Doni nega irregularidades e diz que empresa passa por reestruturação após “divergências pontuais”
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O ex-goleiro Donieber Alexander, o Doni, se manifestou sobre as publicações que associam seu nome a um processo judicial em trâmite no estado da Flórida, nos Estados Unidos. Em nota assinada e encaminhada pela defesa à pedido da EPTV, afiliada da TV Globo, ele negou irregularidades e declarou que a empresa da qual é sócio, a D32 Wholesale, está em dia com as determinações judiciais.
Doni informou que é sócio, há mais de oito anos, de uma incorporadora que atua na região central da Flórida. Segundo ele, a D32 passa por um processo de reestruturação societária e administrativa, após integração com duas empresas do setor da construção no Brasil e nos Estados Unidos.
Doni (ex-Seleção, Roma, Corinthians), é sócio da D32 Wholesale, empresa imobiliária na Flórida (EUA)
Divulgação/D32
De acordo com o ex-jogador, divergências comerciais surgiram durante a revisão e renegociação de contratos sob a nova gestão.
– Nesse contexto, surgiram divergências comerciais pontuais com determinados clientes, situação comum em empreendimentos de grande porte, todas submetidas regularmente à apreciação do Poder Judiciário e tratadas de forma técnica e dentro da legalidade – declarou.
Sobre o andamento do processo, Doni afirmou que a empresa tem colaborado com a Justiça americana.
– Esclareço, de forma categórica, que não existe qualquer pedido de prisão. Na audiência realizada nesta data, o advogado da empresa compareceu regularmente, tendo sido confirmado pelo magistrado que toda a documentação solicitada já havia sido entregue previamente. O juiz reconheceu o cumprimento integral das obrigações judiciais, validando que estamos plenamente em dia (“up to date”) – disse.
Segundo o ex-goleiro, a empresa conta com apoio de um fundo de capital e de uma construtora sediados na Flórida e mantém atuação regular nos Estados Unidos. Ele afirmou ainda que o projeto prevê mais de 2.500 unidades, das quais 250 já foram entregues.
Entenda o caso
O ex-goleiro Doni foi processado por acusação de golpes envolvendo empreendimentos imobiliários. Como atleta, ele iniciou a carreira no Botafogo-SP e teve passagens por Corinthians, Santos, Roma-ITA, Liverpool-ING e seleção brasileira.
Segundo apuração da EPTV, afiliada da TV Globo, a empresa em que ele é sócio captava recursos no Brasil e no exterior com a promessa de rendimentos de até 15% ao ano com a construção de casas em condomínios de médio e alto padrão no estado da Flórida.
Doni chegou a jogar na Seleção e foi convocado para a Copa de 2010
Ross Dettman/Getty Images
A operação da D32 ganhou repercussão na imprensa de Orlando depois que projetos de construção liderados pela empresa foram abandonados na Flórida, deixando obras inacabadas, prejuízos e moradores exigindo providências.
Um dos empreendimentos anunciados é o Camila Homs, em Silver Springs Shores, a cerca de uma hora e meia de Orlando. Lançado em 2022, previa a construção de 529 casas mais um campo de golfe.
Apesar de as obras estarem paradas ou abandonadas, investidores continuaram recebendo relatórios financeiros que indicavam lucros. As informações agora são contestadas na Justiça americana.
Documentos do Tribunal da Flórida mostram que Doni e o sócio foram intimados a comparecer a uma audiência no Fórum de Orlando, prevista para esta terça-feira para tratar de uma dívida de 59 mil dólares, o equivalente a R$ 309 mil, da empresa D32. A ação foi movida por duas mulheres, moradoras de Orlando.
Imóveis anunciados pela D32, empresa do ex-goleiro Doni e de sócio brasileiro
Reprodução/Redes Sociais
Falta de documentos e de comparecimento à Justiça
O processo tramita desde janeiro do ano passado. Após problemas em um contrato de quase US$ 200 mil para a construção de uma casa em Dunnellon, a cerca de 250 quilômetros de Palm Bay, na Flórida, as compradoras e a empresa assinaram, em novembro de 2024, um acordo para o pagamento de US$ 59,6 mil referentes à devolução de US$ 39,6 mil que haviam sido pagos pelo projeto, além de juros e outras custas com advogados. No entanto, as compradoras alegam que esse acordo não foi cumprido e ajuizaram a ação cível.
Ao longo do processo, segundo documentos obtidos pelo ge/g1 em um tribunal do condado de Orange, onde tramita a ação, os representantes da empresa não cumpriram determinações anteriores, como a de comparecimento a uma audiência, marcada para outubro do ano passado.
A Justiça americana marcou para 1º de maio um novo depoimento de representantes da D32 Wholesale. O despacho foi dado nessa terça-feira após realização de uma audiência de apenas quatro minutos por videoconferência entre os advogados dos donos da D32 e de duas pessoas que contrataram a construção de uma casa em Palm Bay, na Flórida, em 2021.
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