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Ex-Corinthians lembra goleada do Zaragoza nos galácticos do Real Madrid: “Poderia ter sido 7, 8 ou 9”

Ex-Corinthians lembra goleada do Zaragoza nos galácticos do Real Madrid: “Poderia ter sido 7, 8 ou 9”

20 anos depois, Ewerthon detalha 6 a 1 do Zaragoza no Real Madrid: “Poderia ter sido 8, 9”
Após a demissão de Xabi Alonso e com constantes vaias nas últimas partidas no Santiago Bernabéu, a crise é grande no Real Madrid. Mas a situação era ainda pior há 20 anos. No dia 8 de fevereiro de 2006, pouco depois da demissão de Vanderlei Luxemburgo, a equipe era derrotada pelo Real Zaragoza por 6 a 1, no jogo de ida da semifinal da Copa do Rei. Autor de dois gols e duas assistências na goleada histórica, o brasileiro Ewerthon relembrou o momento em conversa com o ge.
Naquela noite o Diego Milito estava inspiradíssimo e fez quatro gols. E eu também estava e fiz dois. E tivemos inúmeras oportunidades de ampliar. Poderia ter sido sete, oito, nove, sem menosprezar o Real Madrid. O Real é um time que sempre atacou muito. Era tirar espaços deles, do Ronaldo, e deixar o meio de campo deles jogar. Porque o Beckham ia tocar a bola e tentar o lançamento para o Ronaldo. E aí a gente sairia para o contra-ataque. E os gols foram acontecendo. Foi uma noite mágica. Já tínhamos derrotado o Barcelona no auge. Já tínhamos passado pelo Atlético de Madrid. A gente já vinha competindo em alto nível a 100% desde as oitavas, até chegar a essa semifinal.
Júlio Baptista, Ronaldo e Beckham lamentam gol do Zaragoza em 6 a 1 histórico
Getty Images
Os mais jovens talvez não conheçam o Real Zaragoza, time do nordeste da Espanha, que hoje disputa a segunda divisão nacional. Mas em 2005/06, a equipe teve momentos de brilhantismo, principalmente na Copa do Rei, onde já havia vencido o Barcelona por 4 a 2 nas quartas de final. O 6 a 1 sobre o Real é até hoje lembrado como um dos principais momentos da história do clube e um dos maiores vexames da equipe merengue.
— A gente tinha um plano de jogo. A gente tinha jogadores qualificados. O nome dos jogadores é para o torcedor. Não existe encantamento de você olhar um Ronaldo, um Beckham, um Zidane. Para nós, é 11 contra 11. Do mesmo jeito que eles tinham qualidade, nós tínhamos a nossa. Nosso jogo era um jogo de equipe, o deles era de individualismo. Equipe ganha campeonato, individualismo ganha jogo.
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Ewerthon comemora um dos gols de Zaragoza 6 x 1 Real Madrid
Zaragoza
Em noite inspirada, como pontuado por Ewerthon, Diego Milito marcou três gols no primeiro tempo, e Júlio Baptista diminuiu para o Real Madrid. No início da segunda etapa, o argentino voltou a balançar a rede. Ewerthon fez dois gols ainda no segundo tempo, o último acertando um chutaço de fora da área, e fechou a goleada histórica de 6 a 1. Resultado que normalmente não se imagina uma reação no jogo de volta, a não ser que o adversário seja o Real Madrid no Santiago Bernabéu.
— Nos complementávamos. Diego (Milito) era muito mais de área, finalizador, e eu como segundo atacante, vindo de trás com movimentação e velocidade. Sempre fiz muitos gols. Nossa média de gols por temporada era altíssima. Eram praticamente 50 gols por temporada jogando no Zaragoza. Naquela época tinha o Barcelona com Ronaldinho, Eto’o, Real Madrid com Raul e Ronaldo. Valencia tinha Villa e mais um… Fomos uma dupla sensacional que marcou época. Até hoje somos lembrados por essa temporada, e principalmente por esse jogo fenomenal contra o Real Madrid.
Diego Milito comemora gol do Zaragoza sobre o Real Madrid
Zaragoza
Susto no jogo de volta no Bernabéu
Se no jogo de ida, o Zaragoza conseguiu segurar a criação de jogadas do Real e ser letal nos contra-ataques, no Santiago Bernabéu a situação foi diferente. Em nove minutos de partida os galácticos já venciam por 3 a 0, com gols dos brasileiros Cicinho, Robinho e Ronaldo.
