Justiça determina penhora milionária após Ponte indicar receitas da CBF como garantia
Ponte Preta precisa vencer e contar com combinações pra sair do Z2
Com atrasos recorrentes nas parcelas do Plano Especial de Pagamento Trabalhista (PEPT), a Ponte Preta tinha até o dia 30 de janeiro para regularizar a situação ou propor uma alternativa para o pagamento. O clube indicou as receitas da CBF como garantia, a juíza Bruna Muller Stravinski, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, acatou a solicitação e determinou a penhora de R$ 1.540.000,00. São 10 meses de inadimplência.
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– Expeça-se ofício à CBF para a penhora e imediata transferência da importância de R$1.540.000,00 (um milhão e quinhentos e quarenta mil reais) decorrentes de toda e qualquer receita devida à Associação Atlética Ponte Preta, para pagamento das parcelas vencidas do Plano Especial de Pagamento Trabalhista, reunidas nesta execução piloto efetue a penhora e transferência de toda e qualquer receita devida à Associação Atlética Ponte Preta, presente e futura, até o limite da importância de R$1.540.000,00 (um milhão e quinhentos e quarenta mil reais) para pagamento das parcelas vencidas do Plano Especial de Pagamento Trabalhista, reunidas nesta execução piloto – diz a decisão da última terça-feira, 3 de fevereiro.
– Como temos a receita da Copa do Brasil prevista para receber em março, pedimos para segurar esses valores referentes ao atraso. Se a Ponte não regularizar depois de receber o pagamento da CBF, aí esse valor fica penhorado – explicou a advogada Talita Garcez, representante do departamento jurídico da Ponte no caso.
O PEPT trata-se de um acordo firmado pela Ponte com a Justiça do Trabalho em agosto de 2023, na gestão de Marco Antonio Eberlin (hoje vice-presidente e diretor de futebol), unificando as ações contra o clube em um processo piloto. O clube se comprometeu a realizar um depósito mensal por seis anos.
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Júlio César Costa/Especial PontePress
Na época, o valor da parcela era de R$ 120 mil – o que daria R$ 8,64 milhões ao fim do período, com uma revisão a cada dez meses para a inclusão de novas execuções posteriores a outubro de 2022 (data do pedido do clube), aumentando o montante mensal e também total – em agosto de 2023, por exemplo, eram 38 processos em execução provisória, dando aproximadamente mais R$ 11,1 milhões.
Entre os nomes que constam no processo unificado com ex-jogadores e ex-funcionários do clube estão Renato Cajá, Fábio Ferreira, Aranha, Doriva, Léo Gamalho, Alexandre Gallo – todos de gestões anteriores.
Hoje, a parcela gira em torno de R$ 150 mil. O presidente da Ponte, Luiz Torrano, se pronunciou sobre a situação em entrevista à Rádio Central, de Campinas.
– Realmente estamos atrasados. Conversamos (com a Justiça do Trabalho) e explicamos que vamos pagar agora no mês de fevereiro. Não é um bloqueio. É uma garantia. Nós que sugerimos isso. Se a gente não pagar esses 10 meses de R$ 150 mil, deixa em garantia. Se a gente pagar, suspende a garantia – afirmou Torrano.
Em novembro, o clube já tinha sofrido uma outra penhora de recursos por causa de uma dívida de R$ 1,2 milhão com o técnico Hélio dos Anjos – o processo é de 2023, quando ele deixou o clube por divergências com Eberlin.
Segundo Torrano, o cenário da Ponte “é muito complicado”, com o “caixa zerado”. A situação extracampo reflete diretamente dentro das quatro linhas.
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Com atrasos salariais desde meados de 2025, novas ações trabalhistas, saídas de jogadores sem nem estrear por causa dos problemas financeiros e transfer ban que impediu o registro de contratações nas três primeiras rodadas do Paulistão, tendo de recorrer às categorias de base para completar a escalação, a Ponte amarga a lanterna do estadual e está virtualmente rebaixada para a Série A2.
O time tem apenas um ponto em 18 possíveis (cinco derrotas e um empate até aqui) e precisa de uma combinação de resultados para escapar: ganhar as duas partidas restantes, contra Portuguesa (fora) e São Paulo (casa), e secar os concorrentes diretos. A queda pode ser sacramentada no sábado, quando a Ponte encara a Lusa, no Canindé, às 16h. geRead More


