Baixada Melancólica: conheça estádio do Gauchão com apelido curioso por ficar ao lado de cemitério
Veja imagens da Baixada Melancólica, casa do Inter de Santa Maria
Criado há 78 anos para ser palco de gols e comemorações, o Estádio Presidente Vargas, em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul, nasceu com uma marca que remete à tristeza. A “Baixada Melancólica”, casa do Inter-SM, chama atenção por levar um apelido que nada tem a ver com a alegria típica do futebol.
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Sem autor conhecido, a expressão curiosa já era de domínio popular antes mesmo da inauguração do estádio, em 1947. O motivo está na proximidade do Presidente Vargas com o Cemitério Ecumênico Municipal, localizado a pouco mais de uma quadra de distância.
– O termo foi usado pela primeira vez em 1947, ano da inauguração. Apareceu no jornal A Razão de 27 de agosto de 1947. A inauguração ocorreu em 21 de setembro. A história popular conta que a relação se dá por causa do cemitério municipal e da descida da Avenida Liberdade. No Almanaque do Inter-SM, do jornalista Candido Otto da Luz, tem referências ao uso do termo e à inauguração, mas não há registro oficial do motivo do apelido – explica o historiador Leonardo Botega, professor do Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e torcedor do Alvirrubro.
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Imagem da Baixada Melancólica, o estádio Presidente Vargas, em Santa Maria, ao lado do cemitério
Reprodução/RBS TV
A reportagem de A Razão mencionada por Botega trata de partida entre os dois clubes de Santa Maria, Inter e Riograndense. O segundo clube não funciona desde 2017. O clássico serviria como “marco inicial” para o novo estádio, como destacou o jornal, sem fazer referência ao nome oficial, em homenagem ao então ex-presidente do Brasil, Getúlio Vargas, que voltaria ao poder em 1951.
– Uma outra hipótese para o uso do apelido é o fato de o Jornal A Razão na época pertencer aos Diários Associados, que era oposição ao varguismo – acrescenta o historiador .
“O clássico Inter-Rio de domingo será realizado campo do E. C. Internacional, situado à Avenida Liberdade e que toda a cidade esportiva já conhece pelo cognome de ‘Baixada Melancólica’. Servirá esta partida como marco inicial de outras grandes pelejas que o Internacional pretende realizar em seu gramado”, diz o penúltimo parágrafo da reportagem, que não é assinada.
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Baixada Melancólica: estádio Presidente Vargas, do Inter de Santa Maria, fica ao lado de cemitério (fundo)
Reprodução/RBS TV
Para o torcedor Odinei Kieling, um dos assíduos frequentadores da Baixada Melancólica, o nome pode trazer uma impressão negativa sobre o estádio, mas não impacta dentro das quatro linhas. Ele até lembra de gols importantes que foram marcados no “gol do cemitério”, como chama as traves do lado que aponta para a Avenida Dois de Novembro, ao lado do campo-santo.
– Conheci esse apelido em 1997, quando comecei a ir no estádio com o meu irmão. Não gosto dessa expressão, apesar dos gols mais importantes, dos nossos acessos para a Série A do Gauchão, foram marcados na goleira (gol) do cemitério, como nos campeonatos de 1998, 2007 e 2025 – conta o vendedor de 42 anos.
Recorde da reportagem de A Razão sobre o jogo inaugural do estádio Presidente Vargas, em Santa Maria
Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria / Jornal A Razão
Depois de 14 anos na Divisão de Acesso, a segunda divisão do Campeonato Gaúcho, o Inter-SM retornou à elite do futebol gaúcho em 2026. O sonho se realizou com o vice-campeonato da competição, diante do Novo Hamburgo. A grande final teve empate em 0 a 0 e deixou o título com o adversário, mas registrou casa cheia, com cerca de 6 mil torcedores no Presidente Vargas.
Neste ano, a Baixada Melancólica tornou a ser palco de jogos da elite do Gauchão. Por enquanto, não se viu muita alegria por lá. A equipe de Santa Maria é a lanterna do Grupo B, com apenas dois pontos conquistados. Em cinco jogos, o time do treinador Bruno Coutinho não conseguiu balançar as redes nenhuma vez.
Torcida organizada Fanáticos da Baixada é uma das marcas do Estádio Presidente Vargas
Renata Medina / Inter-SM / Divulgação
Melancolia? Nem sempre
Se o presente não é tão auspicioso, o passado do futebol de Santa Maria guarda momentos de glória. O próprio jornal A Razão – atualmente extinto – registrou a maior parte da história do Inter-SM, que já foi de primeira divisão nacional.
Em 1982, o periódico estampou como manchete de capa: “A maior vitória do futebol de Santa Maria”. Referência ao triunfo por 3 a 0 sobre o Vasco pela segunda fase da Taça de Ouro. O Inter local conquistou a vaga em função da posição obtida no Gauchão de 1981, quando foi terceiro colocado no octogonal decisivo.
Com Roberto Dinamite à frente, goleiro Wlamir defende finalização do Vasco em partida da Taça de Ouro
Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria / Jornal A Razão
O jogo ocorreu em 25 de março e foi válido pela última rodada do Grupo J, com a Alvirrubro já eliminado. A chave também tinha Operário-MS e América-RJ. O resultado foi considerado uma “vingança”. No primeiro turno, o time carioca havia goleado o Inter-SM por 7 a 0, no Rio de Janeiro.
A diferença dos placares não impactou a festa da torcida no jogo do returno, já que o Vasco foi a Santa Maria com o time titular e jogadores como Roberto Dinamite, Claudio Adão e Rondinelli. O meia Robson, que depois foi atleta do Grêmio, abriu o placar para o Inter-SM. Toninho e Valdo completaram.
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Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria / Jornal A Razão geRead More


