Sobrevivente designado: o escolhido para assumir a presidência dos EUA se toda a cúpula do governo morrer
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 6 de fevereiro de 2026
REUTERS/Ken Cedeno
Em todo discurso que reúne toda a cúpula de governo dos EUA, uma pessoa é escolhida para não participar do encontro e ser o sobrevivente designado caso alguma catástrofe aconteça.
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Nesta terça-feira (24), Donald Trump faz o tradicional “Discurso sobre o Estado da União” — uma fala anual no Congresso, no qual o presidente fala sobre suas prioridades de governo.
Além de Trump e dos congressistas, quase todos os membros do alto escalão do governo estarão no Capitólio — a sede do Legislativo norte-americano, em Washington — no momento do discurso.
Quase todos, porque um deles fica de fora do discurso e também de Washington para cumprir uma das funções mais intrigantes do governo dos EUA: a do sobrevivente designado, uma figura criada na Guerra Fria que assume nada menos que a presidência da maior potência mundial em caso de uma hecatombe ou um atentado terrorista que matasse todas as autoridades.
Até hoje, um evento dessas proporções só aconteceu na ficção: na série “Designated Survivor” (2016), estrelada por Kiefer Sutherland. Mas, todos os anos, um nome diferente é escolhido para a função.
Entenda, abaixo, como funciona a escolha do sobrevivente designado e como o cargo foi criado:
Linha de sucessão
Todos os anos, um membro da cúpula do Executivo é escolhido para se ausentar em discursos presidenciais que envolvam todos os integrantes do governo dos EUA — como os discursos anuais do Estado da União, por exemplo — para garantir a continuidade do governo em caso de uma tragédia.
O discurso de Trump desta terça-feira (24) não será diferente. Como vice-presidente e presidentes das casas legislativas estão sempre presentes no evento, o sobrevivente designado costuma ser escolhido entre os postos mais baixos da linha de sucessão.
O sobrevivente designado então é levado para fora da capital para um local secreto, sob forte proteção, onde permanece durante toda a noite.
Nos EUA, a linha de sucessão presidencial se estende por uma série de mais de uma dezena de nomes. A tradição de se escolher um sobrevivente designado teve início nos anos 1950 e remonta à Guerra Fria entre Estados Unidos e a então União Soviética.
Em caso de morte ou impedimento do presidente, quem assume é o vice-presidente – nos EUA, o vice também exerce o cargo de presidente do Senado, apesar de não ser um senador.
O número dois da linha sucessória é o Presidente da Câmara dos Deputados, seguido pelo presidente “pro tempore” do Senado (um senador escolhido pela Casa que assume a liderança desta em caso de ausência do vice-presidente).
Em seguida, vêm os secretários do Executivo: primeiro o secretário de Estado, seguido pelo do Tesouro, da Defesa, Advogado-Geral, do Interior etc.
A identidade do sobrevivente designado só foi tornada pública a partir dos anos 1980. Desde então, o ranking mais alto a ser escolhido para a função foi o Advogado-Geral, sétimo na linha sucessória.
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Fascínio
Para o historiador norte-americano Garrett Graff, o conceito de sobrevivente designado há muito tempo cativa as pessoas porque combina o fascínio inerente do público com o perigo e o romance de um “homem comum” sendo empurrado para a presidência.
“A ideia de que você é apenas um oficial aleatório do gabinete e, então, algo terrível acontece e, de repente, você é o presidente dos Estados Unidos”, disse Graff à agência de notícias Associated Press, autor de “Raven Rock: A história do plano secreto do governo dos EUA para se salvar — enquanto o resto de nós morremos”.g1 > Mundo Read More


