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Operação Derby: os próximos passos do caso que acusa filho de Popó por aliciamento de jogadores

Operação Derby: os próximos passos do caso que acusa filho de Popó por aliciamento de jogadores

MP-PR denuncia filho do Popó por tentativa de manipulação por apostas
A Operação Derby, que investiga o aliciamento de jogadores para manipular jogos das três principais divisões do Campeonato Brasileiro, terá andamento na Justiça. A denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR) foi aceita pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina.
São três acusados: o empresário Igor Freitas, filho do boxeador Acelino Freitas, o Popó, o sócio dele, Rodrigo Rossi, e Raphael Ribeiro. Eles são réus pelos crimes de associação criminosa e corrupção em âmbito desportivo, contemplados respectivamente na Lei 288 do Código Penal e na Lei Geral do Esporte (Lei 14.587/2023).
Caso sejam condenados pela Justiça, as penas podem variar de dois a seis anos de reclusão, além pagamento de multa.
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O MP-PR também pediu que a Justiça determine o pagamento de dano moral coletivo no valor de R$ 150 mil, como forma de reparação do prejuízo causado à integridade e à incerteza do resultado esportivo.
O processo terá sequência dentro dos trâmites da Justiça, com citação dos réus, depoimentos de testemunhas e a sentença.
– Agora os réus serão citados, terão prazo para apresentar resposta à acusação. Após a resposta à acusação, a audiência de instrução e julgamento, a oitiva de testemunhas do Ministério Público, da defesa, e por fim os interrogatórios, alegações finais e sentença. Os que foram abordados são incluídos como testemunhas – detalhou o promotor Jorge Barreto, coordenador do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Entenda o caso
A Operação Derby foi deflagrada em setembro de 2025 e apurou inicialmente a suposta oferta de R$ 15 mil a pelo menos três jogadores do Londrina para tomarem cartão amarelo em um jogo da Série C, contra o Maringá.
Na terça-feira, dia 4 de fevereiro, o MP-PR denunciou o empresário Igor Freitas, filho do boxeador Acelino Freitas, o Popó, o sócio dele, Rodrigo Rossi, e Raphael Ribeiro por possível tentativa de aliciamento de jogadores para manipular partidas das três principais divisões do Campeonato Brasileiro. A Justiça aceitou a denúncia.
As investigações começaram após dos jogadores do Londrina denunciarem que tinham sido procurados por Igor Freitas e Rodrigo Rossi para receberem cartões amarelos no jogo contra o Maringá, na Série C do Brasileiro de 2025, em troca de dinheiro.
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Gaeco investiga tentativa de manipulação em jogo do Londrina
Em setembro passado, na deflagração da Operação Derby, o Núcleo de Londrina do Gaeco cumpriu mandados de busca em Salvador e Itapema, em parceria com os órgãos de segurança da Bahia e de Santa Catarina. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e dois mandados de busca pessoal.
Segundo a denúncia do MP-PR, Igor Freitas fez contato com os jogadores pelo Instagram e pelo WhatsApp se apresentando como filho de Popó e “empresário e representante com acesso direto às maiores empresas do mercado nacional”, “atuando em projetos estratégicos, ativações e negociações de patrocínios e parcerias”.
Em seguida, ele encaminhava os números dos atletas para Rodrigo dar prosseguimento às conversas. Freitas se referia ao colega como alguém que lida “com mais de 25 casas de apostas legalizadas no Brasil”.
A denúncia mostra que um dos jogadores procurados pelo trio foi o lateral-esquerdo Reinaldo, do Mirassol. Em agosto de 2025, ele foi abordado por Rodrigo Rossi, que o enviou um áudio no WhatsApp seguido de uma mensagem de visualização única. O atleta, então, responde:
“Irmão, obrigado. Não faço isso, já falei, irmão”, respondeu Reinaldo, à tentativa de aliciamento.
Reinaldo, do Mirassol, recusa tentativa de aliciamento
Reprodução/MP-PR
De acordo com a investigação, os denunciados também tentaram aliciar jogadores de clubes das Séries B e C do Campeonato Brasileiro. Em um dos diálogos, Raphael orienta que Rodrigo “feche os 2 do Goiás e 1 do Sport”.
Em contato com o ge, a defesa de Igor Freitas alegou sua inocência, afirmou que “rechaça de forma veemente as acusações apresentadas, por entendê-las levianas e desprovidas de lastro fático e probatório consistente” e ainda contestou as evidências apresentadas na denúncia.
A reportagem tentou contato com as defesas de Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro, mas não obteve resposta até o momento. A matéria será atualizada em caso de posicionamento.
Veja a nota da defesa de Igor Freitas
NOTA À IMPRENSA
A defesa do senhor Igor Gutierrez Freitas vem a público manifestar-se a respeito das denúncias recentemente divulgadas no âmbito da denominada “Operação Derby”.
Desde já, a defesa rechaça de forma veemente as acusações apresentadas, por entendê-las levianas e desprovidas de lastro fático e probatório consistente. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de maneira precipitada, sem a devida cautela e sem a necessária sustentação em fatos concretos que justifiquem a imputação formulada contra o senhor Igor.
Ressalta-se que as alegações constantes na denúncia serão oportunamente esclarecidas no curso regular do processo, momento em que se demonstrará a inocência do investigado. A defesa confia que a análise técnica e imparcial dos elementos constantes dos autos evidenciará as fragilidades do procedimento, o qual, desde já, se entende marcado por vícios que comprometem sua regularidade e legitimidade.
Reafirma-se, ainda, o compromisso do senhor Igor Gutierrez Freitas com o pleno esclarecimento dos fatos e com o respeito às instituições, bem como a confiança no devido processo legal e no Poder Judiciário para o restabelecimento da verdade.
Por fim, a defesa informa que estará à disposição da imprensa e das autoridades competentes para prestar esclarecimentos adicionais amanhã, dia 06 de fevereiro de 2026, em horário e local a serem oportunamente divulgados.
Igor José Ogar
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