Busca no exterior e improviso no Brasil: os caminhos para não apagar a chama dos esportes de inverno
Veja a 2ª descida e a conquista do ouro de Lucas Pinheiro no Slalom gigante
O Brasil não é um país feito para se destacar nos esportes de inverno. E o motivo é óbvio: o clima. Sem neve e com um calor na maior parte do ano em todas as regiões, há dois caminhos para o sucesso: ir atrás de brasileiros que moram no exterior e improvisar treinamentos de modalidades no Brasil. E é nesses dois pontos que os esportes de inverno tentarão não deixar a chama de um título olímpico apagar.
Brasil Bobsled Olimpíadas de Inverno
REUTERS/Athit Perawongmetha
Lucas Pinheiro, filho de norueguês com brasileira, foi campeão olímpico no esqui alpino e conquistou fãs espalhados pelo país. O carisma e as entrevistas chamaram atenção de um público que jamais imaginou comemorar uma medalha nos esportes de inverno. Mas como será o esporte olímpico de inverno nos próximos quatro anos? É difícil responder, mas há projetos iniciados. Nada que indique que teremos novos medalhistas, mas sim, tem possibilidade de formarmos atletas, apesar de todas as dificuldades.
Nos esportes de gelo, há um otimismo com a equipe de bobsled que, com jovens atletas, deve se manter entre os 15 principais países do mundo por mais um ciclo. E o sonho de uma pista de push, para empurrar o trenó, em São Caetano está cada vez mais real.
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Dois atletas da patinação velocidade são esperanças de classificação para os Jogos de 2030: Lucas Koo, de 19 anos, chegou a ter chances de vaga já para 2026, e Julia de Vos, que nasceu na Holanda, maior potência da modalidade, mas tem nacionalidade brasileira. Por fim, Eduardo Strapasson, de 19 anos, ficou perto da vaga olímpica para 2026 no skeleton, e deve seguir fazendo as etapas internacionais do Circuito neste ciclo.
Resumo da estreia do Brasil no snowboard halfipipe, com Pat Burgener e Augustinho Teixeira
Pensando ainda mais para o futuro, há dois núcleos que, aos poucos, vão sendo montados. Um nos EUA, em Lake Placid, e em Lyon, na França. Ali, o objetivo é angariar brasileiros para praticar os esportes do gelo e, por ventura, conseguir destaque internacional.
Na neve, o impulso pelo título de Lucas Pinheiro deve trazer mais olhos para as provas de esqui em geral. Mas dificilmente trará mais praticantes, por motivos óbvios. No Brasil, há um projeto de roller ski, uma adaptação do cross country para o asfalto. Os frutos disso já foram vistos, com as participações olímpicas de Duda Ribeira.
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O snowboard pode ter um impulso maior, por ter alguma similaridade com esportes tradicionais por aqui, como surfe e skate. Pat Burgener já disse que quer seguir mais um ciclo, foi 14º nesta Olimpíada. Augustinho Teixeira ainda é jovem, fez uma Olimpíada boa, foi 19º, e deve crescer no ciclo. No feminino, Priscila Cid, que quase pegou a vaga olímpica, tem tudo para crescer nos próximos anos.
É impossível cobrar que o Brasil tenha um grande programa de desenvolvimento dos esportes de inverno, até porque não faria sentido algum. Mas, aos poucos, o país tem encontrado maneiras de driblar o clima para ter algum tipo de destaque.
Guilherme Costa Brasil em Tóquio blog
Reprodução geRead More


