Ídolo do Corinthians, Tupãzinho vira presidente de time da 5ª divisão de SP e revela sacrifício em título
Gol do Corinthians! Tupãzinho marca contra o São Paulo na final do Brasileirão de 1990
O Corinthians conquistou no último domingo, diante do Flamengo, a Supercopa do Brasil, alcançando o 14º título nacional de sua história. A competição carrega um simbolismo especial para Pedro Francisco Garcia, o Tupãzinho, presidente do Tupã, time da 5ª divisão de SP, e personagem marcante da trajetória alvinegra. O ex-atacante foi campeão da Supercopa de 1991 e marcou o gol do título da primeira conquista nacional da história do Timão, o Brasileirão de 1990.
O “Talismã da Fiel” acompanhou de perto a transformação das competições nacionais e relembra um período em que a Supercopa ainda não tinha grande visibilidade. A decisão de 1991 foi também contra o Flamengo.
Voltando 35 anos na máquina do tempo, Tupãzinho, em entrevista ao ge, relembra que atuou lesionado, no seu limite físico, em uma conquista que só viria a ganhar maior reconhecimento com o passar dos anos.
— A Supercopa, na nossa época, não era muito valorizada. Fomos disputar contra o Flamengo o campeonato porque tínhamos sido campeões brasileiros. Mas não era um campeonato badalado. Nesse jogo, eu estava mal, tinha torcido o tornozelo, tomei uma infiltração pra jogar. Naquela época pra você jogar, fazia tudo: infiltração no tornozelo, no joelho. Nesse jogo, eu fui pro sacrifício. Joguei o primeiro tempo e mais um pouquinho só, aí não aguentei mais.
— Foi um título que, depois de muitos anos, foi contemplado. Você vê que naquela época não tinha tanto dinheiro envolvido nessas competições, hoje é grana pra caramba. Os campeonatos mudaram muito da nossa época para hoje.
Tupãzinho, ex-atacante do Corinthians
Arquivo pessoal
Revelado pelo Tupã Futebol Clube e com passagem pelo São Bento, Tupãzinho chegou ao Corinthians em 1990. Ao todo, foram 45 gols em 319 jogos, entre 1990 e 1996.
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O ex-meia-atacante relembra o título do Brasileirão de 1990 e como aquele time foi montado apenas para não cair.
— Tinha aquela pressão de não ganhar o título brasileiro. Na época, o presidente era o Vicente Matheus. Ele montou um time para não cair e de repente o time engrenou nos últimos jogos, conseguimos classificar entre os oito.
— Pegamos logo de cara a primeira equipe que era bem superior à nossa, bem favorita, o Atlético-MG, ganhamos o jogo de 2 a 1. Depois, o Bahia, que também era uma equipe fortíssima, candidata ao título.
Histórico gol de Tupãzinho pelo Corinthians sobre o São Paulo no Brasileirão de 1990
Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians
A decisão foi contra o São Paulo de Zetti, Cafu e Raí, que chegava como favoritos, e marcou definitivamente a carreira de Tupãzinho.
— O São Paulo era o favorito. Tudo isso aí foi bom pra ajudar: meu primeiro campeonato, 22 anos, fazendo o gol, foi a minha projeção no futebol também, conhecido até hoje.
— Faz 35 anos do primeiro título, de 90 pra cá. Até hoje lembram desse título, isso que é gostoso. Não só eu, como todos os atletas que participaram desse feito do Corinthians. Ficou marcado na história do Corinthians.
Desde dezembro de 2025, Tupãzinho virou presidente do Tupã, time da sua cidade natal e que vai disputar a Bezinha em 2026, a quinta divisão do Campeonato Paulista. O ídolo corintiano segue acompanhando o Corinthians à distância. Ele analisa com cautela o momento atual do clube, que segue conquistando títulos em meio a desafios administrativos e financeiros.
— É tão difícil falar do Corinthians, falar de uma situação que o Corinthians está vivendo, de tudo isso em decorrência de más administrações. É um momento delicado, não dá pra falar que aconteceu isso ou aquele que falhou aqui. É um geral, já vem de anos tudo isso e acaba afetando agora, mas é complicado falar alguma coisa se a gente não tem o conhecimento ali dentro de tudo que aconteceu mesmo.
Tupãzinho, ex-jogador do Corinthians
Reprodução/MeuTimão
— É difícil falar do momento, agora campeão numa situação delicada, conseguindo os títulos e praticamente sem dinheiro. Os caras ganhando absurdos, que nem o Memphis (Depay), ganhando aí quase 4 milhões de premiação. É totalmente diferente, fica difícil falar sobre essas gestões que aconteceram esse tempo todo aí no Corinthians — finalizou Tupãzinho.
*Gabriéla Bandeiras colaborou sob supervisão de Arcílio Neto geRead More


