Veja os pecados capitais que levam o Flamengo a um início de ano conturbado em 2026
De quem é a responsabilidade no Flamengo? “Erros não estão só na conta do Filipe Luís”
Após viver o seu ano mais vitorioso na história em 2025, o Flamengo viu a confiança ruir em dois meses e perdeu o segundo título da temporada de 2026. Com uma série de erros nos mais diferentes âmbitos, o clube vive a pior crise em algum tempo e precisa juntar os cacos para tentar virar a chave. O ge lista os pecados capitais no ano até aqui.
Desgaste na renovação com Filipe Luís
Mal a temporada de 2025 terminou, o Flamengo já encontrou o primeiro obstáculo: a renovação de Filipe Luís. As negociações duraram praticamente o ano inteiro, mas chegaram a um estágio decisivo depois do Intercontinental. O clube tinha a intenção de anunciar até 25 de dezembro, mas o acerto ficou para o dia 29, com acordo até o fim de 2027.
A questão financeira foi o principal empecilho, mas o Fla esticou a corda e chegou perto do que Filipe pediu. Bonificações e multa rescisória foram outros pontos que o clube precisou flexibilizar para manter o técnico. Mas o ex-lateral também precisou ceder, reduzir a pedida e aceitar o pacote oferecido que já incluía as remunerações dos seus dois auxiliares: o espanhol Ivan Palanco e o preparador físico Diogo Linhares. As partes chegaram perto de uma desistência, mas houve acordo. O processo gerou desgaste para todos os lados.
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Inflacionou o mercado
Ainda em dezembro, o presidente Bap afirmou que o Flamengo poderia gastar R$ 1 bilhão só em contratações para reforçar o time em 2026. Depois disso, em fevereiro, disse ter “capacidade financeira para gastar 40% ou 50% a mais” do que gasta atualmente. Dentro do futebol, o entendimento foi de que essas falas ajudaram a inflacionar o mercado. Isso também aumentou a pressão por resultados e contratações.
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Planejamento frágil
O Flamengo decidiu iniciar o Campeonato Carioca com o time sub-20 e tinha um planejamento inicial de ir até a quinta rodada da Taça Guanabara com uma equipe alternativa. O péssimo desempenho nos três primeiros jogos com a garotada, porém, fez o projeto mudar. Por uma ordem de Bap, a comissão técnica precisou recalcular rota e definir o retorno dos profissionais.
A mudança gerou incômodo interno. Dias antes, Filipe Luís chegou a reunir o elenco e falar que ninguém jogaria, mas logo depois o grupo foi avisado que quase todos iriam para o clássico com o Vasco. Nos bastidores, a questão institucional se sobrepôs ao quesito técnico e aos planos do departamento médico.
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Filipe Luís e jogadores do Flamengo após derrota para o Lanús
André Durão
Físico abaixo
O Flamengo foi a equipe com férias mais longas entre os times da Série A, retornando ao Ninho apenas no dia 12 de janeiro. Na volta, alguns jogadores se apresentaram com índices ruins, o que fez com que o planejamento individual precisasse ser ainda mais cuidadoso. A demora em relação aos concorrentes ficou clara durante as partidas, com os adversários sobrando fisicamente em vários momentos.
Até aqui, o Fla sofreu para dar uma resposta nesse sentido. A equipe terminou a partida diante do Lanús extenuada, com alguns jogadores sem condições de correr. Filipe Luís esperava ter um grupo perto do 100% na Recopa, mas não foi isso que aconteceu.
Mercado falho
O Flamengo tinha três prioridades na janela de transferências: um zagueiro, um goleiro e um centroavante. As duas primeiras foram resolvidas sem muita novela. Porém, a necessidade de um reforço para disputar posição com Pedro, especialmente com a má fase do camisa 9 após a lesão no fim do ano passado e a saída de Juninho, continua. A diretoria foi com tudo para cima de Kaio Jorge, mas o Cruzeiro não abriu mão de seu artilheiro.
Outra opção era o argentino Taty Castellanos, que acabou contratado pelo West Ham. Sem outros alvos, a procura estagnou. Como a janela fecha na próxima terça-feira, essa contratação deve ficar só para o meio do ano. Depois de terça, apenas jogadores que disputaram os estaduais poderão ser contratados até 27 de março.
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Mudanças constantes de escalação
A limitação física está determinando um outro problema no Flamengo: as escalações. Precisando fazer um controle de carga para equilibrar o desgaste, Filipe Luís não conseguiu repetir escalações entre as partidas. O Carioca está servindo como uma possibilidade de poupar atletas tentando priorizar os grandes jogos, mas nem isso está adiantando. As mudanças constantes acabam fazendo com que o time não tenha constância entre os titulares e nem uma base pronta. O ataque é o setor que mais muda.
Erros técnicos
A defesa que foi referência para o Flamengo em 2025 se tornou um ponto de atenção em 2026. Se a torcida viu Léo Pereira e Léo Ortiz soberanos na temporada vencedora do ano passado, neste ano a situação virou completamente. Além dos dois, todo quarteto de defesa está contestado. Em 11 jogos com o grupo principal (sem contar o sub-20), foram 14 gols sofridos. Essa insegurança é explicada, em partes, pela quantidade de erros técnicos.
A falha de Ayrton Lucas no primeiro gol do Lanús foi apenas mais uma dentre várias no Fla neste ano. Na estreia do Brasileirão, contra o São Paulo, a desatenção abriu caminho para a derrota. Problemas com erros similares também aconteceram contra Fluminense, Internacional e Corinthians.
Arrascaeta em Flamengo x Lanús
André Durão
Falta de adaptação ao calendário
O grande desafio para a temporada 2026 é como as equipes vão se adaptar ao calendário completamente diferente. No Flamengo isso ainda não foi entendido. A equipe chegou perto de ser eliminada do Campeonato Carioca. Além disso, tem só quatro pontos em três jogos no Brasileirão e perdeu Supercopa e Recopa.
O Fla tem a fase final do Carioca, além do Brasileirão e da Libertadores, começando em 7 de abril, para dar respostas ainda no primeiro semestre. A perspectiva não é das melhores neste momento.
Dificuldade de fazer gols
Os poucos gols tem sido uma marca nesse Flamengo de 2026, especialmente nos jogos grandes. O Flamengo só conseguiu fazer um placar acima de um gol de diferença no 7 a 1 em cima do Sampaio Corrêa e no 3 a 0 contra o Madureira. Os artilheiros do Fla no ano são Arrascaeta e Everton Cebolinha, ambos com três gols. O uruguaio, porém, marcou todos de pênalti.
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