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Refinarias dos EUA enfrentam aumento repentino na importação de petróleo venezuelano

Refinarias dos EUA enfrentam aumento repentino na importação de petróleo venezuelano

 Legislativo da Venezuela aprova flexibilização do controle estatal sobre petróleo
As refinarias de petróleo da Costa do Golfo dos Estados Unidos enfrentam dificuldades para absorver o rápido aumento dos embarques de petróleo venezuelano após o acordo de fornecimento de US$ 2 bilhões firmado no mês passado entre Caracas e Washington.
O excesso de oferta tem pressionado os preços e deixado parte dos volumes sem comprador, segundo operadores do mercado e dados de embarque.
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A demanda mais fraca nos EUA surge como um obstáculo inicial aos planos do presidente Donald Trump de direcionar a maior parte do petróleo venezuelano ao mercado americano. Essa estratégia ganhou força após a operação em Caracas que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no mês passado.
Após o episódio, as tradings Vitol e Trafigura receberam licenças do governo dos EUA para negociar e vender milhões de barris de petróleo venezuelano. As duas empresas se juntaram à Chevron, que já tinha autorização para exportar o petróleo do país sul-americano.
Inicialmente, algumas cargas foram vendidas a refinarias nos EUA e na Europa, mas o aumento simultâneo das exportações tem dificultado a busca por compradores suficientes, especialmente na Costa do Golfo.
“Estamos todos enfrentando esse problema, em que há mais para vender e não há compradores suficientes”, disse um dos operadores, citando a relutância das refinarias americanas em comprar petróleo venezuelano.
Algumas refinarias estão reclamando que os preços, embora em queda, continuam altos em comparação com os graus pesados canadenses concorrentes.
Atualmente, cargas de petróleo pesado venezuelano para entrega na Costa do Golfo estão sendo oferecidas com desconto de cerca de US$ 9,50 por barril em relação ao Brent, ante descontos entre US$ 6 e US$ 7,50 registrados em meados de janeiro.
No mês passado, as exportações totais de petróleo venezuelano para os Estados Unidos quase triplicaram, chegando a 284 mil barris por dia, segundo dados baseados no movimento de navios.
Antes das sanções impostas por Washington em 2019, os EUA importavam cerca de 500 mil barris diários do país. Esse volume caiu a zero em meados de 2025, após Trump revogar todas as licenças de comercialização e transporte.
Segundo operadores, levará tempo até que as refinarias americanas consigam operar novamente em capacidade máxima com o petróleo venezuelano, já que algumas instalações precisam de ajustes para processar tipos mais pesados.
O presidente-executivo da Phillips 66, Mark Lashier, afirmou que a empresa pode processar cerca de 250 mil barris por dia desse petróleo, desde que os preços sejam competitivos.
A Chevron e a Trafigura não comentaram o assunto. A estatal venezuelana PDVSA e a Vitol não responderam aos pedidos de comentário.
Maior concorrência
A Chevron, cuja licença permite exportar petróleo venezuelano apenas para os Estados Unidos, elevou seus embarques para 220 mil barris por dia em janeiro, ante 99 mil em dezembro.
O presidente-executivo da empresa, Mike Wirth, afirmou que a rede de refino da Chevron consegue processar até 150 mil barris diários dos tipos pesados da Venezuela, o que indica a necessidade de armazenar ou revender o excedente.
Atualmente, a companhia produz cerca de 250 mil barris por dia na Venezuela e vê potencial para aumentar esse volume em até 50% nos próximos 18 a 24 meses, caso o governo americano autorize a expansão das operações.
Dados recentes de monitoramento de navios mostram petroleiros fretados pela Chevron carregados com petróleo venezuelano aguardando dias para descarregar em portos dos EUA ou reduzindo a velocidade de navegação.
Uma fonte familiarizada com as operações da empresa afirmou que atrasos provocados por um bloqueio dos EUA à Venezuela entre dezembro e janeiro exigiram a renegociação de datas de descarga, mas garantiu que todas as cargas foram vendidas antes da partida.
Enquanto isso, Vitol e Trafigura exportaram cerca de 12 milhões de barris — o equivalente a aproximadamente 392 mil barris por dia — dos portos venezuelanos em janeiro, principalmente para terminais de armazenamento no Caribe.
Grande parte desse volume ainda não foi vendida, segundo fontes.
No total, as exportações de petróleo da Venezuela saltaram para cerca de 800 mil barris por dia no mês passado, ante 498 mil em dezembro.
A China, que era o principal destino do petróleo venezuelano, deixou de receber cargas desde a captura de Maduro no início de janeiro. Após o episódio, os EUA afirmaram que passariam a controlar as vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado.
Embora a China ainda tenha permissão para comprar o produto, autoridades americanas disseram que isso não deve ocorrer a preços considerados abaixo do valor de mercado.
Pequim rejeitou o controle americano sobre as exportações venezuelanas. A estatal chinesa PetroChina, que era a maior compradora do petróleo do país, orientou comerciantes a suspenderem novas negociações enquanto avalia o cenário.
Uma alternativa para escoar o petróleo venezuelano pode surgir na Índia.
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No mês passado, a indiana Reliance Industries informou que estuda importar petróleo da Venezuela.
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