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Otan lança missão ‘Sentinela do Ártico’ e reforça presença militar na Groenlândia

Otan lança missão ‘Sentinela do Ártico’ e reforça presença militar na Groenlândia

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) lançou oficialmente, nesta quarta-feira (11), a missão Arctic Sentry (Sentinela do Ártico, em tradução literal), iniciativa que marca um novo patamar da presença militar da aliança no Ártico. A operação tem como objetivo fortalecer a coordenação estratégica, ampliar a vigilância e responder ao aumento da atividade russa e chinesa em uma das regiões mais sensíveis do planeta. As informações são da Radio Free Europe.

O lançamento ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Dinamarca e Estados Unidos sobre o futuro político da Groenlândia. Segundo diplomatas ouvidos pela reportagem, a missão surge como uma alternativa para reduzir atritos entre aliados e, ao mesmo tempo, consolidar um papel mais ativo da Otan no extremo norte.

Royal Marines durante exercício Cold Response 22, da Otan, no Círculo Polar Ártico (Foto: WikiCommons)

A decisão foi consolidada após reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, realizada no mês passado em Davos, na Suíça. Na ocasião, ficou definido que a aliança deveria ampliar sua atuação na Groenlândia para conter possíveis interferências externas e proteger interesses estratégicos no Ártico.

Em coletiva de imprensa em Bruxelas, Rutte afirmou que a Arctic Sentry reunirá, pela primeira vez, todas as operações da Otan no Ártico sob um comando único. Segundo ele, a iniciativa permitirá ampliar ações já existentes e preencher lacunas operacionais, diante do crescimento da presença russa e chinesa na região.

A comandante suprema aliada da Otan para a Europa, Alexus Grynkewich, destacou em comunicado que a missão reforça o compromisso da aliança com a segurança coletiva e a estabilidade em um ambiente estratégico e ambientalmente desafiador. De acordo com ela, a operação buscará garantir que o Ártico e o Alto Norte permaneçam seguros.

A Otan informou que a missão terá caráter multidomínio, abrangendo operações aéreas, marítimas e terrestres. Ainda não foram divulgados detalhes sobre o número de países participantes nem sobre o efetivo envolvido. Exercícios militares já em andamento, como o Arctic Endurance, realizado pela Dinamarca com outros 11 países europeus, e o Cold Response, que ocorrerá no norte da Noruega e da Finlândia com cerca de 25 mil soldados, integrarão a nova missão.

Sete dos oito países considerados árticos são membros da Otan, com exceção da Rússia. Embora o tráfego naval russo e chinês ainda seja limitado nas águas próximas à Groenlândia, a aliança avalia que o derretimento do gelo marinho e a abertura de novas rotas comerciais podem alterar rapidamente o equilíbrio estratégico da região.

A Arctic Sentry segue o modelo de outras missões criadas pela Otan em 2025, como as operações no Mar Báltico, após denúncias de sabotagem de cabos submarinos, e no flanco oriental da aliança, em resposta a incursões de drones russos.

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