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EUA e Irã retomam negociações nucleares; Trump diz que será envolvido nas tratativas, e Teerã pede exigências realistas

EUA e Irã retomam negociações nucleares; Trump diz que será envolvido nas tratativas, e Teerã pede exigências realistas

 Ali Khamenei e Donald Trump
Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci
Os Estados Unidos e o Irã retomaram as negociações nucleares em Genebra, na Suíça, nesta terça-feira (17). O encontro, mediado pelo Omã, começou por volta das 6h no horário de Brasília.
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Do lado norte-americano, o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, participarão das negociações, segundo a agência de notícias Reuters. Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.
Este é o segundo encontro entre negociadores dos EUA e o Irã para negociar limitações ao programa nuclear iraniano em meio a uma escalada de tensões e militar protagonizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaça atacar o país do Oriente Médio caso as negociações fracassem (leia mais abaixo). O primeiro encontro, no Omã no início do mês, teve “atmosfera muito positiva” e os países retomam as tratativas após consultas internas.
Uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou à Reuters nesta terça-feira que a chave para o sucesso das negociações será “a seriedade dos EUA em suspender as sanções e evitar exigências fora da realidade”. Ao mesmo tempo, a autoridade disse que o Irã chega para as conversas com propostas “genuínas e construtivas”.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que estaria envolvido “indiretamente” nas conversas em Genebra e que acredita que Teerã quer fechar um acordo, e voltou a ameaçar o Irã caso não haja acordo.
“Estarei envolvido indiretamente nas negociações, vamos ver o que vai acontecer. Acho que eles são maus negociadores, porque poderíamos ter tido um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir o potencial nuclear deles. E tivemos que enviar os B-2”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One. “Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo”, concluiu.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse nesta segunda que fazer um acordo com o Irã “será difícil” e chamou os aiatolás iranianos, que governam o país, de radicais.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira que Trump não conseguirá depor seu regime e ameaçou derrubar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que está estacionado nas águas do Mar Arábico em alcance de um eventual ataque ao Irã.
O Irã insiste que seu programa nuclear é meramente para fins pacíficos, e disse estar disposto se submeter a “inspeções” para provar isso. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, encontrou-se com o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, nesta segunda-feira. Ambos afirmaram que tiveram uma discussão “aprofundada” sobre questões nucleares.
Negociação nuclear e tensão militar
Manifestantes a favor do príncipe herdeiro do Irã, em Munique.
Ebrahim Noroozi/AP
As negociações são tratadas com cautela porque EUA e Irã ainda têm grandes diferenças entre eles: enquanto Washington exige de Teerã extinguir os programas nuclear e de mísseis e parar de apoiar grupos armados da região, o regime Khamenei afirma que negociará apenas seu programa nuclear.
A principal autoridade nuclear iraniana afirmou nesta semana que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse na semana passada que o país está disposto a “inspeções” da AIEA para mostrar que seu programa nuclear é pacífico, mas afirmou que não cederá a “exigências excessivas” dos EUA.
O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna entre indicar esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime Khamenei. Na semana passada, Trump ameaçou tomar “medidas muito duras” contra o Irã caso as negociações fracassem e enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar o cerco militar ao país do Oriente Médio —que já tem o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln posicionado na região.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou na segunda-feira que faria novos exercícios militares no Estreito de Ormuz, o que elevou as tensões com as tropas dos EUA que estão estacionadas na região.g1 > Mundo Read More