CVM cria grupo para analisar informações sobre Banco Master, Reag e entidades ligadas ao caso
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) criou um grupo de trabalho para analisar informações relacionadas ao conglomerado Master, à Reag e a outras entidades conectadas ao caso, informou a autarquia nesta sexta-feira (6).
A iniciativa ocorre após a liquidação do Banco Master e em meio a investigações da Polícia Federal e apurações do Banco Central sobre suspeitas de fraudes financeiras envolvendo fundos e operações do grupo (entenda mais abaixo).
Segundo a CVM, o Comitê de Gestão de Riscos (CGR) aprovou a criação do grupo com escopo, governança e prazo definidos. Os trabalhos devem começar em 9 de fevereiro, com prazo estimado de até três semanas para conclusão.
Ao final, será produzido um relatório para apreciação e deliberação pelo comitê.
O que diz a CVM
Em nota, a CVM informou que a deliberação faz parte de mecanismos regulares de governança e gestão de riscos e tem o objetivo de dar continuidade ao acompanhamento institucional do caso.
Nesta etapa preliminar, o comitê afirmou ter acessado informações relacionadas à atuação das áreas internas de supervisão, fiscalização e acusação, incluindo:
abertura de procedimentos ao longo dos últimos anos;
comunicações já feitas a outros órgãos públicos;
andamento interno de inquéritos correlatos.
Segundo a autarquia, o grupo terá como finalidade consolidar e sistematizar fatos, processos e informações, com vistas ao aprimoramento do diagnóstico institucional, ao acompanhamento mais integrado das ações em curso e à prestação de contas à sociedade.
A CVM afirmou ainda que poderá avaliar, quando cabível, melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional.
Contexto: Master foi liquidado e FGC já pagou R$ 36 bilhões
A criação do grupo de trabalho ocorre após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, o BC afirmou que o banco não tinha condições de honrar seus papéis.
Na manhã desta sexta-feira (6), o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou que já pagou R$ 36 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master. Segundo o fundo, o valor corresponde a 89% do montante previsto.
Em número de beneficiários, cerca de 628 mil credores já receberam valores, o que representa 81% do total de pessoas com direito à garantia.
O FGC orientou clientes a manterem as notificações do aplicativo ativas para serem alertados sobre eventuais etapas necessárias para a conclusão do processo.
Will Bank
O FGC também informou que estima pagar R$ 6,3 bilhões em garantias relacionadas ao Will Bank, instituição ligada ao Master e que também foi liquidada.
Segundo o fundo, os pagamentos devem começar após o recebimento da base de credores, que será consolidada pelo liquidante com apoio do próprio FGC.
Reag e suspeitas sobre fundos
O caso Master também envolve apurações sobre a atuação da Reag na estruturação e administração de fundos de investimento.
A Polícia Federal investiga se fundos ligados à Reag foram usados em operações suspeitas de movimentar recursos de forma irregular, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
O Banco Central apontou que relações entre o Master e empresas ligadas à Reag já estavam no radar do órgão desde 2024.
No centro das apurações está a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, administradora de fundos do grupo.
Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, encerrando imediatamente suas atividades.
Segundo o BC, a decisão foi tomada em razão do descumprimento de regras legais e prudenciais, o que comprometeu a capacidade da empresa de operar de forma segura. O órgão afirmou ainda que os bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis, como prevê a legislação.
O Banco Central informou que a liquidação atinge a DTVM, mas não os fundos sob gestão, que seguem ativos e devem buscar novos administradores.
Como o BC descreveu a engrenagem financeira
Em documento citado na investigação, o Banco Central descreveu uma estrutura que, segundo a autoridade monetária, foi usada para inflar artificialmente o patrimônio de fundos e mascarar riscos do Banco Master.
A lógica apontada pelo BC envolvia, em linhas gerais, a circulação de dinheiro por diferentes fundos administrados pela Reag e o retorno dos recursos ao próprio Banco Master.
Uma das operações citadas ocorreu em abril de 2024. Segundo o BC, o Banco Master concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à empresa Brain Realty Consultoria. Dois dias depois, a Brain transferiu R$ 450 milhões para um fundo próprio, o Brain Cash, administrado pela Reag.
No mesmo dia, o dinheiro passou rapidamente por outros fundos do grupo, em operações feitas em questão de minutos.
Segundo o Banco Central, um dos fundos envolvidos, o High Tower, usou recursos para comprar títulos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Embora os papéis tenham custado cerca de R$ 850 milhões, o fundo registrou em balanço que eles valiam mais de R$ 10 bilhões, o que inflaria seu patrimônio e a rentabilidade.
Parte desses títulos, segundo a apuração, foi revendida a outros fundos administrados pela Reag por valores bilionários, ampliando a distorção contábil. Ainda de acordo com o BC, os recursos iniciais foram pulverizados entre vários fundos ao longo do mesmo dia e, algumas horas depois, retornaram ao próprio Banco Master por meio de aplicações em CDBs.
Investigadores afirmam que a estrutura poderia criar uma aparência de solidez e liquidez, além de dificultar o rastreamento do dinheiro.g1 > EconomiaRead More


