Textor cita acerto com Thairo, e clube social surge como última pendência por aporte no Botafogo
Dono da SAF do Botafogo, John Textor se reuniu neste domingo com o presidente do associativo, João Paulo Magalhães Lins, após a derrota por 1 a 0 para o Fluminense no estádio Nilton Santos. O principal assunto do encontro foi também o mais urgente nos bastidores do Botafogo: o novo aporte financeiro esperado para os cofres do clube, que vive momento financeiro delicado e ainda está penalizado com um transfer ban.
Em conversa com o ge, tanto Textor quanto João Paulo detalharam o debate que se estende há alguns dias entre as partes. Na última quinta-feira, o clube social cobrou garantias de sustentabilidade financeira em uma reunião; no dia seguinte, Textor e João Paulo se reuniram com o banco BTG Pactual em São Paulo. Agora, prevalece o entendimento de que o aval do associativo é a última pendência para a entrada do dinheiro nos cofres.
— Eu quero esclarecer exatamente onde estamos em relação ao aporte. Eu fiquei desapontado por não conseguir abordar as complexidades disso na quinta-feira, porque queríamos fazer um anúncio significativo antes do jogo contra o Cruzeiro. (A goleada por) 4 a 0 sobre o Cruzeiro, caso alguém tenha esquecido. Nós temos mais do que US$ 25 milhões em uma conta. É a primeira parcela de um financiamento muito maior que nós estamos aqui detalhando e descrevendo mais profundamente em benefício do clube social. Neste momento, a Ares tem, na verdade, apoiado. Pode ter havido algumas indicações contrárias, mas a Ares apoia a entrada de dinheiro no clube. A Eagle Bidco, o Conselho inteiro antes de eu fazer mudanças, aprovou a resolução em apoio a esse financiamento.
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João Paulo Magalhães Lins e John Textor, presidente e dono da SAF do Botafogo, respectivamente
Bárbara Mendonça/ge
A direção (da SAF, refere-se ao CEO Thairo) agora está totalmente alinhada. O apoio que precisamos da direção existe. Mas é um financiamento bastante complicado, e há muita coisa envolvida. Não estamos só tentando financiar essa janela de transferência, o transfer ban. Queremos garantir que resolvemos esse problema de vez, e que vamos capitalizar propriamente um clube a nível de (disputar) campeonatos daqui em diante. O clube social está tendo que digerir muitos detalhes de forma muito rápida. A viagem ao BTG (em São Paulo) não foi como tem sido reportada, pedindo dinheiro a um banco. Eles são um ótimo assessor financeiro do clube social, e foi importante que nós explicássemos tudo a eles. Aproveitamos a nossa viagem juntos, ainda temos algum trabalho a fazer, mas esperamos resolver tudo rapidamente.
Os sócios para o aporte são a GDA Luma Capital e Hutton Capital. Ainda que este não seja um requisito legal para a celebração do contrato, Textor mencionou que os novos investidores gostariam de uma unanimidade. Isso inclui Textor, Thairo e o próprio clube social, que é acionista minoritário da SAF.
— É importante que você tenha aprovação de todos na organização. O novo capital (investidores) gosta de saber que todos estão a bordo. Ninguém quer financiar uma nova situação onde você tem um parceiro significativo, como o clube social, que não esteja a par de todos os documentos, e não entenda o porquê de estar acontecendo. Nenhum investidor neste tipo de situação gostaria de que questionassem a validade do aporte, dos documentos. E isso é bastante habitual. Ninguém quer financiar (uma situação) com votos distintos. É um requisito bastante comum entre pessoas com bastante capital em jogo — disse Textor.
CEO do Botafogo, Thairo Arruda chegou a se afastar de Textor por discordâncias. Os dois ficaram sem se falar por dias, com um clima de guerra fria nos bastidores. Agora, segundo o americano, o assunto ficou para trás. Procurado pela reportagem, Thairo ainda não se manifestou.
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John Textor entre João Paulo Magalhães e Durcesio Mello
Vítor Silva/Botafogo
— Ele apoia a entrada do capital. Certamente tivemos um debate acalorado sobre como estruturar, quais fontes iríamos considerar e alternativas. Você ouviu muito sobre isso. No fim, eu sou o dono. Sou o acionista majoritário da Eagle Holdings, da Eagle Midco, o único diretor da Eagle Bidco. Sou o dono, e é comum ter um debate entre o dono e um diretor. Mas, no fim, é a minha decisão. Agora, há apenas um outro acionista na mesa, que é o clube social. Estamos trabalhando juntos — explicou Textor, acrescentando:
— Acho que é uma situação muito maior do que o Botafogo. É uma transação em que estamos buscando refinanciar o nosso credor da Eagle (Ares). A razão para estarmos fazendo e reestruturando coisas tem muito a ver com a estratégia global, que não afeta só o Botafogo. Eu não tenho certeza se ele (Thairo) tinha a dimensão total (da situação).
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Sem passagem comprada de volta aos Estados Unidos, Textor permanecerá no Rio de Janeiro até que a situação seja resolvida por completo. Há uma expectativa de que o clube social formalize o apoio ao aporte até a próxima quarta-feira.
— Tenho dito desde o início que a gente apoia o profissionalismo do futebol, uma gestão moderna. Com certeza, se for algo que se prove positivo, vai contar com o nosso apoio. A gente trouxe um parceiro institucional para nos ajudar a entender. Às vezes, há coisas muito sofisticadas que a gente precisa de ajuda para ter um entendimento melhor, para podermos tomar a melhor decisão de forma profissional. Falamos para o John: “a gente gosta do Botafogo, não gostamos de pessoas. Gostamos do Botafogo bem”. Vamos sempre tomar as melhores decisões profissionais para o Botafogo, o que for uma recomendação profissional nós vamos fazer sempre. O que fomos fazer em São Paulo foi isso: fomos em busca de conversas. Realmente, uma oportunidade. Fomos analisar, foi um bate-papo, e estamos aqui conversando. Domingo, 1h da manhã, pós-jogo, para termos uma solução o quanto antes — afirmou João Paulo Magalhães Lins.
— O clube social é sócio da SAF e o relacionamento sempre foi, sempre será bom. O fato de você perguntar alguma coisa não quer dizer que você brigou com a pessoa. O Botafogo não briga com a SAF. Somos apoiadores. Somos um só Botafogo. Essa coisa de ficar separando é uma estranhíssima. A gente só quer que o melhor aconteça — completou o presidente.
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