O efeito ICE: cresce a demanda por treinamento e porte de armas entre grupos progressistas nos EUA
Uma nova tendência já é detectável entre os grupos considerados progressistas nos EUA. A tradicional aversão às armas de fogo cede lugar à defesa da Segunda Emenda da Constituição, que protege o direito legal dos cidadãos de portar esses equipamentos —- postura geralmente alinhada aos conservadores.
A procura por aulas de instrução para obter a licença e pela compra de armas aumentou em Minneapolis desde que o governo federal mandou cerca de três mil agentes à cidade para caçar imigrantes. Os assassinatos de dois cidadãos americanos — Renee Good e Alex Pretti — intensificou o movimento, constatou Steven Rogers, dono de uma empresa de segurança.
“A maioria das pessoas tem medo do ICE. Há também aqueles que temem a violência generalizada”, ponderou ele à rede NBC.
Em alguns estabelecimentos, a demanda de interessados em aprender a manejar armas quadruplicou após os distúrbios em Minneapolis. Grupos de tiro constatam a presença de pessoas que se identificam como progressistas, mas querem ter armas para se defender diante da truculenta política anti-imigratória do governo Trump.
Esta tendência também se reflete no resto do país, especialmente em cidades consideradas democratas, alvos de batidas do Serviço de Imigração e Alfândega.
Estima-se que um terço dos americanos tenha armas de fogo, totalizando cerca 500 milhões de equipamentos no país. Antes reservado a republicanos e homens, o interesse passou a envolver um número crescente de mulheres e pessoas LGBTQIA+, segundo detectaram comerciantes e instrutores.
O enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, portava uma pistola quando foi morto com dez tiros por agentes federais. Tinha licença para usá-la e não a tirou do bolso. Mas o fato de estar armado foi usado como pretexto pelas autoridades federais para justificar a morte, enfurecendo os correligionários de Trump e os aliados da Associação Nacional de Rifles.
Este argumento embaralhou o jogo e aparentemente pôs os dois grupos na mesma linha de frente — a de ter armas para defender-se — realimentando o ciclo da violência.g1 > Mundo Read More


