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À beira da queda, presidente do Tufão culpa ex-gestor e elenco: “Não fizeram o trabalho deles”

À beira da queda, presidente do Tufão culpa ex-gestor e elenco: “Não fizeram o trabalho deles”

Virtualmente rebaixado para a Série B do Campeonato Amazonense e mergulhado em uma crise profunda, o São Raimundo atravessa um dos momentos mais delicados de seus 107 anos de história.
Na última rodada do returno, com portões fechados diante do Manaus no estádio Carlos Zamith, o clube pode confirmar o quarto rebaixamento da sua trajetória.
Em meio a protestos da torcida contra a atual diretoria, encabeçada pelo presidente Josimar Alves e pelo diretor de futebol Rodrigo Melo, o Foca, o mandatário concedeu entrevista exclusiva ao ge.
James Alberto (esquerda) ao lado do presidente Josimar Alves e Foca, atual diretor de futebol do São Raimundo.
Reprodução
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Ele destacou que a temporada foi marcada por turbulências administrativas e apontou como fator decisivo o contrato firmado pelo ex-vice-presidente de esportes Janmes Alberto, que teria travado o trabalho da gestão atual.
— Foi um ano atípico, com previsão de perdermos a sede. Tivemos essa turbulência, conseguimos superar e depois veio a questão do contrato, quando o diretor anterior saiu. Ficou um contrato com cláusula de R$ 150 mil de multa por quebra. Ele saiu e nós ficamos presos.
— Só poderíamos retomar os trabalhos após o fim do contrato, que foi dia 5 de outubro. Antes disso, não podíamos fazer nada. Se quebrássemos, teríamos que pagar os R$ 150 mil sem ter condições.
— O contrato atrapalhou, ficamos presos nessa situação. Mas o que pesou mesmo foi o trabalho dentro de campo. Fizemos nossa parte, pagamos, organizamos e orientamos. Quem joga é o atleta. Cabe a eles fazerem o trabalho dentro de campo. Infelizmente, não fizeram — completou.
Josimar Alves, presidente do São Raimundo-AM.
Larry Wilcox/ Rede Amazônica
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Com a queda praticamente confirmada, o presidente afirma que o clube já trabalha na reorganização para disputar a Série B em 2026.
A prioridade é fortalecer a base e montar elenco competitivo.
— O São Raimundo vai continuar. Já estamos começando agora, pensando em colocar o sub-20 e fortalecer toda a base. Quando chegar o próximo ano, já estaremos preparados para disputar a Série B.
— Temos tempo e já estamos agindo antes de terminar o campeonato. Vamos correr atrás de jogadores e organizar a base, porque ficamos sem estrutura, começamos do zero. Desde bola, não tinha nada. No próximo ano vamos vir mais fortes, ressaltou.
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Josimar também demonstrou frustração ao analisar a campanha no Estadual. O time somou apenas um ponto, com cinco derrotas e um empate.
Para ele, o contraste entre os treinos e o desempenho nos jogos acabou não se refletindo em resultados.
— Eu assistia aos treinos e qualquer pessoa que observasse diria que era um time forte, que ia competir. Mas quando entrava em campo, a história mudava. Não rendia como nos treinos. Foi isso que aconteceu.
— Perdemos, fizemos apenas um ponto, tivemos várias derrotas e fomos goleados algumas vezes. Faz parte do futebol. Tinha que cair um e infelizmente foi o São Raimundo, pontuou.
Josimar Alves, presidente do São Raimundo-AM.
Larry Wilcox/ Rede Amazônica
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Sobre a situação financeira, o presidente garantiu que não há dívidas trabalhistas com jogadores, apenas uma pendência em negociação.
Os débitos existentes estão ligados a IPTU de antigas sedes e áreas que passaram por transformações urbanas.
— Muita gente fala sobre dívidas e comenta que o São Raimundo deve milhões. Temos dívida de IPTU da Colina e do antigo posto de gasolina ao lado, que não existe mais. Isso é uma questão ligada ao Estado.
— Há também uma dívida de IPTU da segunda sede, que ficava em frente ao Sul América. Essa área foi transformada em Prosamim, a sede foi demolida e não existe mais, afirmou.
