Formato em V, desclassificação por trajes e ponto K: entenda o salto de esqui nas Olimpíadas de Inverno
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Voar mais longe e permanecer no alto pelo maior tempo possível a partir da descida de uma rampa curvada é a premissa do salto de esqui. Esta é uma das 16 modalidades das Olimpíadas de Inverno Milão-Cortina 2026, que começaram oficialmente na última sexta-feira (6) e reúnem mais de 3.500 atletas de 95 países, em ação até 22 de fevereiro.
As provas do salto de esqui acontecem até o dia 16, em Predazzo, no Centro de Salto com Esqui, que tem uma área de três mil metros quadrados, duas montanhas principais de salto – uma com colina de 98m e outra de 128m – e três rampas menores de treinamento. O espaço recebeu reformas, que incluíram até um sistema de fabricação de neve atualizado, para receber os saltadores, que alcançam velocidades superiores a 95km/h.
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Salto de esqui conta com seis eventos diferentes durante os jogos
Getty Images
Serão seis eventos: pista normal feminino e masculino, pista longa feminino e masculino, equipes masculinas e equipes mistas. Ao todo, 50 atletas participam das finais simples, que são divididas em um primeiro salto, responsável por classificar 30 competidores para o segundo. A soma das duas pontuações define a classificação final.
Até hoje, o esloveno Domen Prevc é quem possui o recorde da modalidade. Em 2025, ele alcançou 245,5 metros – distância correspondente a dois campos e meio do estádio do Maracanã. Se a marca será superada durante esta edição dos Jogos Olímpicos não é possível saber, mas o que pode (ou não) ser feito para alcançá-la, sim. A posição no momento do salto, os trajes, a pontuação e a punição com cartões amarelos e vermelhos são algumas das peculiaridades que envolvem esta prática esportiva.
Esloveno bate recorde mundial de salto no esqui ao superar dois campos e meio do Maracanã
É um pássaro? É um V?
No decorrer de mais de 200 anos de história da modalidade, os atletas foram aperfeiçoando o salto, sempre com o foco em aumentar a sustentação e prolongar o voo para, consequentemente, alcançar maiores distâncias. Junta-se a isso a avaliação do estilo adotado. São cinco juízes – a maior nota e a menor são descartadas. Os árbitros avaliam voo, aterrisagem – que deve ser suave e concluída com os joelhos dobrados e um marginalmente na frente do outro – e ultrapassagem – parte final da montanha, que os atletas alcançam após a aterrisagem. Um salto com estilo perfeito recebe 20 pontos.
Ao longo das competições, os saltadores foram aprimorando a técnica, que começou com o “estilo ereto”. O norueguês Sondre Norheim, conhecido como o pai do esqui moderno, saltou desta forma quando venceu a primeira competição mundial da modalidade, realizada em seu país de origem, em 1866.
Canadense Horst Bulau salta com o estilo clássico, em Calgary 1988
Divulgação
De lá para cá, tiveram ainda, por exemplo, a “técnica de Kongsberg” – com o atleta curvando-se nos quadris, estendendo os braços para a frente e mantendo os esquis paralelos; o “bater asas” – braços abertos e movimentos como pássaros para manter o equilíbrio – e o “estilo clássico” – corpo inteiro inclinado para a frente e esquis paralelos.
Em 1988, o tcheco Jiri Malec foi o primeiro a conquistar uma medalha ao saltar com os esquis abertos em forma de V e a cabeça entre eles. Com o tempo, percebeu-se que este posicionamento provoca maior sustentação durante a fase inicial, enquanto, no momento posterior, cria-se mais arrasto, o que ajuda o atleta a desacelerar no ar e aterrissar com mais segurança.
Atualmente, esta maneira de se portar durante o salto está estabelecida, ainda que os atletas sigam em constante busca de aperfeiçoamento. Apesar disso, no início, o V sofria penalizações no quesito estilo, embora a diferença na distância atribuísse certa vantagem. A Federação Internacional de Esqui (FIS) teve papel fundamental ao revisar o sistema de pontuação, o que fez mais saltadores adotarem este modo.
Trajes e Ponto K também influenciam
Além do estilo e da altura conquistada, outros critérios são considerados. Alguns, inclusive, podem provocar até a desclassificação, como é o caso dos trajes usados pelos atletas. Em Pequim 2022, por exemplo, vários competidores foram eliminados por alterações nos uniformes.
Não é por acaso que o regulamento traz especificações sobre a roupa, já que qualquer seção a mais pode aumentar a área de superfície e promover maior elevação durante o salto. Entre as regras, que delimitam até o posicionamento do zíper, a espessura máxima do traje é de 6mm e a mínima, de 4mm. Essas medidas devem ser aferidas com o corpo em posição vertical, com uma tolerância de pelo menos 2cm a mais e um máximo de 4cm para o corpo.
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Ursa Bogataj campeã salto de esqui inverno Pequim 2022
REUTERS/Hannah Mckay
Também há exigências sobre o tamanho do esqui. O comprimento equivale a 145% da altura do atleta, com base em um Índice de Massa Corporal (IMC) mínimo de 21.
Em 2025, a federação que regula o esporte incluiu um novo sistema de sanções, com cartões vermelhos e amarelos, com funcionamento parecido ao do futebol. Com atuação antes e depois do salto, aleatoriamente e sem aviso prévio, os equipamentos são verificados em busca de violações. Uma segunda infração, casos graves ou reincidência levarão o atleta à desclassificação.
Uma especificação que também influencia o salto de esqui é o “ponto K”, localizado na área de aterrisagem. Ele é a base do cálculo dos pontos. Sendo assim, se um saltador atingir exatamente o ponto K, recebe 60 pontos. A partir dessa marca, os pontos são calculados para distâncias acima ou abaixo.
Outra variante vem através do Sistema de Compensação Vento/Portão, incluído em 2009 com a proposta de garantir uma competição mais justa. Por meio do mecanismo, os juízes podem ajustar a pontuação de acordo com as condições do vento na hora do salto. geRead More


