Análise: roteiro do dérbi escancara fases opostas de Guarani e Ponte para além do campo
Melhores momentos de Guarani 0 x 1 Ponte Preta, pela sexta rodada do Paulistão
Ter em Hebert o personagem central do dérbi 213 é emblemático para evidenciar as realidades distintas que Guarani e Ponte Preta vivem dentro e – principalmente – também fora de campo.
O gol que decidiu a vitória alviverde por 1 a 0 no último sábado, no Brinco de Ouro, foi marcado aos 48 minutos do segundo tempo por alguém que deixou a Ponte há duas semanas por causa da crise financeira que o clube atravessa.
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Hebert comemora o gol no dérbi com outros jogadores do Guarani
Raphael Silvestre/ Guarani FC
Hebert foi apresentado pela Ponte em dezembro, participou da pré-temporada, mas foi um dos jogadores que saíram antes mesmo de estrear por causa do transfer ban que impediu o clube de registrar novos jogadores nas três primeiras rodadas do Paulistão.
O Guarani aproveitou a oportunidade de mercado e estreou Hebert justamente no dérbi. Foi um roteiro com requintes de crueldade para os alvinegros e para a lavar alma dos bugrinos depois das frustrações nos clássicos da última Série C do Brasileiro.
Os rivais chegaram para o clássico em fases opostas no Paulistão. O Guarani tinha duas vitórias seguidas e jogava para se aproximar da classificação às quartas de final, enquanto a Ponte, ainda sem ganhar e na lanterna, buscava uma sobrevida na luta contra o iminente rebaixamento.
Depois de um início de jogo dominado pelo Guarani – praticamente um ataque contra defesa, a expulsão do goleiro Caíque França aos 20 minutos, com cartão vermelho direto por falta dura em Diego Tavares na entrada da área, chegou a ameaçar o favoritismo alviverde.
Caíque França deixa o gramado pedindo desculpas à torcida do Guarani após expulsão no dérbi 213
Anderson Romão/AGIF
A Ponte teve três boas chances de marcar antes do intervalo – duas com Cristiano e uma com Tavares, e todas foram defendidas por um inspirado Mateus Claus, mesmo sem atuar há mais de um ano. Já no segundo tempo, a montagem do elenco fez a diferença.
Se faltavam opções na Ponte para sustentar o ritmo da reta final do primeiro tempo, deixando o time sem agressividade mesmo com um jogador a mais, o banco de reservas deu ao Guarani um novo gás.
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O lance do gol é simbólico nesse aspecto. Os quatro jogadores que tocaram na bola entraram durante a partida: Mateus Claus chutou para a frente, Lucca resvalou de cabeça, Guilherme Cachoeira deu a assistência, e Hebert marcou para explodir os quase 17,5 mil bugrinos presentes no Brinco de Ouro.
Foi um dérbi vencido de fora para dentro de campo e que mostrou a superioridade de um Guarani que aproveitou as fragilidades de uma Ponte que definha nos bastidores e sente o reflexo inevitável no gramado.
Lance de Guarani x Ponte
Alexandre Battibugli/Ag. Paulistão/Sua Foto no Jogo
O Guarani, ainda que com erros durante o processo (como foi recente no caso da demissão e do retorno de Matheus Costa horas depois) colhe os frutos do investimento feito para formar um grupo experiente e com alternativas.
Os 11 pontos conquistados em 18 possíveis, mesmo sem um futebol de encher os olhos, deixam a equipe em posição confortável no momento para avançar ao mata-mata.
A Ponte, por sua vez, paga o preço pela falta de planejamento. Foram três rodadas sem poder usar as contratações, precisando recorrer às categorias de base para completar o time. Isso sem contar nos atrasos salariais que persistem desde a metade de 2025 e que causaram uma paralisação de duas semanas nos treinos da pré-temporada – que hoje reflete diretamente na condição física dos atletas.
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Não há superação – como foi na campanha da Série C – que resista por muito tempo a tantos desmandos. Por mais doído que seja para o torcedor ler isso, o momento que a Ponte atravessa – talvez o mais delicado da história do clube – é justo diante do caos sem fim que consome os corredores do Estádio Moisés Lucarelli. A bola não entra (sempre) por acaso – seja a favor ou contra.
Hoje, a distância entre Guarani e Ponte vai muito além dos 10 pontos na tabela. Uma diferença personificada em Hebert. geRead More


