Irã diz que negociações com EUA sobre acordo nuclear terminaram ‘por enquanto’
Irã e EUA iniciam negociações diante de risco de conflito
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que as negociações sobre o acordo nuclear com os Estados Unidos terminaram “por enquanto” em declaração à TV estatal iraniana nesta sexta-feira (6).
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O anúncio causa frustração porque ocorre apenas algumas horas após o início das conversas entre representantes dos dois países em Omã.
O encontro começou pouco antes das 5h, no horário de Brasília, segundo a agência de notícias Reuters, e buscava que Washington e Teerã chegassem a um consenso diplomático em meio às ameaças mútuas feitas nas últimas semanas.
Horas antes da aguardada reunião com os EUA, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o país estava pronto para defender seus direitos e que “entraria na diplomacia com olhos abertos e uma memória firme do ano passado”.
“Os compromissos precisam ser honrados. Igualdade de posição, respeito mútuo e interesse mútuo não são retórica — eles são uma necessidade e os pilares de um acordo duradouro”, afirmou.
O Ministro das Relações Exteriores do Irã , Abbas Araghchi, e sua delegação partem para o local das negociações em Muscat, Omã
Ministério das Relações Exteriores do Irã /WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS
▶️ Contexto: O encontro ocorreu em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e do envio de reforços militares americanos para a região. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou preferir a via diplomática, mas disse que pode optar por uma ação militar caso não haja acordo.
Autoridades americanas e iranianas divergem sobre a pauta das negociações.
Os EUA querem limitar o alcance dos mísseis balísticos iranianos, acabar com o apoio de Teerã a grupos armados na região e interferir em questões internas do país.
Segundo a Casa Branca, Trump também quer “capacidade nuclear zero” do Irã.
O Irã defende que as conversas fiquem apenas entorno do programa nuclear do país.
O governo iraniano afirma que o programa nuclear tem fins pacíficos. Por outro lado, Estados Unidos e Israel acusam o país quer desenvolver armas nucleares.
Araqchi viajou para Omã na quinta-feira (5). Segundo o governo iraniano, o país participará das negociações com o objetivo de alcançar um entendimento “justo, mutuamente aceitável e digno” sobre a questão nuclear.
Araqchi deve se reunir em Mascate com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro e assessor do presidente norte-americano.
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Ameaças militares
Os porta-aviões USS Abraham Lincoln e um B-52H Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos realizaram manobras conjuntas em junho de 2019
Brian M. Wilbur/Forças Armadas dos EUA
Os EUA enviaram soldados, um porta-aviões, navios de guerra, aviões de combate, aeronaves de vigilância e aviões-tanque para o Oriente Médio para pressionar o Irã. Trump afirmou que “coisas ruins” provavelmente acontecerão se não houver acordo.
Na véspera do encontro, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o Irã deve lembrar que Trump, como comandante das Forças Armadas, dispõe de alternativas além da diplomacia.
Ao mesmo tempo, a TV estatal iraniana informou que um dos mísseis balísticos de longo alcance mais avançados do país, o Khorramshahr 4, foi posicionado em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária.
O míssil tem alcance de até 2.000 km e capacidade para transportar uma ogiva de até 1.500 kg.
Os EUA pressionam o Irã a adaptar os mísseis para um alcance menor.
Segundo fontes iranianas, os norte-americanos querem limitar esse alcance a cerca de 500 km.
Preocupação internacional
Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump
WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters
As ameaças de Trump e as promessas iranianas de contra-ataque levaram governos da região a tentar reduzir a tensão.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou trabalhar para evitar que o confronto se transforme em um novo conflito no Oriente Médio. Países árabes do Golfo temem que bases americanas em seus territórios se tornem alvos em caso de ataque ao Irã.
Além disso, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse haver “grande preocupação” com uma possível escalada e pediu que o Irã ajude a trazer estabilidade à região.
Já a China declarou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças de força e sanções.
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