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“Diferentes” e “divertidos”: veja impressões iniciais dos pilotos sobre carros da F1 2026

“Diferentes” e “divertidos”: veja impressões iniciais dos pilotos sobre carros da F1 2026

Veja os destaques do dia 4 de testes da F1 2026 em Barcelona
Em muitos aspectos, a temporada de 2026 da Fórmula 1 ainda é uma incógnita. É difícil cravar quem vai bem ou mal, ainda mais antes de um ano com grandes mudanças na parte técnica e de motores das regras. No entanto, os passos iniciais já foram dados com os testes iniciais de pré-temporada em Barcelona, e os pilotos revelaram suas primeiras impressões sobre os novos carros. Eles parecem ter gostado.
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O carro do atual regulamento foi projetado para ser menor e mais ágil, com redução de 30kg no peso total. Além disso, agora as duas asas são móveis e podem ser ativadas ao longo da pista, mas o antigo sistema de ultrapassagem com a abertura da asa traseira foi substituído.
Lando Norris guia carro número 1 da McLaren na pré-temporada da F1 2026, em Barcelona
Divulgação/McLaren
A partir de 2026, quem estiver a menos de um segundo do carro à frente poderá apertar um botão de ultrapassagem, que fornece mais energia elétrica ao monoposto – a parte elétrica, aliás, passou a ter mais importância no motor. Com tantas mudanças importantíssimas, vários pilotos opinaram que as novas máquinas são muito diferentes, mas garantiram: os bólidos estão mais divertidos de dirigir.
– O carro é muito divertido de pilotar e, apesar de ser um pouco mais lento do que no ano passado, você não sente tanto assim – disse Kimi Antonelli, da Mercedes.
Lewis Hamilton, heptacampeão da Fórmula 1, é outro que saiu com boas impressões dos testes iniciais. O piloto da Ferrari vai entrar em sua 19ª temporada na Fórmula 1 e afirmou que nunca viu tantas alterações de um ano para o outro.
– Tenho o privilégio de estar aqui há muito tempo, 19 anos. Já passei por muitos carros diferentes e foram muitas mudanças, mas esta é a maior que percebi – afirmou.
Lewis Hamilton acena para os fãs em shakedown da Ferrari no Circuito de Fiorano, na Itália
Callo Albanese/Getty Images
Mas afinal, como essas mudanças no regulamento são sentidas na pista? Com a palavra, os donos do espetáculo.
Menor pressão aerodinâmica
Depois dos primeiros testes em Barcelona, pilotos como Hamilton, George Russell e Isack Hadjar relataram que o downforce diminuiu – isto é, a força que pressiona o carro ao chão. As mudanças já tinham sido previstas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e têm a ver com alterações nos desenhos das asas dos carros, menores.
Na prática, Hamilton e George Russell apontaram duas mudanças: a redução do porpoising (o popular “efeito golfinho”, que deu dor de cabeça aos times no antigo regulamento) e a maior previsibilidade ao seguir um adversário, em especial nas curvas.
– Acompanhar os carros à frente parece definitivamente mais fácil, especialmente nas curvas de alta velocidade; em primeiro lugar, porque se tem menos downforce. Você passa pelas curvas mais devagar, então naturalmente há menos turbulência – disse Russell, da Mercedes.
George Russell em entrevista para o lançamento oficial do W17, carro da Mercedes na F1 2026
Reprodução/Mercedes
Mais lentos ou mais rápidos?
No geral, a sensação de alguns dos pilotos que participaram dos testes é de que os carros estão um pouco mais lentos em relação ao ano passado – o que já era esperado pela FIA, especialmente por se tratar do início de um novo regulamento.
Entretanto, o comportamento do novo monoposto parece ser bem diferente nas retas e nas curvas. Com o aumento de potência da parte elétrica do motor (de 120 para 350kw), o carro leva menos tempo para chegar à velocidade máxima.
– Temos também muito mais potência do motor elétrico, cuja aceleração é bastante brutal – especialmente quando você chega aos 350 km/h. É claro que isso não dura toda a reta, infelizmente, mas ainda assim é bom. Quando formos para Monza, que consome muita energia, pode ser um pouco diferente – disse Kimi Antonelli.
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Quem também destacou a rapidez do carro da F1 2026 nas retas foi o atual campeão Lando Norris, mas o britânico ponderou que a velocidade na entrada das curvas é menor.
