Ilha de Paquetá: as origens do reforço mais caro da história do Flamengo
Voz do Setorista: ge vai até Ilha de Paquetá conhecer origens do jogador do Flamengo
Lucas Paquetá está de volta para casa. Na verdade, para perto de casa. O jogador, que retornou ao Rio de Janeiro na última semana, foi criado em uma ilha que fica a mais ou menos uma hora de barca do centro da cidade. Lugar que ele carregou para o mundo no seu nome. Ilha de Paquetá. O ge foi até lá conhecer as origens do reforço mais caro da história do Flamengo (vídeo acima).
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Trajeto até Ilha de Paquetá leva cerca de 1 hora de barca desde o centro do Rio
Emanuelle Ribeiro
A ilha, com nome de origem Tupi, fica na Baía de Guanabara e tem menos de 4 mil habitantes. É um dos pontos turísticos do Rio e foi fonte de renda do pequeno Lucas, que fez alguns bicos de guia no local para conseguir dinheiro parar comprar brinquedos quando criança.
— Todos nós, na infância, fazemos uma ajuda ao turista para explicar a história de lugares como Pedra da Moreninha e Cemitério de Passarinhos. O Lucas fazia isso em troca de um dinheirinho para comprar pipa, bola de gude, na base da brincadeira. Ele conhece muito bem a ilha — contou Beto Alves, guia que acompanhou a reportagem pela ilha.
— Com o Maraca lotado, ele faz um gol, a galera grita Paquetá… Eu já peguei muitos turistas que, no dia seguinte a um jogo, vieram aqui porque escutaram falar sobre Paquetá no estádio. Só de ele levar o nome do lugar como apelido já ajuda — completou ele.
Lucas na Pedra da Moreninha, em Paquetá, em 2018
Gustavo Rotstein
Passeando pela ilha, que hoje trocou as charretes puxadas por cavalos por “charretes elétricas”, avista-se os lugares por onde Lucas passava com os visitantes, como as Ilhas de Brocoió e de Pancaraíba, a Ponte da Saudade, o Parque Darke de Mattos e a Pedra da Moreninha.
Vista da Pedra da Moreninha, ponto turístico de Paquetá
Emanuelle Ribeiro
A segunda casa de Paquetá no Rio de Janeiro o receberá na noite desta quarta-feira. O meia vive expectativa de reestrear pelo Flamengo no Maracanã diante do Inter, às 19h, pelo Campeonato Brasileiro. Ele ainda não deve ser titular. Ele voltou a jogar com a camisa rubro-negra no domingo, na derrota para o Corinthians na Supercopa do Brasil, em Brasília.
Lances e movimentações de Lucas Paquetá em Flamengo x Corinthians, na Supercopa do Brasil
Lucas, o jogador de Paquetá
Lucas Tolentino Coelho de Lima nasceu na ilha, em 1997. Virou Paquetá nas categoria de base do Flamengo, quando contou aos colegas onde morava e recebeu o apelido. Não brigou contra. Pelo contrário, gostou de carregar consigo o nome do lugar onde foi muito feliz.
Paquetá com a tatuagem em homenagem ao avô Altamiro, o “Mirão”
ge
Paquetá fazia o trajeto de barca — ida e volta — todos os dias para chegar ao Flamengo. O irmão mais velho, Matheus, treinava no clube na parte da manhã, no Ninho do Urubu. Já o treino de Lucas era à noite, na Gávea. O avô, o falecido Seu Altamiro (Mirão), era quem levava a dupla até o Rio: além da barca, pegava quatro ônibus para que os dois pudessem treinar.
— Altamiro ia com eles na barca de 5h30, tinha muita paciência com o Lucas. E quando ele faz gol e aponta para o céu, tenho certeza que é para o avô dele — recordou Marilene, moradora da ilha.
Em 2018, Paquetá voltou ao campo do Municipal, clube onde começou a jogar na ilha
Gustavo Rotstein
É fácil encontrar pelo local moradores que viram o jogador crescer pelas ruas de terra de Paquetá. Os lugares onde Lucas passou a infância revelam memórias do início de tudo, como as traves na praia da Moreninha, usadas para os trabalhos físicos na areia, e o campo do Municipal, clube em que o meia do Flamengo deu os primeiros passos no futebol, incentivado também pelo avô.
