueiros, Rochet viveu novamente uma jornada de equívocos, mas mesmo assim não foi o pior goleiro em campo, pois Weverton, estreante em Gre-Nal, mostrou-se inseguro em tempo integral, tendo responsabilidade direta em pelo menos dois gols. O clássico gaúcho, antes de mais nada, é um moedor de reputações.
Apesar dos erros terem acontecido nos dois lados, um dos times entrou em campo para disputar um Gre-Nal, enquanto o outro parecia estar jogando uma rodada de um torneio amador no saudoso estádio Sessinzão. No primeiro clássico da temporada, o Internacional mostrou superioridade incontestável ao logo de praticamente todo o jogo. No desempenho coletivo, nas atuações individuais e, sobretudo no aspecto anímico, como ficou claro na forma como a equipe reagiu nas duas vezes em que esteve atrás no placar. Mesmo em um clássico que teria tudo para ser protocolar, a postura colorada refletia uma verdade escrita nas tábuas sagradas da rivalidade: Gre-Nal não se negocia.
Gol Inter Gre-Nal
Maxi Franzoi/AGIF
Além da atuação consistente, considerando o começo de temporada, e da virada imperativa, os colorados contaram com outras boas notícias ao fim do clássico. Alguns nomes importantes reafirmaram sua relevância, como o catedrático Alan Patrick e o infernal Carbonero (o melhor em campo), enquanto outros parecem a caminho de consolidar um momento de recuperação, como Bernabei, sempre um tanque no campo de ataque, mas agora mais consciente suas tarefas defensivas, e especialmente Rafael Borré, finalmente decisivo como sempre se esperou que ele fosse.
A máxima diz que “Gre-Nal arruma a casa”, e o contrário também procede. Ainda não estamos loucos a ponto de implodir um trabalho que recém começou por uma derrota em clássico, por mais ruidosa e dolorida que seja, como é o caso de Luís Castro. No lado colorado, no entanto, é inegável que a atuação e o resultado concedem considerável fôlego para Paulo Pezzolano.
Se obviamente ainda é muito cedo para dizer que arrumou a casa, neste caso o Gre-Nal certamente compra tempo e compreensão, sobretudo porque deixou claras as credenciais do técnico uruguaio: um time com proposta agressiva, de transições rápidas e mentalmente comprometido. E foi exatamente assim que, em um domingo modorrento de janeiro, um Inter ainda em desenvolvimento desabou sobre o Grêmio como uma tempestade de verão.
Pezzolano responde sobre favoritismo do Grêmio e sensação de vencer o Gre-Nal geRead More


