Polícia intima investigada a depor em inquérito sobre venda ilegal de camarotes no São Paulo
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A Polícia Civil de São Paulo intimou Rita de Cássia Adriana Prado a depor no inquérito que investiga a exploração ilegal clandestina de camarotes do Morumbis. A oitiva será nesta terça-feira, às 10h.
Adriana é investigada como intermediária em um esquema ilegal que envolve Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto da base do São Paulo, e Mara Casares, ex-diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do ex-presidente Julio Casares.
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O caso está sob cuidados do Departamento de Polícia de Proteção a Cidadania (DPPC) e da terceira delegacia, responsável por casos de lavagem de dinheiro, em ação conjunta com o Ministério Público. O delegado encarregado é Tiago Fernando Correia.
A força-tarefa investiga possíveis irregularidades cometidas por diretores do clube durante a gestão do então presidente Julio Casares, entre 2021 e janeiro de 2026. São três inquéritos distintos, todos tratando o São Paulo como possível vítima. Além do caso do camarote, também são apuradas suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção no clube social, que ainda não resultaram em intimações.
Camarote “3A” do Morumbis
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Em novembro do ano passado, um áudio obtido pelo ge revelou a participação de Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, e de Mara Casares, então diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do presidente Julio Casares, em um suposto esquema que teria causado prejuízo ao clube.
Será o primeiro depoimento do caso. Douglas Schwartzmann e Mara Casares ainda não foram intimados, e novas oitivas só serão convocadas caso a Polícia considere necessário após o depoimento de Adriana.
Relembre o caso
O áudio obtido pelo ge cita utilização de um camarote no setor leste do estádio, identificado internamente como “sala presidencial”. Segundo arquivo, o direito de uso do espaço teria sido repassado por dirigentes a Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como intermediária no esquema e terceira participante da conversa.
Ela seria a responsável pela exploração do camarote, com ingressos vendidos por valores que chegaram a R$ 2,1 mil na apresentação da cantora colombiana Shakira, que aconteceu em fevereiro de 2025. Apenas com o camarote 3A, o faturamento estimado foi de R$ 132 mil.
Áudio revela esquema de diretores do São Paulo para venda ilegal de camarote
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Adriana, porém, se tornou um problema para Mara e Douglas nos meses seguintes. Em 10 de junho, a empresa dela, The Guardians Entretenimento Ltda., ingressou com uma ação na 3ª Vara Cível de São Paulo contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda.
No processo, Adriana afirma que Carolina retirou, sem autorização, um envelope com 60 ingressos do camarote 3A do Morumbis em 13 de fevereiro, data da apresentação. Carolina, por sua vez, sustenta que foi enganada, diz ser vítima e afirma ter sofrido prejuízos, além de alegar que vem sendo caluniada.
Adriana também registrou boletim de ocorrência na 34ª Delegacia de Polícia de São Paulo. Com a disputa judicial instaurada, Douglas e Mara teriam passado a pressioná-la para retirar a ação antes que o caso viesse a público. Foi quando ocorreu a conversa entre os três. Em um dos trechos de maior repercussão, Douglas afirma:
– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou.
O desgaste político provocado pela denúncia culminou na aprovação do impeachment de Julio Casares pelo Conselho Deliberativo do clube. Casares renunciou à presidência antes da votação final, na Assembleia Geral dos sócios.
Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto da base do São Paulo, e Mara Casares também serão investigados pela Comissão de Ética do clube.
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