— Cresci com o Lucas e o irmão dele, o Matheus. Jogamos juntos no campeonato de Paquetá e somos amigos. Ele era diferenciado desde moleque, estava sempre brilhando. Falo com ele ainda hoje, com o irmão, o pai… Dá para ver no brilho do olhar dele que ele está muito feliz. Tenho muito orgulho dele e fico feliz de ver um amigo voltar para casa. Ele é referência para a gente de perseverança — disse Leandro Capetine, amigo de infância de Paquetá.
Capetine e Lucas foram amigos de infância em Paquetá
Arquivo pessoal
A casa onde o jogador do Flamengo foi criado está do mesmo jeito. A rua, Adelaíde Alambari, é a mesma do clube Municipal. A casa da professora Marli, com quem Lucas aprendeu a ler e a escrever, também fica a poucos passos do local em que ele cresceu.
— Aos 4 anos e meio ele já foi alfabetizado. Era um menino muito colaborador e comportado. Eu tinha uma filha com deficiência, e ele ajudava a empurrar a cadeira de rodas. Eles foram muito amigos. Foi uma história muito linda, com o avô fazendo tudo por ele, era o avô quem combinava comigo os horários das aulas, e Lucas era super dedicado, uma pessoa do bem. Hoje, está recebendo os frutos do que ele foi — comentou a “tia” Marli.
Casa onde Lucas cresceu na Ilha de Paquetá
Emanuelle Ribeiro
Lucas e os pais saíram da ilha quando ele tinha 11 anos. Mudaram-se para a zona oeste do Rio para o garoto ficar mais perto do CT do clube. Hoje, os moradores de Paquetá comemoram o retorno do meia ao Brasil:
— Uma alegria para a gente ver um filho de Paquetá voltar para o Flamengo. Como ele falou, ele agradece ao Flamengo, e a gente agradece a ele por ter voltado. Vai dar um final muito feliz, vamos ser campeões de tudo — profetizou César, da “Flaquetá”.
“Flaquetá”: torcida organizada do Flamengo na Ilha de Paquetá
Emanuelle Ribeiro
Uma mancha na história de Lucas com Paquetá
Em 2024, a ilha assombrou a vida de Lucas. Uma investigação de apostas suspeitas colocou o lugar no noticiário mundial. De acordo com o inquérito, dezenas de moradores de Paquetá teriam apostado que o jogador, então no West Ham (Inglaterra), levaria cartões amarelos em partidas da Premier League.
Segundo a investigação, Lucas Paquetá teria recebido os cartões de forma suspeita, levando ao lucro os apostadores. Caso fosse comprovado o envolvimento do atleta, ele poderia ser severamente punido pela federação inglesa, sendo até suspenso do futebol. Foram meses de tensão para o jogador do Flamengo até a absolvição, um ano depois.
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Mesmo inocentado das acusações, a investigação afetou a saúde mental de Lucas Paquetá, que não foi o mesmo desde então. Seis meses depois do julgamento, no fim de 2025, o meia entrou em contato com o Flamengo querendo voltar ao clube que o formou. A decisão pelo retorno passou pela vontade de recuperar a alegria de jogar futebol. Nada melhor do que fazer isso em casa.
— Talvez o Flamengo não precisasse de mim, mas eu precisava do Flamengo — afirmou o jogador na chegada ao Rio de Janeiro.
O problema ficou para trás e agora Lucas está a menos de uma hora de Paquetá. Referência para as crianças da ilha, que exibem com orgulho fotos tiradas com o jogador nas últimas visitas, o meia tem a chance de recriar os laços com o passado. Na visita do ge, o povo de Paquetá clamou pela volta do filho que leva o nome da ilha nas costas.
Moradora de Paquetá exibe foto com Lucas
Emanuelle Ribeiro
Lucas Paquetá com crianças da ilha
Arquivo pessoal
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