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Governo Trump nomeia autoridade de extrema direita como assessor de políticas direcionadas ao Brasil, diz agência

Governo Trump nomeia autoridade de extrema direita como assessor de políticas direcionadas ao Brasil, diz agência

 O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o primeiro discurso do Estado da União de seu segundo mandato
Kenny Holston/Pool via Reuters
O governo Trump nomeou um crítico de linha dura do atual governo brasileiro para atuar como assessor de políticas direcionadas ao Brasil, revelou nesta sexta-feira (27) a agência de notícias Reuters.
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Darren Beattie foi recentemente designado para o cargo de “assessor sênior para a política em relação ao Brasil”, que é responsável por propor e supervisionar as políticas e ações de Washington em relação a Brasília, confirmaram à Reuters autoridades do Departamento de Estado. Beattie já assumiu o cargo, segundo a agência.
Segundo a Reuters, o movimento que sugere que as relações entre as duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental permanecem delicadas, apesar de uma recente reaproximação entre os presidentes Lula e Donald Trump.
O político de extrema direita foi o pivô de uma polêmica em meio à crise diplomática entre os EUA e o Brasil por conta do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF. Ele chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes de “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”. Beattie também coleciona polêmicas nos EUA. (Leia mais abaixo)
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O governo Trump não se manifestou publicamente sobre a notícia da Reuters até a última atualização desta reportagem. O governo brasileiro também não se manifestou sobre a nomeação de Beattie até o momento.
Além de sua nova função ligada ao Brasil, Beattie também é chefe interino do Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais, e também é presidente do Instituto de Paz dos EUA, entidade nacional financiada pelo Congresso e encarregada de atuar na resolução de conflitos globais.
Polêmicas
Darren Beattie, político de extrema direita nomeado para cargo de ‘assessor sênior para a política em relação ao Brasil’.
Divulgação/Departamento de Estado dos EUA
Beattie atuou no 1º mandato de Donald Trump, ele atuava como redator de discursos da Casa Branca. Porém, em 2018, ele foi demitido por ter discursado em um evento frequentado por nacionalistas brancos.
Em 2021, ele publicou no X: “Imagine ter respeito pelo Departamento de Estado”, o qual ele trabalha atualmente.
Durante a campanha presidencial de 2024, Beattie sugeriu que a comunidade de inteligência dos EUA poderia estar por trás de tentativas de assassinar Trump.
Beattie também foi acusado de racismo e sexismo por afirmar nas redes sociais que “homens brancos competentes devem estar no comando se você quiser que as coisas funcionem”.
Críticas a Alexandre de Moraes
Em agosto, Beattie provocou um incidente diplomático ao descrever, em uma publicação no X, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra (o ex-presidente brasileiro Jair) Bolsonaro”.
Á época, o Itamaraty convocou o principal diplomata dos EUA em Brasília para explicar os comentários.
Moraes, o magistrado criticado por Beattie, presidiu o processo criminal contra Bolsonaro, aliado do presidente dos EUA, Donald Trump. Bolsonaro foi condenado por tramar um golpe para reverter o resultado das eleições presidenciais brasileiras de 2022 e atualmente cumpre pena de 27 anos de prisão.
Os EUA haviam sancionado Moraes em julho, com autoridades do governo Trump acusando-o de autorizar detenções preventivas arbitrárias e de suprimir a liberdade de expressão ao conduzir casos relacionados à suposta trama golpista de 2022.
Após o anúncio das sanções contra Moraes, Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente e destacado político de direita no Brasil, agradeceu a Beattie por seus esforços em uma publicação no X. Outro filho de Bolsonaro, Flávio, é apontado como forte candidato na próxima eleição presidencial brasileira, em outubro.
Relação de altos e baixos
Embora Beattie tenha trabalhado no ano passado para combater o que o governo Trump considera censura indevida em países estrangeiros, sua nova nomeação sinaliza um foco maior no Brasil daqui em diante.
O movimento também sugere que Washington não abandonou suas preocupações com a liberdade de expressão no Brasil e que tampouco fez as pazes completamente com o governo Lula.
Dois funcionários do governo brasileiro disseram não estar ainda cientes da nomeação de Beattie e acrescentaram que o impacto sobre as relações bilaterais dependerá do grau de poder interno que lhe for concedido. Eles afirmaram estar cautelosos diante das declarações públicas de Beattie.
A relação entre Washington e Brasília esfriou após o retorno de Trump ao poder no ano passado. Além de impor sanções a autoridades brasileiras, os EUA aplicaram tarifas sobre produtos brasileiros, em parte devido ao que Trump chamou de perseguição injusta contra Bolsonaro.
Mas os laços melhoraram depois que Lula e Trump se reuniram brevemente na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro, ocasião em que o presidente dos EUA disse que houve sintonia imediata entre os dois. No fim do ano passado, o governo Trump reduziu tarifas sobre alguns produtos brasileiros e suspendeu as sanções contra Moraes.g1 > Mundo Read More