Goleiro que foi herói contra o Vasco se espelha em Fábio e conta histórias da carreira andarilha
Neguete defende cobrança de pênalti de Puma Rodríguez
O goleiro Neguete, do Madureira, roubou a cena na última rodada do Campeonato Carioca, no 0 a 0 com o Vasco. Natural de Belo Horizonte, o arqueiro defendeu um pênalti de Puma Rodríguez, além do rebote do atacante Brenner, e saiu de campo como nome do jogo. Antes de brilhar contra um gigante, o jogador percorreu um caminho longo, que o ge conta agora.
Willian, popularmente chamado de Neguete, passou por diversos clubes, dos mais variados cantos do Brasil. Até hoje, o auge foi no Espírito Santo, onde chegou em 2023. Aos 35 anos, o jogador vestiu outras 18 camisas antes de ter o momento de maior visibilidade na última segunda-feira. Para ele, o momento não é de reta final da carreira.
— Eu até falei depois do jogo, o Fábio (do Fluminense) está prolongando a carreira de muita gente (risos). Daqui a pouco está com 50 anos jogando em alto nível, e o pessoal: “então o goleiro pode jogar até com essa idade”. Eu sempre falo com os meninos mais novos: sonhar coisas boas e ruins você vai gastar a mesma energia, então é melhor sonhar com coisas boas. Se o Vasco, ou qualquer um dos grandes chegasse para me contratar, iria ser uma bênção. Eu sigo trabalhando forte, eu sei que a vida de goleiro é de muitos altos e baixos — contou.
— Foi uma partida difícil, contra um gigante do futebol brasileiro (o Vasco). Sabíamos da dificuldade que iríamos enfrentar, então tentei estar o mais concentrado possível para quando fosse exigido, pudesse de fato ajudar a equipe. Fui coroado defendendo o pênalti, ajudando a equipe a sair com o empate, que para a gente foi muito importante em busca dessa classificação — continuou.
FICHA TÉCNICA
Nome: Willian Fernando Nobre
Apelido: Neguete
Idade: 35 anos (06/03/1990)
Carreira: Villa Nova-MG, Itaúna, Boa Esporte, Caldense, Tupi, Mogi Mirim, Patrocinense, Serrano, Sertãozinho, Brasiliense, URT, Sampaio Corrêa, Portuguesa-RJ, Paraná, Nacional-AM, São Raimundo-AM, Real Noroeste, Rio Branco-ES, Madureira
Títulos: Campeonato Capixaba (2023, 2024, 2025) e Campeonato Maranhense (2020)
Neguete comemora gol do Rio Branco-ES, contra a Desportiva Ferroviária, pelo Campeonato Capixaba
Igor Dadalto/Núcleo Desporte
De Norte a Sul, histórias longe do glamour
O currículo de Neguete é vasto, marcado pela passagem por diversos clubes tradicionais do cenário nacional. De Norte a Sul, o arqueiro construiu sua carreira desbravando diferentes praças e mergulhando em diversas culturas e tradições, até chegar ao Madureira. Apesar do holofote pelo jogo da última segunda-feira, o carreira do atleta é mais marcada pelo período no Espírito Santo.
Por lá, Neguete vestiu as cores do Rio Branco-ES e do Real Noroeste. As três conquistas consecutivas de campeonatos capixabas colocaram o goleiro em evidência no futebol local. Em uma delas, foi o grande herói, com direito a duas defesas em disputas de pênaltis.
— O segundo jogo da final de 2024 foi marcante, onde eu pude contribuir pegando dois pênaltis e a gente conseguiu reverter uma disputa de pênaltis onde a gente estava perdendo de 2 a 0, eu consegui reverter para 3 a 2, foi muito legal, muito inédita também, nunca lembrei de um time reverter uma disputa de pênaltis, ainda mais em uma final — lembrou.
Os pênaltis de Rio Branco-ES 0 (3 x 2) 1 Rio Branco VN, pelo Campeonato Capixaba 2024
No entanto, a trajetória está longe de ser feita apenas de glórias. Como todo atleta fora da elite do futebol brasileiro, Neguete lutou para manter a carreira até hoje. Entre os percalços, muita instabilidade e atrasos salariais que chegaram a seis meses.
— O futebol é muito limitado à nata, o 1%, a galera que recebe bem, que tem uma estabilidade. É complicado. Com o encurtamento das datas dos estaduais, acaba que, no início de fevereiro, vou ter vários amigos desempregados já no início do segundo mês do ano. É muito difícil para um pai de família. Eu acho que a maioria dos jogadores já passou por uma dificuldade, eu mesmo fiquei seis, sete meses sem receber. Família praticamente sustentando, um mandando dinheiro de cá, outros mandando dinheiro de lá. Foi bem no início da carreira.
No jogo contra o Vasco, o goleiro reencontrou um antigo comandante, Ricardo Cobalchini. Hoje auxiliar de Fernando Diniz, o profissional trabalhou com Neguete no Rio Branco. Com elogios, Cobalchini resume as características do jogador.
— O Neguete é um atleta muito solidário, muito coletivo, que exerce no grupo um papel de liderança muito forte. No Rio Branco, além de ser um bom goleiro, ele crescia nos momentos de pressão, e ajudava sempre os companheiros e os outros goleiros a evoluir.
Neguete, goleiro do Rio Branco-ES
Henrique Montovanelli/FES
Madureira é sensação no Carioca
O Madureira é uma das surpresas desse Campeonato Carioca. A equipe está no segundo lugar do grupo B, em que Botafogo lidera e o Flamengo está ameaçado na tabela. O time suburbano está a um empate de garantir vaga no mata-mata.
— O Campeonato Carioca é muito pesado. Estamos tendo uma disputa muito igualitária. O time que ganha nessa rodada, perde na outra. O grande que você acha que vai despontar acaba perdendo pontos para os outros grandes e também para os clubes de menor investimento. A questão do encurtamento das datas acabou dando essa possibilidade de ser uma competição mais disputada ainda, com um nível ainda mais igual — completou.
*Estagiário sob supervisão de Thayuan Leiras geRead More


