Acosta aprova dupla com Savarino e chama liderança no Fluminense: “Não abaixo cabeça para ninguém”
No primeiro tempo, ele (Canobbio) pediu para eu dar uma bola para ele. Depois (da assistência), eu respondi: “Viu, é só esperar”
A resposta bem-humorada diz muito sobre a personalidade de Lucho Acosta. O meia do Fluminense recebeu a reportagem do ge no CT Carlos Castilho e manteve o sorriso ao comentar sobre o momento que vive. No Brasileirão, soma quatro participações em gols em cinco jogos, sendo peça decisiva para o Tricolor. Na vitória sobre o Remo, na última quinta-feira, o passe para o gol de Canobbio viralizou por ser surpreendente — assunto que ele volta a tratar com bom humor.
— Está todo mundo comentando (do passe) só porque eu não chutei no gol (risos).
Aos 31 anos, Lucho Acosta precisou de pouco tempo para se adaptar e tornar referência no Fluminense. De quebra, nesta temporada, ganhou um parceiro de peso para dividir a responsabilidade. A parceria com Savarino, que funcionou bem nos jogos contra Palmeiras e Remo, já ganhou até apelido: “SavaLucho”, aprovado pelo argentino. Segundo ele, a “boa conexão” entre os dois tem feito diferença dentro de campo.
— Eu conheci ele na MLS. Sempre vi muito na seleção da Venezuela, também no Botafogo nos anos anteriores. Ele fazia a diferença. É muito craque. Sabe quando posicionar, quando chutar, é muito diferente. Nos conectamos muito, quando jogamos juntos temos boa conexão. Nós queremos driblar, chutar, dar assistência, então vai ser uma coisa boa.
O bom humor de Lucho persiste mesmo quando o assunto fica mais espinhoso. Um exemplo é a pecha de “brigão” — apesar da baixa estatura. O argentino admite que precisa evoluir nesse aspecto, principalmente pelo número de cartões amarelos que tem recebido. Ainda assim, explica o motivo de tantas faltas e diz que isso também tem relação com os adversários que enfrenta em campo.
Acosta aprova dupla ‘SavaLucho’ e chama liderança no Fluminense
Marcello Neves/ge.globo
— Eu brigo porque os caras acham podem brigar comigo só porque sou baixinho. Eles batem muito em mim, então não posso ficar sem falar nada. Se ficar (calado), vão bater mais. Depois fico todo machucado. Tento não brigar, meus companheiros até falam para eu não brigar com todo mundo. Falam “imagina você com um metro a mais de altura, ia brigar todo dia”. É verdade (risos).
Falam que eu faço muito falta, mas é porque não sei marcar (risos), mas é sem intenção. Só não abaixo a cabeça para ninguém. Nunca.
Lucho foi contratado em agosto do ano passado do FC Dallas, dos Estados Unidos, por US$ 4 milhões (cerca de R$ 22 milhões) — valor que, hoje, é visto como barato. O argentino conta que um dos motivos para deixar a MLS e retornar ao futebol sul-americano foi justamente viver novamente o ambiente de jogos decisivos e estádios lotados. Durante a entrevista, não escondeu a emoção ao falar dos filhos, de vê-los aproveitando a atmosfera de um Maracanã lotado e torcendo para o Fluminense.
— Vivo isso com muita calma, mas não tem como não olhar para o Maracanã lotado e pensar nos meus filhos, nos meus pais podendo assistir aos jogos. Era o que eu tinha na minha cabeça quando cheguei. Queria um desafio para a minha vida e estou desfrutando. Toda vez que jogo, penso na minha família e no sacrifício que fiz para vir para cá.
— Eles (meus filhos) estão morando esse ano comigo. Eles já são torcedores do Fluminense. Cantam a “louco da cabeça”, cantam todo dia (risos). Aqui é muito diferente. Meus filhos entravam em campo na MLS, aqui não pode. Mas eles entram nos vestiários, conhecem os jogadores, tem as suas bandeiras, vestem roupas do Fluminense. É uma experiência diferente.
Outro assunto quente que Lucho Acosta não titubeou ao falar foi sobre as cobranças de pênaltis do Fluminense. Diante do Vasco, na Copa do Brasil do ano passado, e contra o Flamengo, na final do Carioca deste ano, o meia não esteve em campo para bater. Para ele, isso não é um problema. Inclusive, fala sobre o respeito pelas hierarquias e garante estar pronto caso a responsabilidade apareça.
— Quando cheguei aqui, já tinham cobradores (de pênalti). Quando chega reforço, se tenta respeitar os códigos do futebol. Quando cheguei, tinha Renê, Ganso, Canobbio… Fomos conversando nos jogos, nos treinos. Depois de cada treino, ficamos treinando pênaltis. Vou ter a oportunidade em algum momento e terei a responsabilidade de chutar. Estou consciente de que tomarei essa responsabilidade. Mas respeito os jogadores com mais trajetória. Se eu tiver que bater em algum momento, tomarei essa responsabilidade. Tem vários jogadores que ficam depois do treino batendo pênaltis. Também tem um goleiro que ficam treinando com a gente. Tem que treinar e sentir confiante na hora de bater.
O Fluminense agora inicia uma sequência de partidas no meio e no fim de semana, todas pelo Brasileirão. As próximas quatro, no entanto, serão no Rio de Janeiro, contra Athletico-PR, Vasco, Atlético-MG e Corinthians. Lucho prevê jogo duro contra o Furacão, adversário do próximo domingo.
— Vai ser um jogo duro, importante para a gente seguir fazendo história. É seguir sendo comandante no Maracanã. Em casa, temos que ganhar e ganhar. Tem que se acostumar a ganhar para que o rival venha na cabeça que o Fluminense não perde aqui. Isso gera confiança entre nós.
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