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Como a Ponte foi de campeã da Série C a rebaixada no Paulista em 105 dias

Como a Ponte foi de campeã da Série C a rebaixada no Paulista em 105 dias

Ponte Preta perde da Portuguesa e é rebaixada com uma rodada de antecedência
Da euforia com uma conquista inédita à frustração com um rebaixamento em 105 dias. Esse foi o período entre o título da Ponte Preta na Série C do Brasileiro, em 25 de outubro de 2025, e o rebaixamento alvinegro no Paulistão, sacramentado no último sábado, 7 de fevereiro.
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A verdade é que, apesar do curto intervalo entre momentos tão distintos, o céu já era nebuloso mesmo quando a Ponte foi campeã, com o elenco superando problemas extracampo para chegar ao acesso e também ao primeiro título nacional da história do clube em 125 anos.
Time da Ponte Preta antes do duelo contra a Portuguesa
Marcos Ribolli/ PontePress
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Os atrasos salariais começaram em meados de 2025, causando saídas de titulares durante a campanha, como Maguinho e Jean Dias, além do técnico Alberto Valentim. Quem ficou também mostrou incômodo com a situação ao longo da Série C, como, por exemplo, o desabafo do volante Lucas Cândido após a vitória sobre o Brusque no quadrangular decisivo:
— Dentro de campo estamos vivendo um momento mágico, mas fora tá complicado. Difícil jogar com 100 dias de salários atrasados.
Cândido foi um dos jogadores que entraram com ação contra o clube na Justiça por causa da falta de pagamento e também revelou em entrevista ao ge que tinha gente no clube trabalhando em dois empregos para conseguir sustentar a família em meio aos atrasos salariais – que chegam a oito meses em alguns casos dentro do departamento de futebol.
Campeão da Série C pela Ponte Preta, Lucas Cândido espera quitar pendências
As pendências persistiram após o fim da Série C e também já provocaram reflexos no início da preparação para 2026, com a reapresentação adiada em uma semana (de 1º para 8 de dezembro) por causa das dívidas da diretoria com o elenco.
O novo prazo não foi suficiente. Ainda assim, os jogadores voltaram a treinar em 8 de dezembro, mas sem alguns destaques da Série C, como, por exemplo, o zagueiro Wanderson (que conseguiu a rescisão na Justiça), o lateral-esquerdo Artur e o atacante Toró, artilheiro da Série C. O técnico Marcelo Fernandes, com retrospecto quase que impecável na Série C, seguiu no cargo.
A espinha dorsal também perdeu os volantes Luiz Felipe e Léo Oliveira durante a pré-temporada. A dupla chegou a se reapresentar, mas depois, diante das incertezas sobre o futuro, preferiram aceitar outras ofertas (Luiz Felipe foi para o Náutico, e Léo Oliveira seguiu para o Juventude).
Como a diretoria, já liderada pelo presidente Luiz Torrano e com Eberlin na vice-presidência e como diretor de futebol, não acertou as pendências, os jogadores anunciaram em 20 de dezembro a suspensão dos treinos em protesto aos atrasos salariais.
No comunicado, assinado por remanescentes de 2025 e jogadores que tinham acabado de chegar, o grupo disse que os atrasos, em alguns casos, chegavam a sete meses.
Jogadores da Ponte Preta entram em greve por atraso nos salários
A paralisação durou duas semanas. A retomada foi em 2 de janeiro, a apenas 10 dias da estreia no Paulistão, contra o Corinthians, na Neo Química Arena.
Paralelo à falta de pagamento, a Ponte tinha um transfer ban na CNRD (Comissão Nacional de Resolução de Disputas) e outro na Fifa que impediam o registro das novas contratações. O impasse durou até a quarta rodada, fazendo com o que o time precisasse recorrer às categorias de base nos três primeiros jogos – desmontando a equipe da Copinha, que, também com salários atrasados, ainda assim chegou à terceira fase do torneio.
Contra o Corinthians, por exemplo, o meia Serginho, ex-Palmeiras e Santos, era o único “profissional” no banco de reservas – e no dia seguinte saiu do clube.
Greve, saídas e transferban marcam o início do ano na Ponte
Ao todo, a Ponte perdeu um time de jogadores por causa dos problemas financeiros, incluindo cinco contratações que sequer estrearam pelo clube: os zagueiros Wallace e Walisson Maia, o lateral Gabriel Inocêncio, o volante Pedro Martins e o atacante Herbert.
No caso de Hebert, ele foi para o rival Guarani na sequência e fez o gol decisivo do dérbi campineiro, decretando a derrota da Ponte por 1 a 0, pela sexta rodada.
O lateral Bryan Borges chegou a ir embora do clube, mas retornou para a reta final da primeira fase. O mesmo também aconteceu com o meia Elvis, ídolo da torcida, capitão e referência técnica do time.
Após um forte desabafo na segunda rodada, quando cobrou publicamente a diretoria, dizendo que era uma vergonha a situação do clube, o meia se despediu no jogo seguinte, contra o Capivariano, e entrou com uma ação cobrando R$ 8 milhões do clube.
Ficou fora contra São Bernardo e Noroeste antes de fazer um acordo com a diretoria de aproximadamente R$ 750 mil e voltar a atuar pelo clube também contra o Guarani.
Elvis chegou a entrar com ação contra a Ponte, mas depois voltou a atuar pelo clube
Marcos Ribolli/ PontePress
A Ponte só conseguiu registrar as contratações que ficaram no clube na quarta rodada, quando, após a venda do atacante Jeh para o futebol turco por aproximadamente R$ 1,5 milhão, pagou cerca de R$ 1,9 milhão na CNRD e R$ 600 mil na Fifa para derrubar o transfer ban, encerrando as punições.
Diante disso, o goleiro Thiago Coelho; os zagueiros Lucas Cunha e David Braz; o volante Tárik, o meia Cristiano; e o atacante Vitor Pernambuco foram regularizados para enfrentar o São Bernardo – com exceção de Thiago Coelho, os demais foram titulares.
Mas, se ganhou novas opções, Marcelo Fernandes perdeu o atacante Bruno Lopes, remanescente de 2025, emprestado no dia seguinte – o atacante Vitor Pernambuco também decidiu deixar o clube após disputar apenas duas partidas.
Dos reforços, dois ainda não atuaram por questões físicas: o lateral-direito Lucas Justen e o atacante Jhonatan Cafú, que sofreu uma lesão no tornozelo no primeiro treino pelo clube. O clube ainda buscou o lateral-esquerdo Kevyson e o atacante Luis Phelipe no mercado, mas já era tarde para reagir.
Eberlin ao lado de Torrano, novo presidente da Ponte
Marco Ribolli/Ponte Press
Os números da campanha são consequência direta e natural do caos extracampo, com apenas um ponto em 21 possíveis, seis derrotas em sete jogos e apenas dois gols marcados.
Foi o décimo rebaixamento da história da Ponte, o sexto no século e o terceiro desde 2022, quando o grupo político liderado por Marco Antonio Eberlin assumiu o clube – sendo o segundo nas últimas quatro edições do Paulistão que disputou, além da Série B de 2024.
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Agora, a Ponte apenas cumpre tabela contra o São Paulo, no domingo, às 20h30, em casa, e tenta se reorganizar de dentro para fora de campo de olho nas competições que ainda tem pela frente em 2026: a Copa do Brasil (entra na terceira fase por ter sido campeã da Série C) e a Série B do Brasileiro. geRead More