Medalha Léo Batista: cidade natal faz homenagem e eterniza legado de ícone da comunicação
Um ano de saudade da voz marcante e eterna de Léo Batista
Cordeirópolis, cidade natal de Léo Batista, decidiu transformar gratidão em legado. A Câmara Municipal aprovou projeto de lei que institui a “Medalha Léo Batista” como a mais alta honraria do esporte local, eternizando o nome do jornalista nascido na cidade e reconhecido nacionalmente por sua trajetória histórica na televisão brasileira.
A antiga Medalha de Mérito Desportivo passa, a partir de agora, a carregar oficialmente o nome de Léo Batista, falecido em janeiro de 2025, aos 92 anos.
Ao oficializar a Medalha Léo Batista como principal honraria esportiva do município, Cordeirópolis estabelece uma ponte entre passado e futuro.
Léo Batista morreu em 2025 aos 92 anos
Manoella Mello/Globo
A condecoração será concedida anualmente ou em sessões solenes especiais a atletas, treinadores e personalidades que promovam o esporte e levem o nome da cidade adiante. Mais do que uma medalha, o reconhecimento passa a carregar uma história de dedicação, paixão e profissionalismo, valores que transformaram um garoto do interior em um dos maiores comunicadores do Brasil.
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Início no interior
João Baptista Belinaso Neto, como era o nome de batismo de Léo Batista, nasceu em 22 de julho de 1932. Ele iniciou a carreira na década de 40 após ser aprovado em um concurso para locutor do serviço de alto-falante da cidade.
Dos altos faltantes da praça central de Cordeirópolis, Léo Batista foi convidado para trabalhar em uma rádio em Birigui. Ele se destacou e conseguiu vaga na Rádio Difusora em Piracicaba.
Léo Batista foi velado em Cordeirópolis, sua cidade natal
Oscar Herculano/ EPTV
Léo Batista atuou em Piracicaba nos primeiros anos da trajetória profissional antes de seguir para o Rio de Janeiro. Por uma rádio da cidade, onde cobria jogos do XV de Piracicaba, o locutor foi chamado para narrar a final da Copa de 1950, em que o Brasil perdeu para o Uruguai.
1950, a primeira Copa do Mundo
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Em 16 de julho de 1950, Léo Batista precisava transmitir o final da Copa do Mundo, em que o Brasil perdeu para o Uruguai. Na época dos locutores chegava dos estádios para as emissoras por meio de linhas de telefone fixo. Um problema na distribuição dos fios deixou o locutor sem poder narrar a partida.
Em 1955, trocou o rádio pela televisão quando foi contratado pela TV Rio. Em 1963, no Maracanã, ajudou uma equipe de rádio com quem tinha trabalhado em Piracicaba.
— Nós estávamos colocados atrás das cabines principais do Maracanã. Com a chuva, molhou todo o meu equipamento. Então, fui procurar o senhor Léo Batista. Ele me ajudou. Pediu para um técnico instalar o meu equipamento para poder narrar o jogo. Nossa, ele atendeu com uma grande educação, alegre e perguntando como estava Piracicaba e o XV — relembrou Ulysses.
Voz marcante
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Dono de uma “voz marcante”, como ficou conhecido, ele estava internado desde 6 de janeiro no Hospital Rios D’Or, na Freguesia, Zona Oeste do Rio. Ele foi diagnosticado com um tumor no pâncreas.
Em mais de 70 anos de carreira, Léo Batista deu voz a notícias como a morte de Getúlio Vargas e participou de quase todos os telejornais da TV Globo, onde trabalhou por 55 anos – até pouco antes de ser internado.
Foi o primeiro apresentador da história do Globo Esporte, em 1978. O programa de estreia tinha como destaque a conquista do título brasileiro do Guarani. geRead More