— O que a gente tinha de plano de jogo saiu tudo ao contrário. O Real Madrid acaba fazendo três a zero e eu faço um gol que não estava impedido e não valeu. Se dá esse gol, três a um, o jogo seria outro. Porque o Real Madrid teria que fazer quatro gols para passar. A moral deles daria uma abaixada. Jogar no Bernabéu é muito difícil. Nós tínhamos certeza disso. Mas só foram marcar o quarto depois de muito tempo — analisa.
Ewerthon e Diego Milito pedem calma ao time do Zaragoza após gol do Real Madrid na Copa do Rei 2005/06
Getty Images
O quarto gol brasileiro, marcado por Roberto Carlos já no segundo tempo, não foi suficiente para o Real Madrid conseguir a classificação. Vitória de 6 a 5 para o Zaragoza no placar agregado e a equipe se classificou para a grande final.
“Era um jogo de 180 minutos. No agregado ganhamos de 6 a 5. Jogar contra o Real Madrid ou o Barcelona na casa deles é pressão o tempo inteiro. Para o atleta de futebol isso é natural e normal. Existe pressão antes, durante, depois e a vida inteira de quem trabalha em alto nível. Você tem que saber sustentar a pressão e jogar pelo resultado”.
Ewerthon, marcado por David Beckham, finaliza em Real Madrid x Zaragoza
Getty Images
Apesar da grande campanha que fez naquela competição, a equipe não saiu com o título. Um mês e meio depois de fazer história contra o Real Madrid, o Zaragoza enfrentou o Espanyol na final e não teve um bom dia, sendo derrotado por 4 a 1. O goleiro César Sánchez foi expulso por atirar de volta uma garrafa nos torcedores adversários, o que Ewerthon considera chave para o resultado.
— Foi surpreendente. O Espanyol brigava para não cair no Espanhol. E nós já com os pontos garantidos. A intensidade deles era diferente da nossa. E o jogo estava 1 a 0, eu faço 1 a 1, e infelizmente o nosso goleiro teve uma atitude totalmente feia com a torcida do Espanyol e foi expulso. Em seguida tomamos o gol. E aí complicou tudo. Se fossem dois jogos, poderíamos reverter, mas era um jogo só, e nesse dia eles foram melhores do que a gente.
Comparando a crise do Real Madrid de 20 anos atrás com o momento atual, Ewerthon vê grande diferença. Apesar disso, o ex-atacante afirma que a dificuldade para controlar as estrelas foi o principal problema da passagem de Xabi Alonso no clube.
— O momento atual do Real Madrid eu acho que não tem nada a ver com os galácticos. Você pegava do Casillas até o Ronaldo e eram todos galácticos, tirando dois ou três. Hoje não, você vai pegar o Courtois, o Mbappé, o Vini, e os outros jogadores não têm o peso que eles tinham. Chegou um treinador que quis inovar um sistema, não conseguiu administrar o vestiário, que é muito difícil. E teve um problema com suas estrelas. No Leverkusen tinha um tipo de jogadores totalmente diferentes do Real Madrid. Mas o Real Madrid, passa ano, sai ano, vem nessa pegada e daqui a pouco é finalista de uma Champions.
Zagueiro Álvaro e Ronaldo em disputa no Real Madrid x Zaragoza, em 2006
Getty Images
Aos 44 anos, há 11 aposentado do futebol, Ewerthon vive em São Paulo e se dedica à carreira empresarial. Ele revela que também mantém forte ligação com o futebol, em especial com os três clubes que mais marcaram sua carreira: Corinthians, Borussia Dortmund e Zaragoza.
— Tenho vários seguimentos que faço na minha vida há algum tempo e lancei a Ewerthon Academy. Estou me dedicando a este projeto social. De entretenimento, com eventos e experiências para os jovens. Nas três equipes tive momentos memoráveis. Sou de São Paulo e tenho contato com o torcedor corintiano. Borussia Dortmund estamos sempre em contato. Sou embaixador do projeto Legends deles. Estou sempre na Alemanha. Zaragoza estou sempre lá, deixei grandes amigos na cidade, tenho carinho pelo clube e eles comigo. geRead More