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Governo suspende temporariamente importação de cacau da Costa do Marfim, maior fornecedor para o Brasil

Governo suspende temporariamente importação de cacau da Costa do Marfim, maior fornecedor para o Brasil

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O Ministério da Agricultura decidiu suspender, de forma imediata e temporária, as importações de amêndoas fermentadas e secas de cacau da Costa do Marfim, maior fornecedor do produto para o Brasil.
A decisão foi publicada nesta terça-feira (24), no Diário Oficial da União.
O governo federal diz que a medida foi adotada com base em uma avaliação técnica que apontou risco fitossanitário nas cargas destinadas ao Brasil.
Segundo o Ministério da Agricultura, há um elevado fluxo de grãos provenientes de países vizinhos para a Costa do Marfim que pode permitir a mistura de amêndoas de diferentes origens nas cargas exportadas ao Brasil.
Parte desses países possui status fitossanitário desconhecido para a cultura do cacau ou não tem autorização para vender o produto ao mercado brasileiro, diz o governo.
O ato determina ainda que a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e a Secretaria de Defesa Agropecuária do Brasil adotem procedimentos para investigar possíveis casos de triangulação comercial, diante da suspeita de que amêndoas originárias de países vizinhos, como Gana, Guiné e Libéria, estejam sendo incorporadas a lotes declarados como marfinenses.
A suspensão das importações será mantida até que o governo da Costa do Marfim apresente manifestação formal e garantias de que os envios destinados ao Brasil não contenham cacau produzido em países sem autorização sanitária.
A decisão ocorre após uma agenda articulada pelo governador Helder Barbalho, do estado do Pará, maior produtor de cacau do país.
Ele se reuniu com o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e demais autoridades para defender interesses estratégicos dos produtores de cacau paraenses e brasileiros.
“Isso foi uma reivindicação dos produtores rurais. [….] Isso vai permitir com que os produtos nacionais sejam valorizados, com que a produção de cacau no Brasil possa melhorar o preço e possa fortalecer aqueles que produzem”, destacou o governador.
A decisão do Ministério atende a demandas das associações de cacaicultores e lideranças estaduais, que vinham alertando sobre riscos sanitários e impactos competitivos decorrentes do ingresso de produtos importados que poderiam agravar a situação das lavouras brasileiras e pressionar os preços internos, destacou o governo do estado, em nota.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disse que a suspensão da importação “é fundamental para proteger a produção nacional do risco de ingresso de pragas e doenças no país”.
“Ainda que temporária, a medida atende uma demanda do Sistema CNA que, mobilizado por seus sindicatos e Federações de Agricultura do Pará, Bahia e Espírito Santo, enfatizou junto ao Executivo e ao Legislativo a importância da adoção de medidas imediatas, inclusive com a visita de uma missão técnica à Costa do Marfim para avaliar adequadamente a situação produtiva, fitossanitária e de trânsito das amêndoas no país exportador.”
“A suspensão da importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim é medida cautelar de extrema relevância. Acreditamos na competência técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa para que, com base em critérios científicos, tome a decisão mais assertiva para a proteção do cacau nacional”, afirmou o diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva.
Já a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) disse que recebeu com preocupação a decisão.
“A AIPC confia no corpo técnico do Ministério da Agricultura e Pecuária e reafirma que decisões dessa magnitude devem estar ancoradas exclusivamente em critérios técnicos, com base em evidências objetivas e avaliações de risco consistentes.”
“Confiamos igualmente no governo da República da Costa do Marfim, parceiro estratégico do Brasil no comércio internacional de cacau, para que possa apresentar os esclarecimentos e garantias necessários quanto à rastreabilidade e aos controles adotados para impedir a triangulação de amêndoas provenientes de países não autorizados.”
Imagem de amêndoas de cacau.
Claudia Assencio/g1g1 > EconomiaRead More