– É bem diferente. Não foi, assim, um grande passo; até ficou mais lento na velocidade das curvas. Na aceleração e nas retas parece mais rápido, você chega a 340 ou 350 km/h bem mais rápido do que nos últimos anos – analisou.
O brasileiro Gabriel Bortoleto, piloto da Audi na atual temporada, deu a visão de quem está acostumado a pilotar carros diferentes a cada ano: depois de progredir ano a ano na base, chegou à Fórmula 1 em 2025 e, agora, terá pela frente o novo regulamento. O jovem seguiu a linha adotada por Kimi e Norris.
– Eles são muito diferentes. A sensação é um pouco diferente. Não sei como expressar isso, porque eu realmente não pilotei nenhum carro parecido no passado. Eu diria que o carro de Fórmula 2 é muito mais lento do que os carros da antiga regulamentação da F1. E eu sinto que estes também vão ser mais lentos.
– Mas é muito legal ter a unidade de potência sendo agora 50% elétrica. Você sai da curva e tem muita velocidade sendo liberada, e então dá para perceber o quão forte isso é. Essas coisas são diferentes, e você precisa se acostumar e adaptar sua maneira de pilotar o carro – disse o paulista.
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Adaptação é a chave
É quase consenso que os carros deste ano são divertidos, diferentes, rápidos nas retas e mais lentos nas curvas de baixa velocidade. O que ninguém parece saber exatamente como fazer até aqui é administrar a potência dos carros durante uma volta completa.
O motor de cada carro possui um sistema que reaproveita a energia gerada na hora de frear. Portanto, os pilotos vão precisar andar pensando em como recuperar energia nas curvas e na hora de reduzir marchas, já que essa potência extra é necessária para ativar o novo botão de ultrapassagem e o modo de impulso, ou “boost mode”.
– É definitivamente um desafio para os pilotos; há casos em que, ao fazer as curvas mais rápido, você gasta mais energia e ganha menos. Assim, ao longo de uma volta, você acaba ficando com menos energia para gastar. Você pode ganhar alguns décimos nas curvas, mas pode perder alguns décimos nas retas. Leva um tempinho para entender isso. No entanto, uma vez que você entenda isso, essa será a maneira normal de pilotar – explicou Russell.
Pilotos acionam botão de ultrapassagem e modo “boost” pelo volante
Divulgação/Williams
Nomes como Antonelli, Norris e Charles Leclerc seguiram na mesma linha de Russell; além disso, o piloto da Ferrari classificou a curva de aprendizado como “íngreme, mas interessante”. Hamilton, companheiro do monegasco, acha que esse desafio deve fazer a diferença em 2026:
– Quem se desenvolver mais rápido, quem for mais inteligente na otimização do tempo e do uso de energia e desenvolvimento, estará no topo. E Isso dá a todos a chance de chegar ao topo, o que é bom.
Nem tudo são flores
Apesar das avaliações positivas de modo geral, alguns pilotos também ressaltaram aspectos negativos. Esteban Ocon e Oliver Bearman, da Haas, foram na contramão de Russell e relataram dificuldades para acompanhar os carros à frente. Além disso, o francês disse achar que será difícil de ultrapassar.
Há outro ponto negativo citado não só pelos pilotos da Haas, mas também por Kimi Antonelli: o lift and coast na classificação. Para eles, não será possível virar uma volta rápida pisando fundo no acelerador o tempo inteiro – será necessário tirar o pé em alguns momentos para recarregar a energia.
– A bateria é pequena demais, digamos, para terminar a volta inteira. Então há muita gestão com o pedal do acelerador durante a volta. Enté preciso fazer lift and coast, ou seja, soltar o acelerador antes de chegar na zona de frenagem para recarregar melhor a bateria. Essa é a forma mais rápida de pilotar. É muito, muito diferente de tudo que aprendemos quando éramos mais jovens no kart – explicou Ocon.
Carro da Haas no shakedown da F1 2026, em Barcelona
Divulgação/Haas
Mas apesar de todas as diferenças e desafios, pilotos como Bortoleto, Russell e Norris concordaram com um fato: ainda se parece um carro de Fórmula 1.
– Acho que esses carros são realmente mais agradáveis de conduzir. Eles parecem um pouco mais com carros de corrida. São um pouco mais leves. Os carros anteriores eram muito grandes e um pouco pesados – resumiu Russell. geRead More