— O IPTU da sede atual não gera cobrança porque o espaço é tombado e isento. Não temos dívidas trabalhistas com jogadores. Existe apenas uma pendência que estamos tentando negociar, mas a outra parte não quis fechar acordo para quitar o valor, concluiu.
Josimar Alves, presidente do São Raimundo-AM.
Larry Wilcox/ Rede Amazônica
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Versão do ex- gestor
Citado pelo presidente, Janmes Alberto enviou ao ge o comunicado formal de não renovação contratual, além de nota oficial rebatendo as declarações.
Segundo ele, a decisão foi informada com antecedência e dentro dos prazos previstos.
Confira o comunicado na íntegra:
Venho, por meio deste, comunicar formalmente que eu, Janmes Alberto Mendonça de Souza, atual gestor do departamento de futebol do São Raimundo Esporte Clube, não exercerei a opção de renovação automática prevista no contrato de gestão firmado entre as partes.
Dessa forma, o referido contrato terá sua vigência encerrada na data originalmente pactuada, sem prorrogação ou renovação automática. A decisão foi tomada com base em avaliação pessoal e profissional, e está sendo comunicada com a antecedência devida, conforme previsto contratualmente.
Ressalta-se que todas as obrigações contratuais assumidas até o término da vigência do contrato serão integralmente cumpridas, reafirmando o compromisso de encerrar a relação com responsabilidade e transparência.
Aproveito a oportunidade para agradecer pela parceria, respeito mútuo e confiança depositada ao longo do período de gestão.
Sem mais para o momento, renovo votos de elevada estima e consideração.
Comunicado: Janmes Alberto, ex-gestor do São Raimundo
Divulgação
Confira a nota na íntegra:
O Sr. Janmes Alberto, ex-Vice-Presidente de Esportes do São Raimundo Esporte Clube, vem a público esclarecer informações recentemente divulgadas acerca do rebaixamento da equipe e de sua suposta responsabilidade pelos fatos, especialmente em razão de declarações atribuídas ao atual presidente do clube.
É inverídica a afirmação de que o ex-dirigente não teria manifestado posição sobre a renovação contratual ou que teria se omitido para evitar eventual pagamento de multa rescisória no valor de R$ 150.000,00.
O Sr. Janmes Alberto comunicou formalmente, com a devida antecedência e responsabilidade institucional, a decisão de não renovar o contrato, tendo a comunicação sido protocolada e recebida em 18 de julho de 2025 pelo Diretor Jurídico do clube, Dr. Mozart Santos, aproximadamente quatro meses antes do encerramento contratual previsto para outubro do mesmo ano.
A medida foi adotada de forma transparente e dentro dos prazos razoáveis de gestão, justamente para permitir que a administração do clube tivesse tempo hábil para planejamento, avaliação de alternativas e tomada de decisões estratégicas visando à continuidade das atividades esportivas.
O ex-Vice-Presidente reafirma seu compromisso com a verdade, com a lisura de sua atuação e com o respeito à história do São Raimundo Esporte Clube, destacando que sempre pautou sua gestão pela responsabilidade, diálogo institucional e zelo pelos interesses da agremiação.
Por fim, lamenta a tentativa de atribuição indevida de responsabilidade individual por um resultado que envolve múltiplos fatores: má administração, incompetência esportiva e falta de estrutura aos jogadores, reiterando sua disposição em contribuir com quaisquer esclarecimentos necessários, sempre em defesa da transparência e do clube.
Nota: Janmes Alberto, ex-gestor do São Raimundo.
Divulgação
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O que o São Raimundo ainda precisa para não cair
Virtualmente rebaixado, o São Raimundo-AM volta a campo nesta quarta-feira (25), às 15h30, no estádio Carlos Zamith, para enfrentar o Manaus, pela terceira e última rodada da primeira fase do segundo turno do Campeonato Amazonense.
A partida será realizada com portões fechados, já que o Manaus, mandante do confronto, cumpre punição.
Matematicamente, ainda existe possibilidade de evitar a queda. Para isso, o Tufão precisa vencer o Manaus por, no mínimo, cinco gols de diferença e torcer por derrota do Princesa diante do Nacional. Com essa combinação de resultados, garantiria vaga no mata-mata do returno.
Mesmo assim, a missão não termina aí: o São Raimundo ainda precisaria conquistar o título do segundo turno para escapar do rebaixamento na classificação geral.
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