A conselheiros, BAP diz que ano do Flamengo “estava em risco” com Filipe Luís como treinador
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Presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, prestou esclarecimentos aos conselheiros do clube em reunião na noite de quinta-feira e deu detalhes sobre a decisão de demitir Filipe Luís do cargo de treinador da equipe.
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Em um discurso de pouco mais de seis minutos, BAP afirmou que o ano do Flamengo “estava em risco” com Filipe no comando do futebol. E disse que o seu cargo exige tomadas difíceis de decisão “por mais que ela incomode os torcedores”.
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“Até no hino a gente quer vencer, vencer, vencer. Dentro desse preceito, olhando no espelho para mim mesmo, está absolutamente claro que isso estava muito em risco este ano. Eu tinha que tomar uma decisão”, disse.
BAP, presidente do Flamengo, abraça Filipe Luís, ex-treinador da equipe
Gilvan de Souza/Flamengo
BAP também garantiu aos conselheiros que a decisão de demitir o treinador não foi “individual nem intempestiva”, mas que fez parte de um processo profissional que funciona dentro do departamento de futebol.
O presidente deixou a entender que, antes da demissão de Filipe Luís, tentou sem sucesso uma “correção de rumo”.
– Minha responsabilidade como presidente é avaliar esses fatos e me questionar se o que estamos vivendo vai levar o Flamengo a um ano vencedor. Quando a resposta é não, ou você corrige o rumo ou você muda. A tentativa de correção de rumo foi feita, e em algum momento nós entendemos que isso não era possível e tomamos a decisão que tínhamos que ter tomado – afirmou.
Veja o que BAP disse aos conselheiros:
“Boa noite, saudações rubro-negras. Eu vim aqui mais uma vez prestar conta aos senhores e senhoras do Conselho, com transparência e verdade, dessa vez para falar das mudanças que a gente fez no futebol. Como eu faço desde o primeiro dia à frente do clube, meu compromisso é 100% com o Flamengo do presente e do futuro, com conquistas. O profissionalismo não significa ausência de decisões difíceis. E, no Flamengo hoje, as decisões são a última etapa de todo um processo. Eu tenho um processo para tudo. Não são individuais nem intempestivas essas decisões. O clube tem uma estrutura voltada para o futebol, sob uma liderança claramente definida que é baseada em fatos, horas de trabalho, reuniões, discussões, análises de causa e efeito e comparações das decisões com os resultados. É o processo que é preciso para entregar o melhor resultado. Isso é profissionalismo.
Quando as tomadas de decisão vêm das ações do dia a dia e de cada um de nós, as decisões são tomadas sempre com um propósito de um futuro vencedor. No final das contas é sempre isso que a gente olha. Eu não vou relatar fatos internos nem combater as inverdades de quem não sabe nada que acontece dentro do Flamengo. Lamentavelmente criam narrativas sem se preocupar se vão ou não prejudicar o próprio clube ou profissionais que trabalham no clube. Falaram em vergonha. Vergonha para mim é roubar, mentir, enganar e julgar sem conhecimento dos fatos. Os ataques que eu recebi não vão me fazer comentar fatos que expõem profissionais, desrespeitando quem quer que seja. Não vou fazer isso.
Mesmo sendo evidente, eu gostaria de ressaltar que as mudanças no futebol do Flamengo não apagam ou desabonam de maneira nenhuma o que o Filipe Luís fez pelo clube e a história que ele construiu no Flamengo, como jogador e treinador. Ele já está em um lugar absolutamente merecido e de destaque na história do clube. Filipe é querido. Quando o ídolo deixa o clube, é sempre um momento difícil para todo mundo. Eu compreendo perfeitamente reação de parte da torcida. O que acontece é que as mudanças em certos momentos se tornam inevitáveis, e cada vez que o Flamengo entra em campo há uma enorme responsabilidade institucional pelo que significamos e pelo que a gente representa para os torcedores e para os amantes de futebol e brasileiros em geral. A decisão tomada foi uma decisão de cunho esportivo, dentro da estrutura profissional do clube e baseada 100% em dados e fatos. É isso que eu tenho para dividir com os senhores.
Eu aguardei para falar com os senhores como tem sido de hábito. A gente vive num mundo onde se acusa, se investiga e se julga tudo em 30 segundos num post de internet. Algumas decisões difíceis, se você tomá-las 3h da manhã, ao meio dia de terça-feira, às 21h de uma quinta, antes do almoço, depois do jogo, antes de uma coletiva… não tem hora boa para tomar decisões difíceis. Não tem, gente. É sempre difícil. Uma outra coisa: ah mas foi feito muito rapidamente. Foi feito rapidamente porque existe análise de processo de causa e efeito. Duas vezes por semana você tem reuniões onde falamos do que planejamos, o que fizemos, qual foi o resultado.
Eu não vou entrar em detalhes. Mas, quando você tem divergências em um processo estruturado desse, as divergências e as explicações estão contidas ali no dia a dia. Quando você comunica uma decisão, por mais difícil que ela seja, não significa dizer que ela seja desprovida de explicação. Houve muita conversa, foram debatidos pontos que, de alguma maneira, levavam a uma preocupação importante quando você olha para o presente e para o futuro vencedor. Minha responsabilidade como presidente é avaliar esses fatos e me questionar se o que estamos vivendo vai levar o Flamengo a um ano vencedor. Quando a resposta é não, ou você corrige o rumo ou você muda.
A tentativa de correção de rumo foi feita, e em algum momento nós entendemos que isso não era possível e tomamos a decisão que tínhamos que ter tomado. Essas decisões difíceis, por piores que possam parecer, quando você se depara com algumas situações que você não vê uma perspectiva positiva, é melhor tomar uma decisão hoje ou amanhã. Por mais que ela incomode os torcedores, eu não posso ser só torcedor. Dentro de mim também tem um torcedor, eu tenho uma responsabilidade com a instituição. Até no hino a gente quer vencer, vencer, vencer. Dentro desse preceito, olhando no espelho para mim mesmo, está absolutamente claro que isso estava muito em risco este ano. Eu tinha que tomar uma decisão”.
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